Mais uma prisão? Justiça da França também quer prender Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault e Nissan; entenda a situação
Os promotores franceses ainda emitiram mandados contra quatro pessoas ligadas a uma concessionária através da qual Ghosn teria desviado dinheiro da Renault

Não é brincadeira de criança, mas Carlos Ghosn, o antigo CEO da Renault e da Nissan, poderia muito bem fazer um "uni-duni-tê" para escolher qual país ele prefere ser preso. Afinal, depois do Japão, agora a França está atrás do executivo. A justiça francesa emitiu nesta sexta-feira (22) um mandado de prisão internacional para prender o antigo presidente das montadoras.
O executivo afirmou estar "surpreso" com o mandado. "Isso é uma surpresa. Ghosn sempre cooperou com as autoridades da França", disse o porta-voz do ex-CEO ao Wall Street Journal.
Mandado de prisão contra Carlos Ghosn
Ao todo, foram emitidos cinco mandados, um para Ghosn e os demais para outras quatro pessoas que estariam ligadas a uma concessionária de automóveis em Omã, na Península Arábica.
Os promotores franceses alegaram que os atuais donos ou antigos diretores da empresa Suhail Bahwan Automobiles, de Omã, teriam ajudado Ghosn a desviar milhões de euros da Renault através da concessionária.
Eles alegam que Ghosn movimentou milhões de dólares de fundos da Renault por meio da distribuidora de carros pra seu uso pessoal, inclusive a compra de um iate.
O passado de Ghosn no Japão
Ghosn fugiu de um julgamento por supostas violações financeiras no Japão e foi ao Líbano escondido numa caixa de equipamento musical. Depois de escapar, ele inicialmente saudou a investigação francesa, dizendo que acreditava no sistema de justiça francês, que lhe permitiria provar sua inocência.
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Uma porta-voz de Ghosn não quis falar sobre os mandados de prisão. O mandado de prisão mais recente não muda fundamentalmente a situação pessoal de Ghosn. Após fugir do Japão, ele continua no Líbano, onde vive como fugitivo internacional numa casa comprada pela montadora japonesa. O Líbano não extradita seus cidadãos, e Ghosn tem cidadania no país, na França e no Brasil.
Pessoas próximas a Ghosn não descartam sua ida à França para enfrentar julgamento um dia, embora digam que isso é dificultado pelo fato de o Líbano atualmente ter seus passaportes. Isso também pode significar estar longe da sua esposa por um período prolongado.
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