Por que a queda de 80% das ações do Magazine Luiza (MGLU3) não é oportunidade de compra, segundo a XP Investimentos
Para a corretora, não é hora de investir em ações como a do Magalu por conta do cenário macro desafiador e do aumento da concorrência

Em apenas 12 meses, as ações de Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) foram do céu ao inferno.
A mudança no humor do mercado financeiro e o desafiador cenário macroeconômico fizeram com que as empresas de e-commerce fossem de grandes vencedoras da pandemia a maiores perdedoras. Com isso, em apenas um ano as gigantes do setor acumulam queda superior a 80% – só em junho, o recuo foi de 30%, tirando Luiza Trajano da lista de bilionários da Forbes.
Os patamares baixos chamam a atenção e alguns caçadores de barganhas podem até aproveitar o momento para encher a carteira, mas os analistas da XP Investimentos não acreditam que seja hora de comprar os papéis do setor.
São quatro principais fatores que fazem a corretora não apostar no e-commerce no momento – a deterioração macroeconômica, o aumento do custo de capital, aumento de competição e mudança de foco do mercado.
Por que não comprar Magalu (MGLU3)
A guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a dificuldade da China de lidar com o coronavírus seguem pressionando a inflação, o que obriga os bancos centrais a adotarem um aperto monetário mais forte, reduzindo ainda mais o poder de compra das famílias. Esse cenário pressiona a aquisição de bens duráveis, penalizando principalmente Magazine Luiza e Via.
Com a Selic em alta, a 13,25% ao ano, o custo de capital se amplia, impactando as empresas de crescimento negativamente – e o e-commerce se enquadra nesta categoria. A nova realidade pressiona o valor das companhias, já que parte da expectativa está depositada nos fluxos de caixa mais longos.
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O crescimento de empresas estrangeiras como Amazon e Shopee também virou uma pedra no sapato das varejistas locais. “Ainda há desafios de rentabilidade por conta do aumento de competição por marketing, além de impulsionar a necessidade de investimentos em melhorar a oferta de serviços para o cliente (como frete grátis, programas de fidelidade, cashback, entre outros)”.
Com a dificuldade macroeconômica persistente, os investidores parecem estar mudando o foco de suas carteiras, optando por priorizar a lucratividade, a geração de caixa e o crescimento.
Ou seja: a inflação elevada deve continuar reduzindo as vendas, a taxa de juros em patamares mais altos prejudica o fluxo de caixa das companhias e a alta capitalização e capacidade de investimento das principais concorrentes (como Amazon e Shopee) pressionam as margens de crescimento para o setor.
A expectativa da XP Investimentos é que os balanços dos próximos trimestres sigam mostrando números fracos.
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