Estratégia de salvação do IRB Brasil (IRBR3) funciona e empresa se livra de rebaixamento da S&P
Na avaliação da agência de risco, oferta de ações e venda de ativos feitas pelo IRB Brasil (IRBR3) são suficientes para preservar o rating atual

Ainda que polêmicas, as estratégias que o IRB Brasil (IRBR3) vem traçando para sair do sufoco estão funcionando. Nesta sexta-feira (16), a companhia informou que a agência de classificação de risco S&P retirou seu nome da lista para eventual rebaixamento.
Além disso, a S&P também reafirmou o rating "brAAA" — o mais alto em escala nacional — do IRB, mas com perspectiva negativa.
Na avaliação da agência, a recente emissão de R$ 1,2 bilhão e a venda de ativos, como a própria sede do IRB no Rio de Janeiro, são suficientes para preservar o rating da companhia — por enquanto.
O rating de uma empresa funciona de maneira semelhante às classificações de crédito da pessoa física, avaliando o risco de crédito da companhia e as emissões de dívidas feitas por ela, além de outros aspectos financeiros. Uma das preocupações do IRB era justamente perder sua boa nota, o que indicaria incapacidade de lidar com suas obrigações financeiras.
Como o IRB Brasil (IRBR3) conseguiu contornar a situação
No fim de agosto, o IRB anunciou que faria uma oferta primária de ações, limitada a investidores profissionais, que abalou o mercado graças ao seu valor baixo.
Cada nova ação IRBR3 saiu por R$ 1,00, um desconto de 50,25% em relação ao fechamento da sessão anterior ao anúncio (R$ 2,01).
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Para captar o volume de R$ 1,2 bilhão pretendido, o IRB se dispôs a aumentar em até 200% o número de ações emitidas. Ou seja, no limite a empresa estava disposta a vender suas ações por R$ 0,67, um deságio de 70% em relação às cotações da bolsa na ocasião do anúncio da operação.
No final, o IRB emitiu 1,2 bilhão de ações na oferta, o equivalente ao lote principal de 597.014.925 papéis e mais 602.985.075 dos lotes extras. Um acréscimo de 101%.
A grande preocupação da empresa em levantar essa grana toda era adequar os indicadores regulatórios às normas da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A companhia ficou abaixo do limite de capital necessário para operar e tinha até outubro para regularizar a situação.
A perda da licença poderia obrigar a empresa a paralisar suas operações.
Também no fim de agosto, o IRB ainda divulgou a venda de sua própria sede no Rio de Janeiro com a intenção de levantar mais recursos.
Mas não se trata de qualquer local: o endereço localizado no centro da capital fluminense é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o projeto original de paisagismo é de Roberto Burle Marx, com painéis em mosaico de Paulo Werneck.
Ele foi vendido por R$ 85,3 milhões ao Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro (Sebrae/RJ).
Para BTG, oferta de ações e queda dos papéis podem ajudar
Em relatório divulgado na semana passada, os analistas dos BTG Pactual afirmam que o dinheiro novo que entrou no caixa do IRB era fundamental para a companhia.
“Não vemos nenhuma resseguradora capaz de ocupar o lugar do IRB à frente da indústria brasileira, e o capital novo e a Selic mais alta devem ajudar a companhia a voltar a ser lucrativa”, escreveram os analistas, em relatório.
A equipe reiterou sua recomendação neutra para IRBR3, com preço-alvo de R$ 1,30. Ou seja, praticamente sem potencial de valorização.
No pregão de hoje, as ações do IRB reagem positivamente ao anúncio feito mais cedo. Às 10h22, o papel subia 2,54%, cotado a R$ 1,21. Porém, no ano, a baixa é de 69,65%.

De acordo com informações compiladas pela plataforma TradeMap, das oito recomendações para o ativo, cinco são de manutenção e três são de venda.
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