Dólar à vista recua mais de 1,5% com persistência do conflito no leste europeu; bolsa tem leve queda
Apesar de ter passado a maior parte da sessão em alta, o Ibovespa acabou seguindo as bolsas americanas

O conflito armado entre Rússia e Ucrânia completou uma semana nesta quinta-feira (03) e as sanções econômicas impostas por Estados Unidos e União Europeia começam a ser sentidas com mais intensidade, chegando até mesmo ao Ibovespa.
Vislumbrando os efeitos das medidas tomadas, as principais agências de risco do mundo rebaixaram a avaliação da Rússia, uma forma de avisar aos investidores do risco de calote da dívida e da insegurança de se injetar dinheiro lá.
Com as empresas locais isoladas do resto do mundo, as ações russas foram excluídas de um dos principais índices globais – a MSCI irá retirar o país dos indicadores de mercados emergentes. Na prática, isso significa que os fundos que acompanham o índice precisarão remover os papéis russos de seus portfólios.
Com os investidores precisando reequilibrar a carteira com ativos de emergentes, o Brasil e outros países da América Latina surgem como oportunidade.
Por aqui, esse movimento acelera o fluxo de capital estrangeiro que já temos visto desde o começo do ano, principalmente para empresas voltadas ao setor de commodities. O Itaú BBA estima que a B3 pode ver o ingresso de US$ 1,34 bilhão.
Para Rafael Passos, da Ajax Capital, um dos motivos que levam o Brasil a estar na dianteira da disputa pela fatia que cabia aos russos é o ciclo de aperto monetário, já bem avançado quando comparado ao resto do mundo e com a alta dos juros já próxima do teto.
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Mesmo com a valorização do dólar frente a pares mais fortes, o dia foi mais uma vez de alívio no câmbio. O dólar à vista encerrou a sessão em queda de 1,55%, a R$ 5,0280. O Ibovespa operou em alta durante a maior parte do dia, mas não escapou da pressão negativa de Wall Street e caiu 0,01%, aos 115.165 pontos.
A crise no leste europeu não foi o único "campo de batalha" a ser observado de perto. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, voltou a declarar que defenderá uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, em março.
A fala, no entanto, veio acompanhada de temores de que o conflito na Ucrânia siga pressionando a inflação, o que significa que aumentos maiores no decorrer do ano não estão descartados. No Brasil, a curva de juros operou em alta nos vencimentos mais curtos:
| CÓDIGO | NOME | ULT | FEC |
| DI1F23 | DI jan/23 | 12,85% | 12,66% |
| DI1F25 | DI Jan/25 | 11,81% | 11,60% |
| DI1F26 | DI Jan/26 | 11,58% | 11,43% |
| DI1F27 | DI Jan/27 | 11,55% | 11,46% |
O zig-zag do petróleo
A percepção do mercado é de que o conflito no leste europeu deve pressionar a produção de petróleo. A Rússia é um dos maiores países exportadores da commodity e um prolongamento do conflito pode impedir o escoamento da produção para o restante do mundo, pressionando a oferta.
Dentro desse cenário, o petróleo vem renovando máximas e chegou a encostar na casa dos US$ 120 por barril. A quinta-feira (03), no entanto, foi de intensa volatilidade, mesmo que diversos governos estudem a liberação de suas reservas para aliviar o cenário.
O petróleo abriu com uma alta de mais 5%, mas fechou o dia em queda – o Brent recuou 2,19%. A notícia que mexeu com o mercado foi a de que um acordo de exportação com o Irã pode ser fechado em breve, o que ajudaria a suprir o desequilíbrio na oferta de petróleo caso o conflito com a Rússia escale a um ponto em que a exportação do país fique comprometida.
Sete dias de conflito
A quinta-feira marca a primeira semana de conflito em solo ucraniano, com grande impacto na bolsa de valores. Desde a declaração de guerra de Vladimir Putin, nas primeiras horas do dia 24 de fevereiro, muita coisa mudou.
Com dificuldade para avançar em direção à Kiev, o exército russo passou a atingir alvos civis e adotar um posicionamento de conflito direto. As nações ocidentais seguem militarmente distantes, mas a série de sanções impostas à Rússia só cresce. Segundo as agências internacionais, mais de um milhão de pessoas já deixaram a Ucrânia.
Até agora, empresas anunciaram o fim de suas operações na Rússia e diversas medidas foram tomadas para isolar o sistema financeiro do país do restante do mundo, além do congelamento de ativos investidos em outras localidades. Hoje, novas ações foram anunciadas, desta vez voltadas a oligarcas russos e seus familiares, próximos do governo de Vladimir Putin. A bolsa de Moscou segue fechada para evitar maiores perdas.
Mais cedo, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, reforçou os apelos para que os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) implementem um bloqueio do espaço aéreo.
No Twitter, um dos conselheiros do presidente ucraniano, Mykhailo Podolyak, falou sobre os pontos que serão discutidos na nova rodada de negociações.
- 1. Cessar-fogo imediato
- 2. Armistício
- 3. Corredores humanitários para a evacuação de civis de aldeias/cidades destruídas (único ponto em que houve um acordo entre as partes)
Sobe e desce do Ibovespa
Para os analistas, a migração do fluxo estrangeiro para o Brasil beneficia o tradicional setor de commodities, mas abre espaço para que ações consideradas descontadas também se valorizem. A alta de 5% do minério de ferro impulsionou as mineradoras e siderúrgicas. Confira as maiores altas do dia na Ibovespa:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| GETT11 | Getnet units | R$ 3,56 | 9,20% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,59 | 4,86% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 28,35 | 4,50% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 3,25 | 4,84% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 28,23 | 4,17% |
A situação complicada na Europa e os desdobramentos ainda incertos da guerra na Ucrânia pesaram sobre as ações das empresas aéreas nesta quinta-feira. Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 17,01 | -4,22% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 23,79 | -4,23% |
| AMER3 | Americanas S.A | R$ 31,16 | -3,98% |
| TIMS3 | Tim ON | R$ 12,94 | -3,79% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 16,13 | -3,76% |
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