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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

LOCK-UP À VISTA

Credores pressionam Lemann e sócios para que mantenham ações da Americanas (AMER3) pelos próximos anos

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira estariam negociando com os credores o prazo do lock-up

Ricardo Gozzi
13 de junho de 2023
15:27 - atualizado às 15:35
Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, bilionários acionistas da Americanas (AMER3)
Lemann e sócios estão sob escrutínio desde revelação de rombo na Americanas. - Imagem: Shutterstock/Ambev/Seu Dinheiro - Montagem Brenda Silva

Os acionistas de referência da Americanas (AMER3) dificilmente conseguirão se livrar tão cedo de seus papéis na varejista. Os credores pressionam para que o trio formado por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira se comprometa com um lock-up.

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Bastante comum em aberturas de capital, o lock-up é um mecanismo que impede determinados acionistas de venderem suas ações antes de um prazo pré-estabelecido.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, os sócios já teriam aceitado a exigência de não vender suas ações na Americanas pelos próximos três anos.

Americanas diz que ainda não há acordo

Por meio de um comunicado, a Americanas confirma a exigência feita pelos credores a Lemann, Telles e Sicupira, mas destaca que não existe definição sobre o prazo.

“A abrangência desse lock-up ainda está em discussão no âmbito do acordo mais amplo”, diz a Americanas em comunicado ao mercado.

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No entanto, esse acordo ainda depende de um consenso por parte dos credores em relação à mais recente proposta apresentada pela varejista, prossegue a empresa.

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Lemann e sócios deixaram o controle da Americanas meses antes de revelação de rombo

Um rombo contábil de R$ 20 bilhões no balanço da Americanas foi revelado pelo ex-CEO Sérgio Rial em janeiro deste ano.

Recrutado com alarde em agosto de 2022, Rial passou apenas alguns dias na função para a qual foi contratado.

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Ele renunciou logo depois de revelar o rombo e agora é investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pela forma como comunicou a situação ao mercado.

Na manhã desta terça-feira (13), a Americanas admitiu que o rombo derivou de uma fraude.

A empresa responsabilizou pelo esquema o ex-CEO Miguel Gutierrez (antecessor de Rial), além de três diretores e três executivos. Ao mesmo tempo, a companhia isentou de culpa o trio de acionistas de referência.

Lemann, Telles e Sicupira deixaram o controle da Americanas apenas dois meses antes da revelação do rombo.

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