Via aprofunda queda anual com recuo de 5% após balanço ‘misto’ para os analistas; é hora de vender VIIA3?
As ações da dona das Casas Bahia e do Ponto Frio já despencavam mais de 68% no último ano antes mesmo de divulgar os resultados do quarto trimestre

A Via (VIIA3) descobriu nesta quinta-feira (10) que, mesmo que a situação atual já esteja ruim, ela sempre pode ficar pior. Ainda mais com a ajuda de um balanço que mostra prejuízo em uma das principais linhas: a do resultado acumulado no ano passado.
As ações da dona das Casas Bahia e do Ponto Frio já despencavam mais de 68% no último ano antes mesmo de divulgar os resultados do quarto trimestre. Agora, com investidores cientes de que o lucro líquido caiu 91,4% no período e a companhia encerrou 2021 com prejuízo de R$ 297 milhões, os papéis afundam ainda mais.
Depois de recuarem 5%, as ações da Via encerraram o dia com queda menor, de 4,11%, cotadas a R$ 3,27, e figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa.
Bater o prego no caixão ou interromper o funeral da Via (VIIA3)?
Com essa reação negativa das ações, já podemos dizer que é hora de bater os pregos e fechar o caixão da Via na B3? Não segundo os analistas.
Apesar de considerarem os resultados fracos ou, no máximo, mistos, Bradesco, Credit Suisse, Genial Investimentos, Santander e XP ainda enxergam alguns pontos positivos no balanço da empresa.
Um deles é o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, da sigla em inglês) ajustado, que superou as expectativas ao subir 17,6% entre outubro e dezembro, na comparação anual, chegando a R$ 641 milhões.
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A margem Ebitda de 7,9%, alta de 2,1 pontos percentuais na mesma base de comparação, também impressiona. Mas, conforme destaca o Credit Suisse, o crescimento só foi possível graças à redução de R$ 618 milhões nas despesas administrativas e gerais (SG&A, na sigla em inglês).
O lucro líquido de R$ 29 milhões, que veio acima das expectativas da XP, também contou com um benefício tributário não recorrente para impulsionar a performance.
“Em meio a tubarões e em um cenário inflacionário, a companhia conseguirá gerir com eficiência a sua monetização de crédito tributário e ainda ganhar espaço frente a players altamente captados?”, questiona a Genial.
Vendas online são as estrelas do trimestre
Será que todos os destaques positivos do balanço da Via têm uma “pegadinha” por trás? Se você se perguntou isso, saiba que a resposta é não: quando se trata das vendas digitais, a performance foi realmente sólida e, para a Genial, o segmento é “a grande estrela do trimestre”.
As vendas brutas pela internet cresceram 38,9% no ano, para R$ 26,4 bilhões. A cifra representa 59% do Volume Bruto de Mercadorias (GMV, na sigla em inglês) da Via em 2021. Já o GMV das lojas físicas caiu 2,3% no período, para R$ 21,4 bilhões.
Ainda assim, os analistas do Bradesco apontam que, embora o marketplace tenha tido um bom desempenho no ano, o futuro é incerto. “A diversificação de categorias ainda é muito mais limitada do que em Meli (MELI34) e Americanas (AMER3)”, diz relatório divulgado hoje.
Hora de vender VIIA3?
Depois de ver que até os pontos fortes da Via no trimestre não foram tão fortes assim, o acionista pode acabar certo da incompetência da empresa e questionar se não é hora de zerar sua posição em VIIA3.
Mas é importante destacar que ainda não há consenso dos analistas sobre vender ou não as ações. As avaliações compiladas pela plataforma Trademap mostram que, atualmente, há quatro recomendações de venda, contra nove de manutenção e até uma de compra para a empresa.
Entre algumas das corretoras e bancos que aparecem nesta matéria, a indicação neutra também predomina. Bradesco e Santander assumem essa posição, com preços-alvo de R$ 5,00 e R$ 5,80, respectivamente.
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