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Liliane de Lima

É repórter do Seu Dinheiro. Jornalista formada pela PUC-SP, já passou pelo portal DCI e setor de análise política da XP Investimentos.

COMEÇO DO FIM?

Adeus, mundo tech? Demissões em empresas de tecnologia já atingiram mais de 55 mil profissionais em 2023

No Brasil, aproximadamente 720 pessoas perderam os seus empregos neste início de ano

Liliane de Lima
21 de janeiro de 2023
10:45 - atualizado às 10:50
big techs
Big techs - Imagem: Shutterstock

A onda de demissões segue com força. E, atingiu, inclusive, grandes corporações no setor de tecnologia, como o Google, Amazon e Salesforce.

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Em todo o mundo, cerca de 55.324 profissionais foram afetados por demissões em massa somente em janeiro de 2023, segundo o site Layoffs.fyi, que agrupa desligamentos no setor. Especificamente no Brasil, aproximadamente 720 pessoas perderam os seus empregos neste início de ano.

Contudo, esse movimento de "ajustes" não é novidade —  e nem tem data para acabar. Vale lembrar que os cortes nos quadros de pessoal em larga escala acontece, principalmente, em razão da crise econômica agravada pela pandemia de Covid-19 —  e hoje, as consequências dela, como a alta da inflação, elevação dos juros e o temor à recessão global.

No ano passado, 155.126 pessoas foram desligadas de 1.032 empresas de tecnologia, ainda segundo o site.

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Amazon inaugurou a temporada de demissões em 2023

A Amazon anunciou que cortará mais de 18 mil pessoas no quadro de funcionários neste ano, sendo oito mil a mais do que o anunciado há dois meses — quando os “ajustes” de pessoal começaram na companhia.

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Em memorando aos funcionários publicado no blog da Amazon, o CEO da companhia, Andy Jassy, disse que a revisão se dá pela “economia incerta” e pelo “excesso” de contratação nos últimos anos.

Leia Também

Contudo, essa lista expande-se para outras gigantes de tecnologia, como Salesforce, Google e Microsoft. Confira:

Salesforce

Na primeira semana de 2023, a Salesforce informou que desligará cerca de 10% dos funcionários e fechará alguns escritórios em todo o mundo.

O corte deve atingir pelo menos 7.000 pessoas — a empresa tinha 73.541 colaboradores em dezembro de 2022, de acordo com o último registro anual na SEC (equivalente à CVM brasileira).

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Com o corte, a Salesforce espera reduzir os custos operacionais e impulsionar o “crescimento lucrativo”.

Por fim, o movimento de reestruturação no quadro de pessoal deve ser concluído até o final de 2024.

Demissões na Microsoft

A empresa de Bill Gates anunciou o plano de cortar 10 mil pessoas de sua folha de pagamento — o que representa 5% da força total de trabalho — até o final de março. Os desligamentos começaram na última quarta-feira (18), afetando, principalmente, as áreas de marketing e vendas.  

Mas, isso é apenas um continuidade do que já estava acontecendo. Os cortes no quadro de pessoal na Microsoft já começaram há, pelo menos, nove meses. 

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Em julho do ano passado, a empresa de Bill Gates anunciou um plano que previa o fim de vários cargos e a dispensa de pelo menos 1% da força de trabalho total — o que corresponde a cerca de 2 mil pessoas. Na época, a empresa afirmou que as demissões faziam parte de um ajuste regular no seu início do ano fiscal. E, em outubro, cerca de mil pessoas foram desligadas da empresa em todo o mundo. 

Google

A gigante de tecnologia vai demitir 12 mil funcionários, o que representa um pouco mais de 6% do quadro global de pessoal. Segundo a companhia, os cortes afetarão todas as áreas e todos os escritórios espalhados pelo planeta — o que inclui o Brasil.

Em e-mail aos funcionários, o presidente-executivo (CEO) da Alphabet, Sundar Pichai, afirmou que o corte é um ajuste de força de trabalho, que cresceu rapidamente nos últimos dois anos.

Segundo o executivo, os investimentos da empresa devem se concentrar em projetos de inteligência artificial (IA, na sigla em inglês).

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Com as novas demissões, a dona do Google “conquista” o segundo lugar no pódio das demissões em big techs. Isso porque o maior corte foi anunciado pela Amazon, com o desligamento de 18 mil pessoas e a Microsoft, com 10 mil demissões previstas até março.

Demissões em massa no Brasil

Por aqui, a temporada de demissões foi inaugurada pela empresa de maquininhas PagBank PagSeguro. A companhia desligou 7% da força de trabalho, o que corresponde ao desligamento de 481 funcionários. Segundo relatos de funcionários nas redes sociais, as áreas mais afetadas foram as de tecnologia e metodologia, a Agile.

O unicórnio — empresa avaliada em mais de US$ 1 bilhão — unico demitiu mais de 100 pessoas. Os cortes na startup de IDtech — especializada em soluções de identidade digital — representam cerca de 10,5% do total de funcionários da companhia. Vale lembrar que a empresa já havia realizado demissões na área de vendas e cliente em outubro do ano passado.

Além dessas, a startup de seguros Pier ingressou na lista de empresas em "reestruturação". A companhia também desligou 100 funcionários, ou seja, 39% do quadro de pessoal. As áreas mais afetadas foram tecnologia, atendimento ao cliente, marketing e recrutamento e seleção.

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Por que as empresas de tecnologia estão demitindo?

Os cortes não são apenas uma coincidência — ou, muito menos, um momento passageiro. As sucessivas reduções nos quadros de pessoal acontecem por diversos motivos. 

Um dos motivos é o “boom” da tecnologia nos primeiros meses de isolamento social em razão da Covid-19, que impulsionou as contratações de profissionais do setor em todo o mundo  — e com maior volume nas empresas dos EUA.

Além disso, O cenário macroeconômico contribui — negativamente — com a maior percepção de risco nos investimentos em tecnologia. Soma-se a isso a incerteza de quanto a guerra na Ucrânia há de durar, além da escalada da inflação global após a pandemia. 

E, nesse contexto, as grandes corporações precisaram reorganizar seus negócios, ainda que bastante sólidos, de modo a compensar a queda de receita nos últimos meses. 

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