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No fim de novembro, a empresa e duas de suas controladoras haviam entrado com o pedido de recuperação judicial em caráter de urgência, listando R$ 450 milhões em dívidas

A Paranapanema (PMAM3) deu o primeiro passo para colocar a casa em ordem. A produtora brasileira não-integrada de cobre refinado, vergalhões, fios trefilados, laminados, barras, tubos, conexões e ligas recebeu luz verde da justiça para o seu pedido de recuperação judicial.
No fim do mês passado, a Paranapanema, junto com duas de suas controladas — Centro de Distribuição de Produtos de Cobre (CDPC) e Paraibuna Agropecuária — entraram com o pedido de recuperação judicial, em caráter de urgência, listando R$ 450 milhões em dívidas.
Na ocasião, a empresa disse que a ideia é “restabelecer seu equilíbrio econômico financeiro e honrar os compromissos assumidos com seus diversos acionistas e, em um futuro próximo, retomar seu crescimento, dentro das reais possibilidades operacionais e financeiras da companhia”.
Para isso, a Paranapanema bem como as suas controladas terão um período de 180 dias nos quais ações, execuções e prazos prescricionais — observados os limites legais — serão suspensos.
A Paranapanema será obrigada a prestar contas até o dia 30 de cada mês e também deverá apresentar em até 60 dias um plano para a recuperação judicial.
Além disso, o Juízo da 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da 1ª RAJ da cidade de São Paulo aceitou a nomeação da Laspro Consultoria — representada por Oreste Nestor de Souza Laspro — para atuar como administrador judicial.
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A Paranapanema, que tem a Caixa Econômica Federal e a operadora global de commodities Glencore como acionistas, fechou o terceiro trimestre com um prejuízo líquido de R$ 317 milhões, registrou uma queda de 61% em sua receita e atingiu um patrimônio líquido negativo de inacreditáveis R$ 1,621 bilhão.
Nos últimos anos, a companhia já vinha realizando acordos com credores e atribuiu, em documento judicial, sua situação às crises econômicas de 2015 e 2016 e à pandemia de covid-19, além de uma parada operacional em unidade na Bahia por problemas de gasoduto mais cedo neste ano.
No dia seguinte ao pedido de recuperação judicial, as ações da Paranapanema perderam quase um quarto de seu valor.
Na ocasião, a ação despencou 21,94%, fechando o dia 1 de dezembro a R$ 4,66. Naquele mesmo dia, o papel chegou a atingir mínima na ocasião de R$ 4,44 — a menor cotação em cerca de 30 anos naquela ocasião, segundo dados da Refinitiv.
As ações PMAM3 são listadas desde 1971, mas têm pouca liquidez na bolsa. Nesta quarta-feira, os papéis recuam 12,02%, cotados a R$ 3,88. No mês acumulam queda de 36% e no ano, de 61,5%.
A Caixa e a Glencore não são as únicas acionistas famosas da Paranapanema. O megainvestidor Luiz Barsi também faz parte do quadro acionário da empresa.
Na ocasião do pedido da recuperação judicial, ele chegou a dizer que o processo era uma recomendação antiga.
Durante uma live para o canal do YouTube “Ações Garantem Futuro (AGF)”, Barsi reconheceu que a recuperação judicial era “o que faltava para o barco não afundar” e considerou que o processo “não é um bicho de sete cabeças, como muita gente pensa”.
O megainvestidor disse ainda que tinha uma visão positiva sobre a questão da Paranapanema ter recorrido à recuperação judicial porque, segundo ele, é uma forma de a empresa preservar a integridade operacional, ao mesmo tempo em que se constitui em uma oportunidade de voltar a gerar resultados.
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