Netflix supera projeções no 4º trimestre com a ajuda de Wandinha Addams; e ações disparam em NY
A plataforma encerrou o mês de dezembro com um total de 7,66 milhões de assinantes, muito acima das projeções de 4,57 milhões da Refinitiv

Sob a trilha sonora de “Paint It Black" no violoncelo de Wandinha Addams, a divulgação do balanço da Netflix do quarto trimestre de 2022 trouxe um Caleidoscópio de emoções no mercado financeiro após o fechamento do mercado lá fora. O anúncio contou com troca de CEO, assinantes além das expectativas e números robustos.
Tudo isso para garantir o entretenimento do investidor de NFLX nas bolsas norte-americanas, cujas ações avançavam 6,45% na Nasdaq antes da abertura dos negócios em Wall Street, negociadas a US$ 336,14 por volta das 9h35.
A verdadeira surpresa do resultado da Netflix no último trimestre do ano passado foi, na verdade, o crescimento de sua base de assinantes global.
A plataforma encerrou o mês de dezembro com um total de 7,66 milhões de novos assinantes, muito acima das projeções da Refinitiv, cujos analistas esperavam um número próximo de 4,57 milhões de clientes pagos.
Em 2022 como um todo, a base de assinantes da plataforma de entretenimento cresceu 4% na comparação com o ano anterior, alcançando a marca de 231 milhões de usuários pagos.
O balanço do 4T22 da Netflix
A gigante do streaming registrou um lucro líquido de US$ 55,28 milhões nos últimos três meses do ano passado, equivalente a uma queda de 91% em relação aos US$ 607,43 milhões registrados no mesmo período de 2021.
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O valor corresponde ao lucro de US$ 0,12 por ação, bem abaixo das projeções dos analistas consultados pela Refinitiv, de US$ 0,45 por papel.
Apesar do lucro ter despencado entre outubro e dezembro, a empresa atingiu as expectativas do mercado em termos de receita, com um montante trimestral de US$ 7,85 bilhões, equivalente a um aumento de 1,9% na base anual.
No acumulado do ano, a receita chegou a US$ 32 bilhões.
Segundo a Netflix, os resultados primários do novo plano “mais barato” da plataforma de streaming agradaram a companhia.
Em novembro, a companhia lançou a versão básica mais em conta que o tradicional, que conta com propagandas de 15 ou 30 segundos antes e durante a exibição de filmes e séries.
Até então, a companhia não divulgou os valores arrecadados com o novo plano e nem mesmo a quantidade de assinantes da versão com anúncios.
Wandinha e outros lançamentos da Netflix
A empresa de streaming também superou as próprias expectativas em relação ao desempenho de seus lançamentos de séries e filmes entre outubro e dezembro.
Provendo-se do sentimento de nostalgia dos millennials sem esquecer de cativar a geração Z, estreias como Wednesday, a famosa Wandinha da Família Addams, superaram as expectativas.
Segundo o documento, a produção dirigida por Tim Burton atingiu o patamar de 1,02 bilhão de horas assistidas em apenas três semanas desde a estreia, tornando-se a terceira série mais popular da história da Netflix.
Outros destaques do quarto trimestre foram os lançamentos de Harry e Meghan, que conquistou o posto de segundo documentário mais popular da Netflix, e a continuação do filme de mistério Knives Out, Glass Onion, que alcançou o quarto lugar entre os filmes mais populares da plataforma.
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Troca de CEO
A divulgação do balanço trimestral da Netflix contou ainda com o anúncio da troca de CEO da companhia.
Após ocupar a posição por 25 anos, o fundador da empresa, Reed Hastings, decidiu renunciar à posição de diretor executivo da companhia.
Apesar de deixar a chefia da Netflix, Hastings permanecerá como presidente do conselho de administração da gigante do streaming.
O atual diretor de operações (COO), Greg Peters, foi escolhido como substituto do fundador no cargo de CEO e passará a integrar o conselho da empresa.
Segundo o comunicado, Ted Sarandos continuará na posição de co-CEO, ocupada por ele desde julho de 2020.
Na visão de Richard Camargo, analista da Empiricus, a renúncia de Hastings acontece em “um momento interessante, na esteira da implementação do modelo de anúncios e a mudança no perfil estratégico da empresa, que focará cada vez mais em rentabilidade e menos em crescimento”.
“Essa mudança, ao menos inicialmente, nos parece reforçar o compromisso da Netflix em perseguir a rentabilidade com mais ênfase nos próximos anos”, escreveu o analista.
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