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O Partido Republicano realmente se posiciona para reassumir a maioria na Câmara, porém, com uma margem menor que a esperada, o que pode forçar Trump a readequar seus planos para 2024
As projeções anteriores às eleições de meio de mandato nos EUA apontavam para a possibilidade de o Congresso norte-americano ser tomado por uma onda conservadora que inviabilizaria os últimos dois anos do mandato do presidente Joe Biden.
A apuração, no entanto, mostra uma situação bem diferente. O Partido Republicano realmente se posiciona para reassumir a maioria na Câmara dos Representantes. Mas por uma margem menor que a esperada e com vários nomes que não integram as alas mais radicais.
No Senado, onde também especulava-se a possibilidade de a maioria também trocar de mãos, os democratas não apenas mantiveram as cadeiras em disputa como conseguiram virar uma das vagas em jogo na Pensilvânia.
Além disso, a disputa por uma das cadeiras em jogo na Geórgia está tão acirrada que provavelmente será decidida em segundo turno em dezembro. Deve ser o suficiente para manter o controle do Senado em aberto pelas próximas semanas.
Cenário parecido pode ser observado nas eleições aos governos estaduais. Os democratas mantiveram todos os Estados onde já governavam e ainda conseguiram tomar dos republicanos os governos de Maryland e Massachusetts.
De qualquer modo, surpresas ou mudanças repentinas de cenário não podem ser descartadas. Na maior parte dos EUA, a contagem dos votos é manual. Em casos de disputa muito acirrada, a recontagem dos votos pode ser necessária.
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Ron DeSantis pelo lado republicano e Josh Shapiro pelos democratas são possivelmente os maiores vencedores das eleições estaduais norte-americanas.
DeSantis conquistou uma vitória arrasadora na Flórida, vencendo inclusive em distritos tradicionalmente democratas, especialmente entre o eleitorado latino.
A ampla margem obtida em um dos Estados mais importantes nas mãos do Partido Republicano qualifica DeSantis a se impor como um obstáculo interno ao até então crescente poder de Donald Trump sobre a legenda.
Shapiro, por sua vez, venceu a corrida contra o republicano Doug Mastiano para o governo da Pensilvânia, um dos mais relevantes estados em disputa na noite de ontem.
O articulado procurador-geral do Estado confrontou o republicano Doug Mastriano, uma espécie de negacionista da derrota de Trump nas eleições de 2020, e agora emerge como um promissor quadro nacional para os democratas.
Na cultura norte-americana de winners and losers, ser visto no lado perdedor é o primeiro passo para a ruína.
E o grande perdedor da noite é uma pessoa conhecida por posar como vencedor inclusive quando perde. Trata-se de Donald Trump. Além de ter visto seus candidatos mais importantes derrotados, o ex-presidente dos EUA assistiu ao fortalecimento de potenciais opositores dentro do Partido Republicano.
Trump, que deve anunciar sua candidatura à presidência na próxima semana, esperava fortalecer sua posição como favorito para a indicação republicana à Casa Branca com vitórias de candidatos que ele endossou, mas os resultados nas disputas mais competitivas foram decididamente mistos.
Na Pensilvânia, o democrata John Fetterman derrotou o republicano Mehmet Oz na disputa por uma cadeira no Senado. No Arizona, Kari Lake e Blake Masters, que seguiram a cartilha de Trump, ficaram atrás dos democratas, embora em Ohio o republicano JD Vance tenha conseguido uma vitória no Senado.
As disputas acirradas por candidatos endossados por Trump perturbaram o ex-presidente, cujos únicos comentários formais vieram no início da noite.
Em uma indicação de desconforto, Trump simplesmente disse que tinha sido uma “noite interessante”. Ele, no entanto, ficou em silêncio sobre a reeleição arrebatadora de DeSantis — seu potencial rival presidencial de 2024 — ao governo da Flórida.
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