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Com a segunda maior oferta de ações do mundo em 2022, a Eletrobras (ELET3) não contou com um discurso do presidente Jair Bolsonaro na cerimônia da B3
O tradicional toque da campainha da B3 costuma ser o ápice das ofertas de ações da bolsa brasileira, mas apesar da pompa e da presença de inúmeras autoridades do governo de Jair Bolsonaro, a Eletrobras (ELET3) teve uma celebração com clima de fim de festa.
O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, o CEO da Eletrobras, Rodrigo Limp, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Gustavo Montezano, o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ao lado do atual chefe da pasta, Adolfo Sachsida, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, foram os escalados para discursar na cerimônia.
Embora estivesse sentado na primeira fila e as autoridades se dirigissem diretamente a ele, o presidente Jair Bolsonaro não se manifestou e marcou a maior privatização do seu governo apenas com o apertar da campainha – junto com a horda de autoridades que o acompanhavam.
Um pouco mais cedo, Bolsonaro havia participado da abertura do 5° Fórum de Investimentos Brasil 2022, onde discursou para um grupo de empresários e disse que “não leva jeito” para ser presidente.
E olha que o mercado ajudou a criar um clima melhor para o evento da Eletrobras. As ações da agora ex-estatal lideram as altas do Ibovespa nesta terça-feira, em mais um dia de queda do principal índice da B3.
O anticlímax não parou por aí. A imprensa não teve acesso direto aos executivos e políticos presentes no evento. Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram confinados numa sala no primeiro andar da B3, instruídos a não deixar o local. O evento foi transmitido por um telão.
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Do lado de fora, a área no entorno da B3 foi isolada por barras de metal. Na praça Antônio Prado, a alguns metros da B3, alguns grupos protestavam contra a privatização da Eletrobras e o presidente Jair Bolsonaro.
A oferta, que movimentou mais de R$ 33 bilhões, ainda tem mais alguns passos a seguir até que esteja oficialmente encerrada, mas essa talvez tenha sido a última chance pública de celebrar o feito.
Enquanto a maior parte dos convidados optou por exaltar os feitos do ex-CEO da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior (ausente na cerimônia), e relembrar os esforços para a realização da oferta de privatização, o ministro Paulo Guedes destacou que a companhia agora tem “liberdade para voar”.

Em sua fala, Guedes relembrou que a Eletrobras, como empresa estatal, havia esgotado a sua capacidade de investimentos, desfazendo "o legado dos militares que fizeram a gestão do ponto de vista da estrutura".
Na visão do ministro da Economia, a reconstituição da capacidade de investimento da companhia deve acelerar a transição energética, com o Brasil capaz de construir grandes fazendas eólicas.
"É a garantia da segurança energética do País nessa nova dimensão que é a dimensão renovável. Vai fazer uma fazenda eólica a 25 km da costa marítima. A Eletrobras vai ser uma gigante como ela sempre foi”, destacou o ministro.
Uma das chaves do sucesso da oferta e do grande interesse do público geral pelas ações da Eletrobras, a participação de milhares de trabalhadores na operação por meio do investimento de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) foi apenas coadjuvante na cerimônia e citada em poucos discursos.
O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, ressaltou que a possibilidade de utilizar o FGTS para a compra de ações vai ao encontro do objetivo da B3 de aproximar o mercado de capitais do dia a dia dos brasileiros.
Os ministros Paulo Guedes e Adolfo Sachsida enalteceram a atuação da Caixa Econômica Federal na sistematização da operação, ampliando o alcance da oferta e tornando-a mais democrática.
Após a cerimônia, Bolsonaro e todos os ministros presentes foram embora, deixando nas mãos do presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp, a responsabilidade pela coletiva de imprensa.
Neste segundo ato, estiveram presentes, além de Limp, Marisete Pereira, secretária executiva do Ministério de Minas e Energia, Fábio Abrahão, diretor de concessões e privatizações do BNDES, Bruno Westin, secretário do programa de parcerias de investimentos do Ministério da Economia, e Diogo Mac Cord, Secretário Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, do Ministério da Economia.
Um dos esclarecimentos pedidos pelos jornalistas foi sobre os próximos passos da Eletrobras. A promessa da redução no preço da energia elétrica foi feita com base no depósito de R$ 5 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que aliviaria a alíquota do consumidor.
“Os recursos aportados na CDE, isso deve ocorrer até o final do mês de julho. O Ministério de Minas e Energia já mandou o expediente para a Aneel, de modo que ela já possa considerar esse aporte de R$ 5 bilhões”, afirmou Marisete Pereira na coletiva.
Na última quinta-feira (09), a elétrica concluiu sua oferta pública de ações que tinha como objetivo diluir a participação da União, resultando na privatização da companhia.
A Eletrobras emitiu 627.675.340 novas ações e ADS na sua oferta primária e exerceu o lote suplementar de 104.621.528 papéis, a um preço por ação ordinária (ELET3) estabelecido em R$ 42.
Com isso, R$ 30,8 bilhões irão para os cofres da companhia, e a participação da União no capital votante cai de 72% para 40,3%. A oferta movimentou R$ 33 bilhões no total.
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