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Na decisão de hoje, os europeus detalham que o limite de preço do petróleo russo será revisado regularmente e deve ser “pelo menos 5% abaixo do valor médio de mercado”
Demorou, mas aconteceu. Finalmente, nesta sexta-feira (02), a União Europeia (UE) determinou um preço para o barril de petróleo vendido pela Rússia. O valor foi fixado em US$ 60 e tem tudo para despertar a fúria do presidente Vladimir Putin.
Hoje, o barril do petróleo tipo Brent — usado como referência no mercado internacional — está na casa dos US$ 85, ou seja, o teto determinado pela UE é quase 30% abaixo do preço praticado pelo mercado.
Na decisão de hoje, os europeus detalham que o limite de preço do petróleo russo será revisado regularmente para monitorar as ramificações de mercado e deve ser “pelo menos 5% abaixo do valor médio de mercado”.
A União Europeia, a Austrália e os países do G7 (o grupo formado por Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) estiveram envolvidos em intensas negociações nas últimas semanas sobre o plano sem precedentes de limitar os preços dos embarques de petróleo russo por mar.
A ideia é garantir que as sanções contra a Rússia tenham efeito sobre a capacidade de Putin de financiar a invasão da Ucrânia e não estrangulem o mercado mundial de petróleo — vale lembrar que a disparada do petróleo vem alimentando a inflação de todo o mundo.
O plano inicial era adotar uma taxa flutuante. Mas a coalizão temia que um preço flutuante estabelecido abaixo da referência internacional para o Brent permitiria ao presidente russo burlar o mecanismo reduzindo a oferta.
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Putin poderia se beneficiar de um sistema de preços flutuantes porque se os preços do Brent disparassem devido a uma queda no petróleo da Rússia, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, Moscou se beneficiaria indiretamente.
A desvantagem do sistema de preço fixo é que exige mais reuniões de coalizão e burocracia para revisá-lo regularmente.
Analistas de energia alertam que o G7 precisará do apoio de outros grandes compradores para que esse limite de US$ 60 fixado hoje seja efetivo.
A China e a Índia, por exemplo, aumentaram as compras de petróleo russo após a invasão da Ucrânia para se beneficiar das tarifas com desconto oferecidas por Moscou.
Até o momento, parece haver pouco apetite dessas nações para cumprir o limite. O ministro do petróleo da Índia, Shri Hardeep S Puri, disse à CNBC em setembro que tem um “dever moral” para com os consumidores de seu país.
“Vamos comprar petróleo da Rússia, vamos comprar de qualquer lugar”, afirmou Puri na ocasião.
O anúncio formal do teto de preço fixado hoje pela UE em US$ 60 o barril deve ser formalizado no domingo (04) e pode despertar a fúria de Putin — o presidente russo vem usando a energia como elemento de pressão para forçar os norte-americanos e seus aliados a suspenderam as sanções impostas contra Moscou.
Antes que o limite fosse estabelecido, a Rússia já havia alertado que um teto para o preço do petróleo poderia causar estragos nos mercados de energia e aumentar ainda mais os preços das commodities.
Na semana passada, Putin chegou a falar de consequências graves se as potências ocidentais formalizarem o teto de preços para o petróleo russo.
“Tais ações contradizem os princípios que regem as relações de mercado e muito provavelmente terão graves consequências para o mercado global de energia”, disse Putin.
*Com informações da CNBC
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