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EM DIA DE ASSEMBLEIA

Na Gafisa (GFSA3), veículo de Nelson Tanure chega a 20% do capital; gestora Esh pede que “poison pill” seja acionada

A MAM Asset Managment, gestora do Banco Master, aumentou para 20,54% sua participação na empresa às vésperas da AGE que discutirá um possível ação de responsabilidade contra Tanure.

Logo da incorporadora Gafisa em meio aos prédios da cidade de São Paulo
Imagem: Montagem Andrei Morais/Shutterstock

Esta segunda-feira (9) pode marcar uma derrota ou uma vitória importante para a Gafisa (GFSA3) na batalha contra a Esh Capital, uma de suas acionistas. E os controladores da construtora afiaram ainda mais as suas armas para o embate: a MAM Asset Management, gestora do Banco Master e veículo de investimentos de Nelson Tanure, aumentou para 20,54% sua participação na empresa.

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O crescimento na fatia ocorre às vésperas do início da assembleia geral extraordinária que discutirá hoje uma possível ação de responsabilidade contra o empresário, membros do conselho fiscal e outros administradores, bem como a destituição desses integrantes e a eleição de substitutos por quebra de deveres fiduciários.

Os acionistas também avaliarão a legalidade de um aumento de capital no valor de R$ 78 milhões homologado na semana passada. A operação chegou a ser suspensa pela Justiça a pedido da Esh, mas a Gafisa recorreu da decisão e conseguiu derrubar a liminar sobre o tema.

Vale destacar que a gestora detinha — por meio do fundo Esh Theta — uma posição de pouco mais de 15,1% na companhia, mas esse percentual foi reduzido após a operação. A Esh alega, em nota, que o aumento de capital "se deu de forma ilegal" e optou por não subscrever novas ações.

A movimentação acionária e a expectativa para a assembleia pressionam os papéis da Gafisa. Ainda assim, por volta das 12h15, as ações GFSA3 operavam em alta de 2,78%, a R$ 23,64; em um mês, acumulam um salto de mais de 286%.

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Esh pede que "poison pill" seja acionada

Segundo a gestora, a mais recente movimentação acionária de Tanure e do grupo Master, dono da MAM, tem como objetivo "se defender da votação" de hoje. "O grupo Master comprou ações de forma que, mesmo que o aumento de capital da companhia fosse discutido na assembleia, a Esh não conseguiria prevalecer."

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Com isso, a Esh solicitou a convocação de uma nova assembleia para suspender os direitos políticos até que uma oferta pública de aquisição (OPA) seja realizada com base na poison pill — ou pílula de veneno. O dispositivo está presente no estatuto das empresas que buscam manter o equilíbrio e resguardar os acionistas minoritários.

Vale lembrar que a poison pill é utilizada para dificultar a tomada de controle de uma empresa com capital pulverizado na bolsa, quando um acionista pode, em muitos casos, dar as cartas mesmo sem alcançar mais de 50% de participação.

No caso da Gafisa, o estatuto social determina que qualquer investidor que atingir 30% do capital precisa lançar uma oferta pública de aquisição das ações dos demais acionistas a preços iguais ou superiores ao pago pelos investidores nos seis meses anteriores.

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Ou seja: o argumento da Esh é o de que, por mais que a MAM não tenha ultrapassado a linha dos 30%, a fatia detida pela asset, somada a eventuais participações detidas por Tanure e outros veículos ligados a ele, ficaria acima da marca que dispararia a poison pill, exigindo, portanto, a realização de uma OPA.

Já a Gafisa declarou, em nota enviada ao Seu Dinheiro, que "a atuação da Esh tem como único propósito desinformar o mercado e satisfazer os seus próprios interesses".

"A Companhia reafirma a sua governança e conformidade legal e ratifica as medidas que já adotou e continuará a adotar para preservar os interesses de todos os seus mais de 39 mil acionistas."

Gafisa, Esh Capital e uma história mais que repetida

As rusgas entre o fundo e a construtora não começaram neste caso. A Esh também questiona ainda a 17ª emissão de debêntures da companhia.

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Os ativos foram alvo do primeiro embate jurídico entre gestora e construtora, que terminou com a Esh obtendo uma liminar que impediu a conversão das debêntures em ações.

A Gafisa afirma que essa liminar trará prejuízo. Isso porque a decisão limita a capacidade de prosseguir com o desenvolvimento de projetos estratégicos em imóveis adquiridos com os R$ 245,5 milhões levantados pela operação.

Em nota enviada à imprensa no último domingo (08), a Gafisa afirma que “o foco da gestão do novo CEO, Henrique Blecher, está na geração de caixa; desalavancagem da companhia”.

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