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No total, a Mundial (MNDL3) terá de pagar R$ 281,2 milhões à PGFN em 120 parcelas corrigidas pela Selic
A Mundial (MNDL3), famosa pela fabricação de alicates, viu suas ações dispararem quase 30% no pregão desta segunda-feira (27) na B3. De fato, os acionistas têm um bom motivo para sorrir e buscar os papéis: a companhia firmou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e conseguiu transformar um débito fiscal de R$ 1,77 bilhão em R$ 281,2 milhões — um desconto de mais de 80% do valor total.
Esse novo montante será pago pela Mundial em 120 parcelas, que serão corrigidas conforme a variação da Selic ao longo desses anos.
Em documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informa que ainda não consegue dimensionar o impacto deste acordo em suas demonstrações financeiras. Porém, uma análise prévia estima um efeito positivo de cerca de R$ 983 milhões nos resultados.
Por volta das 11h42, as ações da Mundial subiam 28,54% na bolsa, cotadas a R$ 55,00. Mas encerraram o dia com ganho bem menor, de 5,21%, a R$ 45,02.

Para quem acompanha o mercado financeiro há mais tempo, a Mundial (MNDL3) talvez seja mais lembrada pela famosa "Bolha do Alicate" do que por qualquer outro motivo.
Em 2012, as ações da empresa chegaram a disparar mais de 3.000% em poucos meses, infladas pela cobiça de investidores que buscavam ganhos astronômicos com um papel classificado por alguns agentes do mercado como uma oportunidade sem igual na época, uma verdadeira mina de ouro para quem tivesse as ações.
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Mas a disparada sem fundamento, impulsionada apenas pelo objetivo de fazer o papel se valorizar e gerar lucro na venda, provocou um colapso em pouco tempo e derrubou o valor do ativo.
O caso chegou à Justiça e, ainda que a empresa tenha se recuperado, ela nunca mais viu suas ações operando nos mesmos patamares.
O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.
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