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A blindagem das dívidas da varejista já afetava fundos imobiliários de renda urbana; agora chegou a vez de os shoppings sentirem o impacto
Com uma pequena adaptação, a famosa expressão popular sobre endividados descreve bem a situação da Americanas (AMER3): devo, não nego, pago quando a recuperação judicial terminar. A blindagem das dívidas da varejista já afetava fundos imobiliários de renda urbana e logística, agora chegou a vez dos FIIs de shopping sentirem o impacto.
A Americanas já começou a notificar estabelecimentos onde mantém lojas físicas que os aluguéis devidos até a data do deferimento do pedido de recuperação judicial, em 19 de janeiro, não serão depositados. A suspensão dos pagamentos ocorre por conta do efeito de suspensão de cobranças conferido pela recuperação judicial.
Vale destacar que apenas créditos anteriores ao pedido de recuperação estão com sua exigibilidade suspensa. Já os pagamentos cuja competência compreende o período de 20 a 31 de janeiro de 2023 serão realizados ao longo deste mês.
Ainda assim, segundo as cifras que constam na lista de credores do processo de recuperação da varejista, entregue à Justiça do Rio de Janeiro, a companhia deve R$ 11,6 milhões aos shoppings espalhados por diversas regiões do Brasil. E uma boa parte desses shoppings compõem o portfólio de fundos imobiliários.
Mas a XP estima que os efeitos da suspensão de pagamentos serão menos nocivos para os FIIs do setor do que o projetado para outros segmentos. "Os impactos esperados e projetados tendem a ser bem menores, principalmente pelo fato de a representatividade do inquilino ser baixa perante a receita do portfólio", argumentam os analistas.
A corretora diz ainda que, apesar de a rede Americanas estar presente na maioria dos shoppings do Sudeste e também possuir expressividade em outras regiões, deve haver uma certa facilidade na reposição de inquilinos caso a varejista feche parte de suas unidades físicas.
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A tese da XP é fortalecida pelos fundos imobiliários de shoppings que já comunicaram ter exposição à Americanas. O Hedge Brasil Shopping FII (HGBS11), por exemplo, explicou ao mercado que a companhia representou apenas 1,28% de sua receita nos últimos 12 meses.
Além disso, os gestores informaram à XP que o FII já negociava a redução de área das lojas ocupada pela empresa antes mesmo da descoberta do escândalo contábil bilionário e o subsequente pedido de recuperação judicial.
A situação é parecida no portfólio do Mall Brasil Plural FII (MALL11). O fundo informou que todos os seus shoppings locam espaços para a varejista, mas a Americanas tem baixa representatividade, cerca de 1%, no resultado operacional líquido dos ativos.
Já o Vinci Shopping Centers (VISC11) tem uma exposição um pouco maior à companhia, mas o percentual ainda é "pouco representativo", de acordo com o último relatório gerencial divulgado.
Lojas físicas da Americanas estão presentes em 19 dos 20 shoppings do portfólio e representam, em média, 2% da receita mensal e 4% da Área Brutal Locável "As administradoras já estão estudando alternativas para as áreas ocupadas caso seja necessária qualquer movimentação de lojistas", completa o fundo.
Com os riscos em patamares controlados, as cotas de dois desses três fundos imobiliários avançam na B3 nesta sexta-feira (10), enquanto um deles registra leve queda.
Por volta das 14h40, o FII VISC11 operava em alta de 0,53%, enquanto o MALL11 subia 0,16%. Já o HGBS11 recuava 0,54%, em linha com o desempenho do IFIX - índice que reúne os principais fundos imobiliários da bolsa brasileira - hoje.
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