Por que as ações da Tenda (TEND3) derretem após o balanço do quarto trimestre e afundam outras construtoras da B3
Classificados como “fracos”, “muito negativos” e “para esquecer” pelos analistas, os números jogaram um balde de água fria sobre as ações

Alguém anotou a placa do caminhão que atropelou as incorporadoras nesta sexta-feira (11)? A velocidade dificultou a leitura das letras e números, mas testemunhas ouvidas pelo Seu Dinheiro apontam que eles formavam a sigla TEND3, ticker da Tenda na B3.
E por trás do volante do veículo desgovernado e causando todo o estrago, ainda segundo as investigações, estava o balanço da empresa, divulgado na noite de quinta-feira (11).
Classificados como “fracos”, “muito negativos” e “para esquecer” pelos analistas, os números do quarto trimestre jogaram um balde de água fria sobre as ações. Por volta das 14h40, a Tenda desabava 24,82%, a R$ 9,21.
O impacto não está restrito apenas à Tenda. Outras construtoras sofrem os efeitos colaterais, que são especialmente duros para aquelas que também focam nos segmentos de baixa e média renda. Veja abaixo as cotações das principais empresas do setor:
- Cury (CURY3): R$ 6,49 (-6,35%);
- Cyrela (CYRE3): R$ 14,24 (-2,60%);
- Direcional (DIRR3): R$ 10,91 (-7,31%);
- Even (EVEN3): R$ 5,46 (-2,85%);
- Eztec (EZTC3): R$ 16,33 (-4,39%);
- Lavvi (LAVV3): R$ 4,84 (-3,78%);
- Melnick (MELK3): R$ 3,69 (-3,91%);
- MRV (MRVE3): R$ 10,57 (-10,88%);
Os números por trás da queda da Tenda (TEND3)
A chegada do balanço marca uma virada para a Tenda. Quando saíram as prévias operacionais das incorporadoras, em janeiro, a companhia era apontada como uma das favoritas do setor, com oito recomendações de compra.
Seus esforços para manter as margens em meio à alta nos insumos da construção civil e o aperto na taxa básica de juros brasileira — que encarece os financiamentos imobiliários, um dos pilares do mercado — eram elogiados.
Leia Também
Agora, com a divulgação dos números do quarto trimestre, investidores e analistas verificaram que os esforços não foram suficientes para vencer os implacáveis cenários macro e microeconômico.
Cresceram em R$ 350 milhões os custos de produção e também foram gastos R$ 169 milhões com despesas operacionais, alta de 42,7% na comparação com o quarto trimestre do ano anterior.
Conforme destaca a Genial Investimentos, o modelo de negócios da empresa dificultou o repasse aos consumidores: “A companhia, por atuar no grupo dois do Programa Casa Verde e Amarela, não tem muita liberdade para aumentar o preço, impactando suas margens”.
Com isso, a receita líquida ficou em R$ 517,2 milhões entre outubro e dezembro, queda de 24,6% na mesma base de comparação. A Tenda também terminou o ano com prejuízo líquido de R$ 191,5 milhões em 2021, revertendo o lucro de R$ 200,3 milhões registrado em 2020.
Margens cada vez mais apertadas
Os analistas destacam ainda que a alta de R$ 350 milhões nos custos de produção levou a margem bruta ajustada a recuar 42,5 pontos percentuais no trimestre, para -11%.
Para quem está se perguntando quais despesas exigiram esse crescimento, os analistas do BTG detalham o destino de cada centavo:
- R$ 73 milhões foram gastos com a maior inflação já incluída em seus projetos;
- R$ 89 milhões cobriram as expectativas de inflação mais alta no futuro;
- R$ 85 milhões foram para custos relacionados a reajustes de orçamento na infraestrutura de projetos;
- e R$ 126 milhões foram despendidos devido à queda na produtividade em seus canteiros de obras, afetados pela pandemia de covid-19.
