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Queridinha dos analistas, Vale deve ser impactada por menor demanda da China, e retorno aos acionistas deve ficar mais limitado, acredita o banco

Uma das empresas mais queridas dos analistas já não brilha mais tanto assim aos olhos do Itaú BBA. O banco cortou a recomendação dos papéis da Vale (VALE3) de compra para neutro nesta quarta-feira (17), após atualizar suas projeções com a incorporação dos resultados da mineradora no segundo trimestre.
A revisão do modelo também levou o Itaú BBA a rever o preço-alvo do ADR, o recibo das ações da Vale negociado em Nova York. De uma projeção de US$ 20 ao final de 2022, o banco projeta agora um preço menor, de apenas U$ 15, para o final de 2023.
Atualmente, o papel negocia na faixa dos US$ 13, o que implicaria uma valorização de apenas 15% até o fim do ano que vem. Hoje, os ADRs, negociados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), e as ações VALE3, negociadas na B3, recuaram mais de 2%.
Na sua revisão, os analistas do Itaú BBA reduziram a projeção para o preço do minério de ferro em 2022 e 2023, esperando uma demanda mais fraca da China. Eles também incorporaram uma recuperação mais lenta da produção de minério e um custo de capital mais alto para a Vale.
"Nós vemos uma alta limitada para o fluxo de caixa descontado (10%) e apenas retornos modestos advindos de dividendos e recompras (cerca de 5% a 6% até março de 2023). Nós projetamos uma geração limitada de fluxo de caixa livre em 2023 (retorno de 6%) e a ação negociando a 4,2 vezes o EV/Ebitda ajustado 2023 [valor da firma sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado projetado para 2023]."
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE- Relatório do Itaú BBA sobre a Vale
O enfraquecimento da produção de aço na China, muito em função da política de Covid zero do governo, vem impactando negativamente o crescimento econômico em 2022, acredita o Itaú BBA.
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"Apesar dos recentes estímulos, o setor imobiliário (que corresponde a cerca de 35% do consumo de aço no país) não deu sinais de melhora", diz o relatório.
Os analistas não esperam uma retomada forte na produção de aço chinesa e baixaram a estimativa para o preço do minério de ferro de US$ 125/tonelada para US$ 115/tonelada em 2022, e de US$ 95/tonelada para US$ 90/tonelada em 2023.
O banco lembra que a Vale reduziu as projeções de crescimento dos volumes produzidos de minério de ferro e metais não ferrosos para os próximos dois anos, frustrando os investidores que apostavam na retomada das operações, mas ajudando a suportar os preços do minério em patamares elevados.
Além de questões climáticas e dificuldades em obter licenças, a Vale reforçou a sua estratégia de priorizar o valor aos volumes, afirmando que não vai produzir o que acredita que o mercado não será capaz de absorver.
Assim, para o longo prazo, o Itaú BBA vê a Vale produzindo 380 toneladas métricas de minério de ferro, abaixo da sua meta de 400 toneladas métricas por ano. Quanto à divisão de metais não ferrosos, a Vale também enfrentou questões trabalhistas e paralisações inesperadas para manutenção, lembram os analistas.
Finalmente, os analistas reconhecem que a Vale de fato tem dado retorno aos acionistas nos últimos anos, por meio do pagamento de dividendos e recompras de ações, mas eles também acreditam que o retorno do fluxo de caixa livre da companhia vai diminuir, em conjunto com uma performance mais fraca do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
"Nós esperamos que a Vale execute US$ 3,5 bilhões do seu atual programa de recompra no segundo semestre de 2022, o que deve ser o único retorno aos acionistas até o próximo pagamento de dividendos (previsto para abril de 2023)", diz o relatório.
A expectativa para 2023 é de geração de um fluxo de caixa livre de US$ 3,8 bilhões (retorno de 6%), abaixo dos US$ 8,5 bilhões (retorno de 14%) que o banco havia projetado para 2022.
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