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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances "O Roteirista", "Abandonado" e "Os Jogadores"

GOVERNANÇA CORPORATIVA

Por que o maior acionista da dona do Burger King no Brasil (ZAMP3) quer tirar a empresa do Novo Mercado da B3

Mubadala, fundo ligado ao Emirado de Abu Dhabi, chegou a fazer uma oferta pública pelas ações da Zamp no ano passado, mas desistiu da operação

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
21 de novembro de 2023
9:50 - atualizado às 9:51
Restaurante do Burger King
Restaurante do Burger King - Imagem: Divulgação

Responsável pelas redes de restaurantes Burger King e Popeyes no Brasil, a Zamp (ZAMP3) poderá perder um ingrediente importante para o investidor com foco em governança corporativa. Isso porque a empresa poderá deixar o Novo Mercado da B3.

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Quem está por trás da proposta de tirar a Zamp do segmento de listagem com práticas mais rigorosas de governança corporativa da bolsa brasileira é o Mubadala.

Com um total de US$ 276 bilhões sob gestão, o fundo ligado ao Emirado de Abu Dhabi é o principal acionista da operadora do Burger King no país, com 30% do capital.

As regras da B3 preveem que a saída do Novo Mercado deve acontecer via oferta pública de aquisição (OPA) das ações dos minoritários. Mas o Mubadala pediu a convocação de uma assembleia de acionistas para ser dispensado dessa cláusula.

Trata-se de uma mudança em relação à estratégia que o fundo tentou adotar no ano passado. O Mubadala chegou a fazer uma oferta pública pelas ações da Zamp, mas acabou desistindo da operação.

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A DINHEIRISTA - Posso deixar meu marido sem herança? Estou muito doente e ele se recusa a cuidar de mim!

ZAMP3: Por que o Mubadala quer a dona do Burger King fora do Novo Mercado

O Mubadala justificou o pedido para tirar a Zamp do Novo Mercado com o argumento de que a listagem limita algumas das alternativas disponíveis para o financiamento e a expansão das atividades da companhia.

Leia Também

Entre os planos em potencial, o fundo citou a captação de recursos no Brasil ou no exterior. Outra possibilidade é a combinação de negócios com outros players nacionais ou estrangeiros.

"Cumpre notar que a Zamp atua na operação de restaurantes como masterfranqueada da Burger King Company LLC e da Popeyes Louisiana Kitchen, Inc para o Brasil, com direitos de exclusividade para administrar e desenvolver as marcas BURGER KING® e POPEYES® no paı́s, atividade que apresenta alto grau de correlação e importantes sinergias com outros players internacionais que atuam no setor de food and beverage", escreveu o Mubadala.

Ainda de acordo com o fundo, as regras do Novo Mercado limitam a captação de recursos por permitir apenas a emissão de ações com direito a voto. Além disso, elas restringem os tipos de operações societárias que a Zamp pode participar.

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Na visão de uma fonte de mercado com quem eu conversei, o mais provável é que o Mubadala tente no futuro uma união da Zamp com outras franquias de restaurantes fora do país.

Direitos preservados?

Por fim, vale destacar que a proposta de saída do Novo Mercado prevê a manutenção de alguns dos atuais direitos dos minoritários da dona do Burger King no país. Entre eles, estão:

  • a previsão de cláusula arbitral para a resolução de eventuais conflitos;
  • composição do conselho de administração com, no mı́nimo, dois conselheiros independentes ou 20%, o que for maior;
  • tag along de 100% para todos os acionistas titulares de ações ordinárias ou preferenciais (caso venham a ser emitidas).

Burger King: seis anos na B3

A dona do Burger King no Brasil estreou na B3 em dezembro de 2017. A promessa na ocasião era abocanhar um pedaço do mercado de fast food do rival McDonalds.

Mas pelo menos na bolsa o desempenho está longe de empolgar ao longo desses quase seis anos. A Zamp vale hoje aproximadamente R$ 1,7 bilhão na B3. Ou seja, menos do que o valor que a empresa captou na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).

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