No ano, a margem bruta ajustada também recuou 13 p.p., para 19,2%. “Mesmo após duas revisões de guidance ao longo de 2021, ela ficou longe de ser atingida, muito distante da expectativa revisada de 26-28% e mais distante ainda do ponto de eficiência operacional de 32-34%”, indica a Genial.
A corretora mantém a recomendação neutra para TEND3, com preço-alvo de R$ 17 por ação. Já o BTG Pactual recomenda compra e preço-alvo de R$ 40, mas já avisou que revisará os números em breve.
A queda da Tenda (TEND3) iniciou um efeito dominó na bolsa?
Agora que você já sabe por que o mercado não está contente com a Tenda (TEND3), é hora de conferir como os números ruins da construtora afetam outras empresas do setor.
Até mesmo aquelas que ainda não divulgaram os balanços do quarto trimestre sofrem hoje. Esse é o caso da MRV, por exemplo, que lidera as perdas do Ibovespa.
Não há resposta definitiva para essa questão, pois o mercado de renda variável reflete uma série de fatores que, muitas vezes, não são apenas quantitativos.
Mas há indícios que ajudam a construir uma resposta. Por trabalharem com públicos e condições similares aos da Tenda, outras construtoras do segmento podem apresentar resultados parecidos.
E, para piorar as perspectivas, o contexto econômico que eleva a inflação, a taxa básica de juros e encarece os materiais da construção civil não deve mudar tão cedo.
“Para 2022, não vemos a situação dos preços dos insumos de construção de forma positiva, principalmente com o início da guerra na Ucrânia, que tende a aumentar os preços por tempo ainda difícil de se prever”, alerta a Genial.
Antes de ir, saiba se a afirmação é verdadeira: quanto mais cedo declarar o IR, melhor? Assista o vídeo abaixo sobre a restituição do Imposto de Renda 2022 e inscreva-se no canal do Seu Dinheiro no Youtube para mais conteúdos exclusivos:
MAIS INCERTEZA COM 'ONDA AZUL'
A guerra no Irã vai acabar? O que as eleições nos EUA podem mudar no preço do petróleo
5 de novembro de 2026 - 19:37DA FESTA AO ENTERRO
‘Onda azul’ na urna, ‘onda vermelha’ na bolsa: o fantasma que derrubou Wall Street após a vitória democrata
5 de novembro de 2026 - 19:09PROMOÇÃO?
Fundos imobiliários vivem maior desconto da história. Pechincha ou armadilha?
5 de novembro de 2026 - 18:01AÇÃO DO MÊS
É hora de ser defensivo: veja a ação mais recomendada para proteger a sua carteira no pós-eleição
5 de novembro de 2026 - 11:57REFORÇO NO CAIXA
Fundo imobiliário pode embolsar R$ 160 milhões com venda de fatias de shoppings; veja ganho por cota
5 de novembro de 2026 - 9:15REAÇÃO AO RESULTADO
Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26
4 de novembro de 2026 - 16:23VIRADA HISTÓRICA
‘Onda azul’ faz Wall Street disparar, mas vitória democrata pode trazer nova dor de cabeça para Trump
4 de novembro de 2026 - 14:01VISÃO DO GESTOR
O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
4 de novembro de 2026 - 13:15CHAVES NA MÃO
Fundo imobiliário BTLG11 embolsa R$ 56 milhões com venda de fatia de galpão; veja lucro por cota e detalhes da operação
4 de novembro de 2026 - 9:56BOLSA SOB PRESSÃO
Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
3 de novembro de 2026 - 14:02SD ENTREVISTA
Dólar dispara, bolsa cai e Itaú muda a estratégia: chefe de recomendações do banco diz onde investir após as eleições
3 de novembro de 2026 - 13:29REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM
Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
3 de novembro de 2026 - 12:49EX-PACMAN DOS FIIS?
Após onda de compras, ‘Pacman dos FIIs’ coloca imóveis à venda por R$ 530 milhões; veja lucro por cota
3 de novembro de 2026 - 9:39FIM DA GUERRA?
Petróleo fecha em queda de mais de 7% com expectativa de acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
2 de novembro de 2026 - 16:19TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?