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ALIANÇA FORTALECIDA

Uma nova ordem em construção? Por que a China aprofundou a cooperação militar com o Irã

Pacto foi anunciado hoje depois de encontro entre o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, e o general Wei Fenghe, conselheiro de Estado e ministro da Defesa da China

Xi Jinping; computadores china
Xi Jinping, presidente da China - Imagem: Wikimedia Commons

A China deu hoje mais um passo em sua busca pela construção de uma nova ordem internacional. No melhor estilo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, o gigante asiático chegou a um acordo com o Irã por meio do qual pretende aprofundar a cooperação bilateral, inclusive no âmbito militar.

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O fortalecimento das relações militares sino-iranianas envolve intercâmbio de serviços e armamentos, exercícios conjuntos e treinamento. Entretanto, os detalhes públicos do acordo são escassos.

Representantes de ambos os lados limitaram-se a acrescentar que os dois países chegaram a um consenso sobre o fortalecimento da comunicação estratégica entre os comandantes de suas forças armadas.

China consolida zona de influência

O pacto foi anunciado hoje depois de um encontro em Teerã entre o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, e o general Wei Fenghe, conselheiro de Estado e ministro da Defesa da China.

Raisi disse que o Irã se opõe ao que qualificou como unilateralismo, hegemonismo e interferência externa e afirmou apoiar firmemente a China na salvaguarda de seus interesses centrais.

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Já o general Wei qualificou China e Irã não só como países, mas como “civilizações antigas cuja amizade tradicional se fortaleceu ainda mais com o tempo”.

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A cooperação bilateral não é nova. Há anos, a China figura como principal mercado para o petróleo iraniano. Nesse sentido, a cooperação militar expõe um aprofundamento nas relações entre Pequim e Teerã ao mesmo tempo em que consolida uma parceria considerada estratégica pela China.

Muito além de um desafio aos EUA

O acordo desafia explicitamente a política norte-americana de isolamento do Irã, que há mais de quatro décadas figura como alvo de duras sanções impostas pelos Estados Unidos, mas vai além.

Não é demais lembrar que, semanas antes da invasão da Rússia pela Ucrânia, o presidente chinês, Xi Jinping, e o líder russo, Vladimir Putin, comprometeram-se em uma “aliança sem limites”.

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O que a China busca, de fato, é a consolidação de sua zona de influência dentro de uma visão que envolve a construção de uma nova ordem internacional.

Entre o fim da Segunda Guerra Mundial (1945) e o colapso da União Soviética (1991), o mundo foi dividido em dois blocos: o capitalista, liderado pelos EUA, e o comunista, com a URSS à frente.

Com o fim da Guerra Fria, a velha ordem bipolar foi substituída por uma ordem unipolar na qual os EUA consolidaram-se como potência hegemônica.

A ascensão da China

Agora, ao mesmo tempo em que a invasão da Ucrânia pela Rússia captura as atenções das potências ocidentais, a ascensão da China começa a colocar em xeque a hegemonia norte-americana.

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A atual doutrina chinesa de política externa tem como ponto central a construção de alianças regionais que conduzam a um mundo multipolar - ou seja, com múltiplos pólos de poder.

Nesse contexto, a China busca colocar sob sua esfera de influência os países mais próximos, principalmente na Ásia continental. Mas o fato é que o dragão chinês é cada vez mais presente no resto do mundo por meio das parcerias estabelecidas no âmbito das Novas Rotas da Seda.

Na especulação da maioria dos especialistas em política externa, o resultado mais provável é uma nova ordem bipolar na qual EUA e China figurem como potências hegemônicas num futuro próximo.

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