Vai piorar antes de melhorar: os recados do CEO do Bradesco após o tombo no lucro do terceiro trimestre
Lucro do Bradesco deve continuar pressionado nos próximos trimestres e inadimplência ainda não atingiu o pico, segundo Octavio de Lazari

Se o balanço do Bradesco (BBDC4) do terceiro trimestre surpreendeu os analistas negativamente, é recomendável que eles recalibrem as expectativas para as próximas publicações de resultados do banco. Isto porque o futuro que se avizinha deve ser um pouco pior que o presente.
Durante coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (9), o CEO do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, deixou claro que as coisas vão piorar antes de melhorar.
“Entramos num novo ciclo de aumento de provisões que deve continuar ao longo de 2023 em razão do crédito já concedido na área de massificado”, afirmou o executivo.
Vale ressaltar que as provisões para devedores duvidosos (PDD) foram um dos principais detratores do resultado do Bradesco entre julho e setembro deste ano. Os gastos para engordar o colchão contra perdas chegaram a R$ 7,267 bilhões, uma alta de 36,8% em relação ao período encerrado em junho e de 116,4% na comparação com o terceiro trimestre de 2021.
Assim, o lucro líquido recorrente do Bradesco no terceiro trimestre levou um tombo de 22,8% em relação ao mesmo período do ano passado, somando R$ 5,2 bilhões. As projeções do mercado — que já não eram muito otimistas —indicavam que a linha viria muito acima disso, em R$ 6,7 bilhões.
E, de acordo com Lazari, o lucro deve continuar pressionado por mais alguns trimestres, com perspectiva de melhora só a partir da segunda metade de 2023.
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Inadimplência ainda não atingiu o pico
Outro indicador importante da saúde do banco, a inadimplência, mostrou nova deterioração no trimestre, chegando a 3,9% ao final de setembro. No segundo trimestre, o índice estava em 3,5% e no terceiro trimestre de 2021 em 2,6%.
E, na visão de Lazari, o índice deve subir um pouco mais. Ele prevê que o pico da inadimplência deve acontecer entre o primeiro e o segundo trimestres de 2023. Ou seja, há espaço para piorar.
Novo governo
Durante a coletiva, Lazari também foi questionado sobre o governo eleito, principalmente sobre o fiscal, uma vez que a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um pacote para aumentar os gastos e cumprir promessas de campanha, como Bolsa Família de R$ 600.
Lazari deu voto de confiança à nova equipe econômica e disse que ela é sensível aos problemas relacionados ao fiscal.
“Não vejo muita preocupação, principalmente se tiver uma surpresa positiva quanto ao crescimento da economia”, afirmou.
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