Bradesco (BBDC4) tem lucro recorde de R$ 26,2 bilhões em 2021 e anuncia bonificação aos acionistas
No quarto trimestre, porém, o resultado do Bradesco apresentou uma queda de 2,8% e ficou abaixo do esperado pelos analistas

Um ano após a crise da covid-19 levar a uma rara queda nos resultados, o Bradesco (BBDC4) deu a volta por cima com um lucro líquido recorrente recorde de R$ 26,2 bilhões em 2021. O número representa um aumento de 34,7% em relação ao ano anterior.
No quarto trimestre, porém, o resultado do Bradesco apresentou uma queda de 2,8% na comparação com os últimos três meses de 2020, para R$ 6,613 bilhões.
O lucro do quarto trimestre ficou abaixo das projeções do mercado, que apontava para R$ 6,825 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg.
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A queda no lucro também afetou a rentabilidade do banco, que caiu para 17,5% no quarto trimestre, abaixo do Santander Brasil, que manteve o patamar de 20%.
Apesar do desempenho mais fraco no trimestre, em 2021, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE, em inglês) do Bradesco subiu de 14,8% para 18,1%.
Lucro contábil menor
Também chama a atenção no balanço do Bradesco do quarto trimestre a diferença entre o lucro recorrente — que desconsidera efeitos que não vão se repetir em resultados seguintes, e o contábil, que foi de "apenas" R$ 3,170 bilhões.
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A diferença de R$ 3,4 bilhões é explicada, entre outros fatores, pela realização/reclassificação de instrumentos financeiros, que consumiu R$ 1,9 bilhão no quarto trimestre, e o banco classificou como não recorrente.
Bradesco acelera no crédito
O desempenho carteira de crédito aparece como um dos destaques positivo do balanço. O saldo das operações de crédito do Bradesco atingiu R$ 813 bilhões em dezembro, um aumento anual de 18,3%.
Para este ano, o banco pretende manter o pé no acelerador e projeta uma expansão de 10% a 14% no crédito.
“O balanço foi sólido e mostra nossa força comercial, especialmente nos canais digitais, que são cada vez mais preponderantes no balanço”, afirmou o presidente executivo do Bradesco, Octavio de Lazari Jr. “A economia se recuperou com o arrefecimento da pandemia e pudemos atuar com uma nova perspectiva de negócios.”
O índice de inadimplência permanece sob controle, mas subindo. O percentual de atrasos acima de 90 dias na carteira do banco encerrou o ano em 2,8%, alta de 0,2 ponto percentual no trimestre e de 0,6 ponto em 12 meses.
Apesar do avanço no crédito, a margem financeira do Bradesco apresentou uma evolução pequena, de apenas 1,3% em 2021. O culpado foi o resultado da tesouraria do banco, que apresentou queda de 23,1% no ano passado.
Por outro lado, as despesas do Bradesco com provisões para perdas no crédito caíram 41,6% e contribuíram para a alta do lucro de 2021.
Tarifas e despesas
Em meio à competição com as fintechs — as novas empresas de tecnologia que atuam no ramo financeiro — e inovações com o PIX, o Bradesco segue com dificuldades em recompor as receitas com tarifas, que aumentaram 4,1% no ano passado.
O resultado, contudo, ficou dentro do projetado pelo banco. Para 2022, o Bradesco espera um crescimento de 2% a 6% nas receitas com prestação de serviços.
Do lado das despesas operacionais e com pessoal, houve um aumento de 1,1% em 2021, bem abaixo da inflação do período. Ainda assim, os custos tiveram um desempenho pior que o esperado pelo Bradesco, que projetava uma redução de 1% a 5% em 2021.
[captacao]
Bradesco anuncia bonificação em ações e dividendos
Junto com o balanço, o Bradesco anunciou um aumento de capital de R$ 4 bilhões com o uso das reservas de lucros e uma bonificação em ações. Desta forma, os acionistas receberão uma 1 nova ação do banco para cada dez que possuírem. A data para a bonificação será definida após a homologação do processo pelo Banco Central.
O Bradesco também decidiu manter o pagamento de juros sobre o capital próprio mensais no valor líquido de aproximadamente R$ 0,014662352 por ação ordinária (BBDC3) e R$ 0,016128588 por preferencial (BBDC4)
Isso significa que, após a bonificação, os dividendos pagos pelo banco aumentarão em 10%.
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