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O pedido de retirada da pílula de veneno do estatuto foi feito pela UV Gestora, dona de 27% do capital da rede que opera marcas como Frango Assado, KFC e Pizza Hut no Brasil

O conselho de administração da rede de restaurantes IMC (MEAL3) convocou uma assembleia de acionistas para discutir a proposta de derrubar a "pílula de veneno" (poison pill). O encontro foi marcado para o dia 7 de março, às 13h.
O pedido de retirada da pílula de veneno do estatuto foi feito pela UV Gestora, dona de 27% do capital da rede que opera marcas como Frango Assado, KFC e Pizza Hut no Brasil.
O dispositivo é usado para dificultar a tomada de controle de uma empresa com capital pulverizado na bolsa, quando um acionista pode em muitos casos dar as cartas mesmo sem alcançar mais de 50% de participação.
No caso da IMC, a pílula de veneno do estatuto determina que qualquer investidor que atingir 30% do capital precisa lançar uma oferta pública de aquisição das ações dos demais acionistas. O preço por ação nessa oferta precisa igual ou maior que o maior preço pago pelo investidor nos seis meses anteriores.
Em carta encaminhada à administração da IMC, a UV Gestora informou que pretende aumentar a participação na companhia.
O que o fundo não deseja é ter de fazer uma oferta por todas as ações caso alcance os 30% do capital, conforme previsto na pílula de veneno do estatuto.
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As ações da IMC (MEAL3) reagiram em alta de quase 5% à notícia sobre o interesse da gestora em aumentar a participação e o possível fim da "poison pill".
Como a UV é uma acionista antiga da companhia, a expectativa é que a proposta de retirada da cláusula consiga o apoio na assembleia marcada para março.
A XP, no entanto, vê a iniciativa com cautela. A corretora tem recomendação neutra para as ações da IMC, com preço-alvo de R$ 4,00.
“Embora o movimento possa levar a uma ação positiva de preço no curto prazo e pareça ter mérito estratégico no longo prazo, ele também pode representar um retrocesso em termos de governança na medida em que deixaria acionistas minoritários mais vulneráveis”, escreveram os analistas da XP.
A pílula de veneno foi incluída no estatuto da IMC no fim de 2018. O dispositivo foi aprovado pelos acionistas em meio a uma tentativa do empresário Daniel Mendez, dono da Sapore, de promover uma fusão entre as companhias.
No ano seguinte, a empresa se uniu à rede do empresário Carlos Wizard, que tinha os direitos sobre as marcas Pizza Hut e KFC no país. Mas a combinação de negócios nem chegou a deslanchar porque pouco tempo depois veio a pandemia.
Em março do ano passado, a IMC trouxe Alexandre Santoro, ex-presidente global da rede Popeye's — para o comando da companhia. No fim do ano passado, o executivo concedeu uma entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro para falar sobre as perspectivas da empresa.
Na carta em que pede a derrubada da pílula de veneno, a UV Gestora informou que confia na atual gestão da IMC e não tem a intenção de promover mudanças.
Confira aqui a proposta completa e o manual para participação na assembleia de acionistas.
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