Produção brasileira da Shein pode deixar competição mais igual entre varejistas, mas empresas brasileiras terão de suar para ter folga nesse jogo
Equipes do Santander e do Itaú BBA apontam riscos e vantagens das varejistas nacionais diante dos planos ambiciosos da Shein

Se há apenas alguns dias a Shein parecia um inimigo a ser combatido — e taxado — ela acaba de se tornar aliada de uma empresa nacional após o anúncio de seu acordo com a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas/CTMN4) — que é dona da Artex e da MMartan — para fabricar suas roupas aqui no Brasil. E, agora, o jogo pode ficar mais justo para as varejistas locais, conforme analistas.
Em geral, o acordo prevê que 2 mil dos clientes confeccionistas da empresa passem a ser fornecedores da Shein para atender os mercados doméstico e da América Latina. A parceria também abrange o financiamento para capital de trabalho e contratos de exportação de produtos para o lar, com um investimento total de R$ 750 milhões.
A ideia é que a Shein seja capaz de produzir internamente até 85% do que vende no Brasil até 2026, além de estoque próprio e um market place.
O Itaú BBA apontou, em relatório, que outras varejistas como Lojas Renner (LREN3) e Guararapes (GUAR3) investiram bem menos em 2022, por exemplo. Enquanto a primeira investiu R$ 1 bilhão em capex no ano passado, a segunda somou R$ 600 milhões em investimentos.
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Também em relatório, o Santander avalia que esses planos sinalizam para um modelo de negócios mais sustentável por parte da varejista chinesa, mesmo que uma maior fiscalização e, por consequência, aplicação de taxas para os itens importados traga impactos competitivos no curto prazo para ela.
Os analistas também reforçam que a chegada da Shein pode obrigar as varejistas locais a rever suas estratégias, principalmente suas cadeias de suprimentos. Isso pode exigir delas parcerias com fornecedores, aceleração do aperfeiçoamento do comércio eletrônico e gerenciamento de riscos de lucratividade.
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Para o banco, os principais riscos são o aumento da concorrência, preocupação com rentabilidade e pressão de preços.
Shein pode já ter sido ameaça maior
Na avaliação da equipe do Itaú BBA, ainda que a pressão para as varejistas locais exista, as companhias brasileiras estão bem posicionadas para lidar com a competição. Além disso, pontuam que, uma vez no Brasil, a Shein precisará se sujeitar a mesma dinâmica e desafios de suas concorrentes — que vivenviam o mercado brasileiro há bastante tempo e podem ter uma vantagem aí.
"Em nossa opinião, competir com as operações internacionais da Shein foi muito mais desafiador, dada a provável vantagem de preço relacionada aos custos de fabricação chineses. Por fim, observe que o mercado brasileiro de vestuário também é altamente fragmentado e pode haver espaço para grandes players coexistirem daqui para frente", escreve o Itaú BBA.
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