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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

Ressaca

Na festa dos IPOs entre 2020 e 2021, só 16% das empresas acumulam alta na bolsa

Dentre as piores performances em relação ao Ibovespa desde o IPO, destacam-se Enjoei (ENJU3), EspaçoLaser (ESPA3) e Mobly (MBLY3)

Flavia Alemi
Flavia Alemi
23 de junho de 2022
13:26
IPOs
Imagem: Shutterstock

A festa das ofertas públicas de empresas brasileiras na bolsa (IPO) entre 2020 e 2021 deixou uma forte ressaca para os investidores que colocaram dinheiro nas companhias.

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De acordo com um levantamento realizado pela Guide Investimentos, dos 69 IPOs realizados entre 2020 e 2021, apenas 11 tiveram desempenho acima do Índice Bovespa, ou seja, 16% do total.

Dentre as piores performances em relação ao Ibovespa, destacam-se Enjoei (ENJU3), EspaçoLaser (ESPA3) e Mobly (MBLY3).

Em relatório, a Guide afirma que uma das razões que pesam contra a performance dos papéis estreantes alguns dias após o IPO é a assimetria de informações.

A corretora diz que os incentivos oferecidos aos bancos que coordenam os IPOs fazem com que a promoção das empresas seja intensa. 

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Além disso, as promessas dos diretores das empresas antes da oferta pública às vezes não se concretizam, o que pode levar a uma reação exagerada dos investidores.

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Padrão de comportamento pós-IPO

A Guide identificou um padrão de comportamento das ações estreantes já conhecido na literatura de finanças, que é uma performance quase sempre positiva no primeiro dia de negociação.

Os cálculos da corretora mostram que a média dos retornos de todos os IPOs de empresas brasileiras desde 2017 foi de 5% no primeiro dia de negociação. Mas alguns casos fugiram à regra, como Banco BMG (BMGB4) e Agrogalaxy (AGXY3).

Também foi verificado retorno positivo após o fim do período de lock-up de 45 dias, durante os quais o investidor não pode vender o ativo. Em média, desde 2017, o retorno dos IPOs até o fim do período de lock-up foi de 4,4%.

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“Juntando a informação que os IPOs têm retorno positivo de 5,2% em média no primeiro dia de negociação e 4,4% após 45 dias, parece uma decisão melhor não aceitar o período de lock-up”, escreveram os analistas da Guide em relatório.

As piores performances dos IPOs

A Guide listou as piores performances dos IPOs desde 2017. Mas no Top -10, só aparecem empresas que abriram capital entre 2020 e 2021. Confira:

CompanhiaTickerRetorno anualizado desde o IPO
EnjoeiENJU3-70%
EspaçoLaserESPA3-69%
MoblyMBLY3-69%
BrisanetBRIT3-69%
ClearSaleCLSA3-67%
GetNinjasNINJ3-66%
OncoclínicasONCO3-63%
WestwingWEST3-62%
OceanPactOPCT3-61%
InfracommerceIFCM3-60%
Fonte: Guide Investimentos

As exceções

Por outro lado, as empresas vitoriosas até agora, apesar de poucas, destacam-se pelo forte desempenho acima do Ibovespa.

CompanhiaTickerRetorno anualizado desde o IPO
VamosVAMO371%
3R PetroleumRRRP354%
IntelbrasINTB350%
VittiaVITT339%
CBACBAV337%
OrizonORVR335%
LocawebLWSA317%
Fonte: Guide Investimentos

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