M.Dias Branco (MDIA3) vê lucro despencar 90% e ação esfarela quase 20% na bolsa após balanço
Resultado da M.Dias Branco (MDIA3) foi marcado por margens pressionadas por despesas, apesar do crescimento sólido

A temporada de resultados do quarto trimestre de 2022 está na reta final, mas os investidores ainda acompanham com atenção os últimos resultados desta safra. E quem deixou um sinal de alerta desta vez foi a M.Dias Branco (MDIA3), que vê suas ações caírem quase 20% no primeiro pregão desta semana.
Por volta das 13h17, o papel da dona dos biscoitos Piraquê caía 17,94%, cotado a R$26,07 — esfarelando aos poucos.
Veja abaixo os principais números do balanço da companhia e o resultado em relação ao mesmo período de 2021, que justificam o movimento de venda visto hoje:
- Lucro líquido: R$ 15,5 milhões (-90%)
- Ebitda ajustado: R$ 121,3 milhões (-33,6%)
- Receita líquida: R$ 2,8 bilhões (+28%)
Segundo a M.Dias Branco, o resultado teve forte influência da alta dos custos de produção, além dos efeitos da guerra na Ucrânia, que faz o preço do trigo subir consideravelmente.
Em relatório, o analista Fernando Ferrer, da Empiricus Research, pondera que, ainda que a receita líquida da companhia tenha crescido e seja sustentada pelo aumento do preço médio dos produtos, também houve alta nos custos dos itens, fatores que pesaram no resultado.
"No ano, os custos dos produtos vendidos cresceram 29,2% em valores absolutos, representando 77,2% da receita líquida (77,4% em 2021), reflexo principalmente do aumento no custo médio do trigo e do óleo, que incrementaram, respectivamente, 35,1% e 29,4%", diz o relatório.
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Outro ponto de atenção está na posição de caixa da companhia, que soma R$ 648 milhões, enquanto as dívidas de curto prazo chegam a R$ 562 milhões.
"Acreditamos que a M.Dias precisará acessar o mercado para reequilibrar o seu balanço no curto prazo, o que é ruim dado o aumento de spread recente", escreve o analista.
Nível de estoque da M.Dias Branco (MDIA3) preocupa
Ferrer destaca, ainda, que a M.Dias Branco possui um nível de estoque maior do que de seus competidores e, por isso, ela ainda não foi capaz de capturar a queda recente das commodities em seu balanço trimestral.
Esse assunto preocupa porque, ao longo dos últimos trimestres, ela vem aumentando seu nível de estoque para se proteger de eventuais aumentos no preços das matérias-primas. No ano, já são mais de R$ 1 bilhão estocados e, caso as projeções da companhia não se concretizem, pode haver mais pressão nas margens e problemas para liquidar esse estoque.
Hoje, MDIA3 é uma posição vendida da Carteira Empiricus.
Os analistas do JP. Morgan também comentam o alto nível de estoque e já fazem previsões para os resultados do primeiro trimestre desde ano. Para a equipe, tende a ser um resultado "sem brilho".
Entre os pontos positivos, a equipe elenca a capacidade da empresa de aumentar seus preços médios, a atual estratégia de crescimento e o aumento de participação no portfólio de maior valor agregado com as marcas Jasmine e Latinex.
O banco tem recomendação neutra para o ativo.

Para os analistas da XP Investimentos, a alta volatilidade nas margens da empresa ao longo do último ano pode ser justificada pela oscilação nos custos de commodities, tornando mais difícil a tarefa de prever as margens e o Ebitda recorrente da M.Dias Branco para os próximos meses.
Ainda sobre o futuro, a equipe prevê um 2023 desafiador para a fabricante de biscoitos e massas, com foco na recuperação de margens.
A XP também tem recomendação neutra para o papel.
Bancos reduzem preço-alvo de MDIA3
Como reflexo do balanço mais fraco, o BTG Pactual reduziu o preço-alvo de MDIA3 de R$ 35,00 para R$ 34,00, com recomendação neutra — potencial de alta de 6,9%.
Já o Santander, apesar de manter sua recomendação de compra, optou por cortar o preço-alvo de R$ 53,00 para R$ 48,00 — potencial de valorização de 51% se considerado o fechamento de sexta-feira (17).
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