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A companhia informou que incluirá na pauta da próxima assembleia de acionistas uma proposta de redução do capital social
Exatamente um mês após concluir uma oferta de ações milionária, a Tenda segue anunciando medidas para colocar as finanças em ordem. Mas a última proposta da construtora não parece ter agradado os investidores: as ações TEND3 operam em forte queda na B3 nesta quinta-feira (5).
Por volta das 11h45, os papéis recuavam 10,44%, cotados em R$ 11,32. Vale destacar que todos os principais nomes do setor da construção civil apresentam desempenho negativo hoje — confira a nossa cobertura completa de mercados.
Apesar do movimento de descida em bloco das construtoras, a queda da Tenda é mais acentuada e ocorre após a companhia ter surpreendido o mercado ao informar que incluirá na pauta da próxima assembleia de acionistas, prevista para novembro, uma proposta de redução do capital social.
A operação permite que empresas devolvam parte do investimento de seus acionistas. Mas, no caso da construtora, o objetivo é diminuir o capital em R$ 419,4 milhões para absorver os prejuízos acumulados pela empresa. A cifra corresponde ao rombo reconhecido no balanço do segundo trimestre de 2023.
Segundo fato relevante enviado ao mercado na última quarta-feira (4), a operação será realizada sem o cancelamento de ações. O percentual de participação dos atuais acionistas também não será alterado.
Os conselheiros da Tenda entendem, ainda segundo o comunicado, que a redução de capital poderá ser benéfica para os acionistas pois reestabelecerá a situação de equilíbrio entre o nível de capital e o patrimônio.
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Outro argumento é que a absorção dos prejuízos acumulados poderia viablizar futuras distribuições de dividendos. O último depósito de proventos aos investidores ocorreu no final de 2021.
Mas a volta dos proventos não é garantia e a companhia faz uma ressalva: potenciais dividendos dependem da apuração de lucro nos próximos exercícios.
A redução de capital é a tentativa mais recente da Tenda para reequilibrar as finanças e preparar o caixa para surfar a onda do retomado e turbinado Minha Casa Minha Vida (MCMV).
Antes de propor a operação, a construtora, que é focada em empreendimentos de baixa renda, já havia levantado R$ 234 milhões com uma oferta de ação concluída no mês passado.
De acordo com o comunicado divulgado na época, os recursos captados com a oferta também serão destinados a equilibrar a estrutura do capital da Tenda e melhorar o endividamento da empresa.
A disparada dos custos da construção nos últimos anos e a taxa de juros elevada fizeram com que a incorporadora encerrasse 2022 com uma dívida de R$ 799,9 milhões, alta de 141% na comparação com o ano anterior.
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O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.
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