Dólar a R$ 4,80 é coisa do passado? Não para o BTG Pactual
Com as eleições presidenciais superadas nos últimos meses do ano, os analistas apontam que a redução da incerteza doméstica e o preço elevado das commodities devem ajudar o real contra o dólar

Não deu tempo nem de se acostumar com o dólar mais uma vez cotado na casa dos R$ 4 e a moeda americana já voltou a ser negociada acima dos R$ 5. Com o cenário macroeconômico global sensível, muita gente começa a duvidar de que níveis "tão baixos" voltem a se tornar realidade – mas não o BTG Pactual.
Mesmo com a desvalorização recente do real, os analistas do banco de investimentos seguem acreditando que o dólar deve chegar ao fim do ano valendo R$ 4,80. Isso, no entanto, não significa que não tenha havido um aumento do pessimismo.
Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, a forte saída de capital estrangeiro do país, a aceleração da alta dos juros americanos e os riscos fiscais que assombram o mercado brasileiro deixaram o balanço de riscos do BTG mais pessimista, já que o quadro internacional não é benéfico para países emergentes.
Na quarta-feira, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, anunciou uma elevação de 0,50 ponto percentual na taxa de juros e indicou que as próximas reuniões devem trazer elevações semelhantes. Na visão do banco, esse cenário deve levar o Real a sofrer com uma desvalorização nos próximos meses, mas só até novembro.
Com as eleições presidenciais superadas nos últimos meses do ano, os analistas apontam que a redução da incerteza doméstica e o preço elevado das commodities, pressionadas pela guerra na Ucrânia, contrabalancearão o cenário internacional.
Embora o nível de R$ 4,80 seja considerado o cenário-base, os analistas também divulgaram projeções com os vieses mais otimistas e pessimistas – R$ 4,65 e R$ 5,25, respectivamente.
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O futuro dos juros
Na leitura do BTG, a taxa básica de juros americana caminha para terminar o ano acima do patamar neutro, de 2,4% ao ano, em um patamar próximo de 3,2%. "Este cenário sugere depreciação do Real à frente, visto que a diferença entre os juros de Brasil e EUA deve diminuir, impactando a taxa de câmbio".
No Brasil, a sinalização de que o ajuste na política monetária deve ser menor nas próximas reuniões leva o banco a crer que o Copom encerrará o ciclo de alta no próximo encontro, a 13,25% ao ano.
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