Esquenta dos mercados: Desaceleração da China gera mal estar e bolsas amanhecem pressionadas; Ibovespa acompanha tensão na Petrobras (PETR4)
No panorama doméstico, os balanços de Magazine Luiza, Nubank e outros movimentam o dia

Maio já passa da metade e com o quinto mês do ano correndo, os investidores olham para o que pode ser o futuro e o que foi até agora. O desempenho das bolsas perdeu fôlego com a perspectiva de desaceleração da economia e os maiores índices do mundo estão no vermelho até o momento.
Olhar para frente também é acompanhar os dados da segunda maior economia do mundo, divulgados durante a madrugada: a produção industrial chinesa teve uma queda inesperada de 2,9% na comparação anual, enquanto as vendas do varejo também recuaram 11,1%, ambos indicadores piores do que as projeções do The Wall Street Journal.
Os sucessivos lockdowns em virtude da política de “covid zero” de Pequim começaram a afetar o desempenho da economia de maneira mais intensa. Mas isso não foi motivo de desespero por parte das autoridades chinesas, em especial do Banco do Povo da China (PBoC, em inglês), que manteve algumas das principais taxas de juros inalteradas.
Na visão da autoridade monetária, os estímulos devem sustentar a atividade econômica após a pior fase da pandemia.
Além dos chineses, os investidores acompanham as falas de dirigentes do Federal Reserve desta semana, em busca de maiores detalhes sobre a política monetária do Banco Central da maior economia do mundo — os Estados Unidos.
Por aqui, o Ibovespa encerrou o pregão da última sexta-feira (13) em alta de 1,17%, aos 106.924,18 pontos, emplacando avanço de 1,70% no período. Já o dólar à vista caiu 1,61%, a R$ 5,0575. Na semana, o recuo foi de apenas 0,35%.
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Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa hoje:
Bolsas no exterior: a procura de um terreno sólido
Com os dados chineses mais fracos do que o esperado, as bolsas da Ásia e Pacífico encerraram o pregão desta segunda-feira (16) sem uma direção única. O que sustentou certo otimismo entre os investidores foi o relaxamento de restrições contra a covid-19 em Xangai, uma das maiores cidades da China.
Na Europa, os índices demonstram fraqueza após a abertura, antes de importantes dados de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) ao longo desta semana. Pesa também o fato da guerra na Ucrânia começar a aparecer no desempenho de indicadores.
É o caso da projeção para o PIB da Zona do Euro, que revisou as estimativas para a de crescimento de 4% para 2,7%, além de elevar a inflação para o bloco de 3,5% para 6,1% devido aos problemas gerados pela invasão da Rússia ao país vizinho.
Por último, os futuros de Nova York também começam a semana com o pé esquerdo, com a perspectiva de desaceleração — e possivelmente recessão, como alguns analistas do Yahoo Finance começaram a chamar — da China.
Novos capítulos da guerra
Durante o fim de semana, Finlândia e Suécia entraram no noticiário, informando a intenção de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Esse movimento representa uma quebra de neutralidade de ambos os países em relação ao continente.
Vale relembrar que a península escandinava faz fronteira com a Rússia, e o presidente do país, Vladimir Putin, já declarou que esse movimento pode gerar “retaliações” de Moscou.
A chapa esquenta na bolsa brasileira
Enquanto os dados do exterior não animam o pré-mercado por aqui, os investidores devem acompanhar a recente fritura do recém nomeado presidente da Petrobras (PETR4), José Mauro Ferreira Coelho.
De acordo com informações de pessoas familiarizadas com o tema, a recente alta do preço dos combustíveis desagradou o presidente e Mauro Ferreira Coelho pode perder o cargo com menos de um mês à frente da estatal.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, tentou colocar panos quentes na situação no último domingo (15), afirmando que a decisão depende do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida.
Commodities em foco
Com a Petrobras no centro do debate, os investidores também devem acompanhar a fraqueza do petróleo nesta segunda-feira. O barril do Brent, referência internacional de preços, opera em queda de 1,10%, negociado a US$ 110,33.
Por sua vez, o minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve alta de 3,86%, a US$ 122,83. A possível desaceleração da economia chinesa pode colocar pressão sobre essa matéria-prima, essencial para um dos setores que mais pesam na bolsa local — a siderurgia.
Greves por todos os lados
A alta no preço dos combustíveis voltou a levantar suspeitas sobre uma possível nova greve dos caminhoneiros. O governo federal tenta conter a alta de 8,9% do diesel com o alívio do frete, mas a categoria segue insatisfeita.
Além dos caminhoneiros, servidores do Banco Central e Receita Federal permanecem em greve nesta semana. Quem soma a essa paralisação na próxima terça-feira (17) são os funcionários do Tesouro, analistas do comércio exterior e especialistas em política e gestão.
Os grevistas pedem reposição do salário em virtude das perdas inflacionárias desde o início do governo de Jair Bolsonaro, além da reestruturação de um plano de carreira. Os servidores permanecem insatisfeitos com o reajuste linear de 5% e devem manter a paralisação em virtude da falta de acordo.
Agenda da semana
Segunda-feira (16)
- Banco Central: Setor público consolidado em março (9h30)
- Estados Unidos: Índice de atividade industrial Empire State de abril (9h30)
- Banco Central: Diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, participa de evento do Goldman Sachs (11h)
- Economia: Balança comercial e maio (após às 18h)
Terça-feira (17)
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, participa do Fórum Econômico de Bruxelas (6h15)
- Estados Unidos: Vendas no varejo de março (9h30)
- FGV: Monitor do PIB de março (10h15)
- Estados Unidos: Produção industrial de fevereiro (10h15)
- Estados Unidos: Presidente do Fed, Jerome Powell, participa de evento do Tha Wall Street Journal (15h)
Quarta-feira (18)
- Reino Unido: CPI e Núcleo do CPI de abril (3h)
- Zona do Euro: CPI e Núcleo do CPI de abril (6h)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (11h30)
- Alemanha: Encontro de ministros das finanças e banqueiros centrais do G7 (dia todo)
Quinta-feira (19)
- FGV: IGP-M de maio (8h)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
- China: Banco Central chinês divulga as taxas de referência de empréstimos de 1 a 5 anos (22h15)
- Alemanha: Encontro de ministros das finanças e banqueiros centrais do G7 (dia todo)
Sexta-feira (20)
- Reino Unido: Vendas no varejo de abril (3h)
- Alemanha: Último dia do encontro de ministros das finanças e banqueiros centrais do G7 (dia todo)
Balanços de hoje
Confira o calendário completo de balanços aqui.
Segunda-feira (16)
Após o fechamento:
- Equatorial Energia
- Hapvida
- Inter
- Itaúsa
- Magazine Luiza
- Nubank
- Vibra Energia
- Eletrobras
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