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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

WALL STREET X FARIA LIMA

Investidor estrangeiro ainda “faz o L” e entra com R$ 7 bilhões na bolsa brasileira desde a vitória de Lula

No acumulado do ano, o saldo de compras e vendas de ações na bolsa brasileira pelo investidor estrangeiro já chega a R$ 91 bilhões

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
14 de dezembro de 2022
10:24 - atualizado às 15:11
Lula com bandeira do Brasil e gráfico ao fundo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Shutterstock / Montagem Brenda Silva

Os primeiros sinais do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na economia assustaram a Faria Lima, mas Wall Street aparentemente segue acreditando no petista. Enquanto os investidores brasileiros estão em debandada da bolsa, o estrangeiro aparece firme na ponta compradora.

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Desde a vitória de Lula nas eleições, os gringos entraram com R$ 7 bilhões na B3. No acumulado do ano, o saldo de compras e vendas de ações na bolsa brasileira pelo investidor estrangeiro já chega a R$ 91 bilhões, de acordo com o JP Morgan.

“Não se trata de uma marca notável, mas importante, já que os investidores locais permanecem pessimistas em relação à nova administração”, escreveram os analistas do JP Morgan.

Os dados da B3 que foram compilados pelo banco norte-americano vão até o dia 9 de dezembro, data em que Lula anunciou Fernando Haddad como ministro da Fazenda.

Antes do "Efeito Mercadante"

Os números ainda não consideram o "efeito Mercadante", com a confirmação da indicação do ex-ministro como presidente do BNDES. A Câmara dos Deputados inclusive aprovou uma mudança na Lei das Estatais para acomodar o petista. Leia nossa cobertura completa de mercados com a reação ao anúncio.

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Os dados de fluxo estrangeiro via fundos também se mostram positivos, pelo menos por enquanto. Na semana passada, os fundos dedicados à América Latina registraram uma captação de US$ 17 milhões (R$ 90 bilhões, no câmbio atual), ainda de acordo com o JP Morgan.

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Embora não seja um número expressivo, o resultado foi na contramão dos mercados emergentes como um todo, que acumularam uma saída de US$ 961 milhões.

Apesar de todo o ruído desde o início da transição, o JP Morgan avalia que a entrada do estrangeiro na B3 tende a prosseguir.

“Acreditamos que a flexibilização da política monetária à frente, aliada à opcionalidade da reabertura da China, deve continuar impulsionando os fluxos para o Brasil.”

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Estrangeiros compram, fundos locais vendem

Enquanto os gringos ainda "fazem o L" e apostam na bolsa brasileira, o mesmo não se pode dizer dos locais. Apenas nos primeiros dias de dezembro, os investidores institucionais, como fundos de investimento, venderam R$ 6 bilhões em ações, de acordo com a B3.

Mas de certo modo não se trata apenas de medo de Lula. Desde o início do ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic), os fundos vêm sofrendo resgates.

No acumulado deste ano, os fundos multimercados e de ações registram uma saída de quase R$ 150 bilhões, de acordo com dados da Anbima. Assim, os gestores são forçados a se desfazer dos ativos para honrar os pedidos de saques dos investidores.

Por fim, o fluxo dos investidores revela uma tendência oposta à dos três primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro. Nesse período, o público local entrou fortemente na bolsa, enquanto o estrangeiro preferiu permanecer de fora e reduziu a participação no mercado acionário brasileiro.

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