Em mais um dia na contramão do mundo, Ibovespa sobe mais de 1% e dólar cai a R$ 5,41, com ajuda da China e do fluxo gringo
Corte de juros no gigante asiático beneficia países exportadores de commodities; queda nos juros futuros e entrada de recursos estrangeiros impulsionam bolsa para cima e dólar para baixo

Poderia ter sido melhor, mas não dá para dizer que foi ruim. A bolsa brasileira teve hoje mais um dia estelar, permanecendo em alta de mais de 1% durante todo o pregão e chegando a testar os 110 mil pontos.
Mas, no fim do dia, as bolsas americanas, que passaram quase toda sessão em alta, acabaram virando para queda, desacelerando os ganhos por aqui.
Ainda assim, o Ibovespa fechou em alta de 1,01%, aos 109.101 pontos, enquanto o Dow Jones fechou em baixa de 0,89%, o S&P 500 caiu 1,10%, e o Nasdaq cedeu 1,30%. Na máxima do dia, o principal índice da B3 chegou a subir mais de 1,70%, indo aos 109.873 pontos.
As razões, novamente, foram elas: a boa perspectiva para os preços das commodities e a queda dos juros futuros, influenciada pelo recuo nos juros dos Treasuries de longo prazo e o fortalecimento das moedas emergentes, como o real, ante o dólar.
De um lado, tivemos uma mãozinha da China: o banco central do país cortou as taxas de juros referenciais de curto e longo prazo, depois de ter reduzido as de médio prazo, no início da semana.
A manutenção dos estímulos monetários pelo gigante asiático se dá por conta do avanço dos casos de covid-19 no país e sustenta novas altas para os preços das commodities, com a perspectiva de aumento da demanda chinesa.
Leia Também
Com isso, bolsas e moedas de países emergentes, exportadores de matérias-primas, chamam a atenção do investidor gringo, que, nos países desenvolvidos, se depara com um cenário de aperto monetário. Além disso, os ativos na bolsa brasileira estão historicamente baratos, abrindo oportunidades para esses investidores.
O fluxo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira tem sido forte nos últimos dias, tendo totalizado R$ 14 bilhões do início do ano até o dia 18 deste mês. A entrada de recursos gringos também contribui para o fortalecimento do real ante o dólar.
A moeda americana, por sinal, chegou a cair abaixo de R$ 5,40 hoje, mas fechou em queda de 0,90%, a R$ 5,4165, na cotação à vista.
Do outro lado, os ajustes para baixo dos juros dos títulos do Tesouro americano continuaram nesta quinta-feira, depois da disparada do início da semana. A divulgação de um número de pedidos de auxílio-desemprego superior ao esperado contribuiu para a descompressão das taxas, levando-as às mínimas pela manhã.
Ao longo de boa parte do dia, inclusive, este fator contribuiu para o dólar se enfraquecer até mesmo ante moedas fortes. Mas, mais para o fim do dia, os juros curtos voltaram a subir nos EUA, e a divisa americana acabou recobrando fôlego.
Com o alívio no câmbio e nas taxas dos títulos públicos americanos de longo prazo, os juros futuros locais tiveram espaço para cair ainda mais, beneficiando sobretudo as ações de empresas mais sensíveis à dinâmica de juros, como techs, varejistas, construtoras e administradoras de shoppings, que se destacaram entre as altas do Ibovespa hoje.
Veja como fecharam os principais vencimentos dos contratos de DI:
- Janeiro/23: queda de 12,027% para 11,925%;
- Janeiro/25: queda de 11,263% para 11,125%;
- Janeiro/27: queda de 11,242%, a 11,145%.
[captacao]
Pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos
Os juros dos Treasuries acentuaram a queda após a divulgação, na manhã de hoje, de um número de pedidos de auxílio-desemprego acima do esperado nos Estados Unidos, dado que contribui para conter a agressividade do Federal Reserve no aperto monetário.
O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou um aumento de 55 mil pedidos na última semana, elevando o número a 286 mil. A expectativa do mercado era de 225 mil pedidos. O dado da semana anterior também foi revisado para cima, passando de 230 mil para 231 mil pedidos.
Sobe e desce do Ibovespa
O alívio geral nos juros beneficiou sobretudo as empresas muito sensíveis à variação nas taxas, como as techs, as varejistas, e as empresas do mercado imobiliário, como construtoras e administradoras de shoppings, cujas ações apresentaram fortes valorizações hoje.
Esses segmentos dependem muito de crédito para o consumo dos seus produtos (caso de varejo e imóveis), ou então, no caso das empresas de tecnologia, têm seus fluxos de caixa mais significativos apenas no longo prazo, sendo muito afetadas pela taxa de desconto com que são trazidas a valor presente na hora de se estimar seu valor de mercado atual. Basicamente, quanto maior a taxa de desconto (a taxa de juros), menor o valor presente.
Entre as maiores altas do Ibovespa, destaque para banco Inter (tech), Petz (tech e varejista) e Grupo Soma (varejista), além de Méliuz (CASH3), tech ligada ao varejo, que aparece um pouco mais abaixo na lista das maiores altas, tendo fechado com valorização de 8,27%, a R$ 2,88.
Veja as maiores altas do Ibovespa hoje:
| CÓDIGO | AÇÃO | VALOR | VARIAÇÃO |
| BIDI11 | Inter unit | R$ 25,46 | +13,16% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 12,77 | +10,47% |
| PETZ3 | Petz ON | R$ 16,16 | +9,71% |
| SOMA3 | Grupo Soma ON | R$ 12,12 | +9,19% |
| RENT3 | Localiza ON | R$ 54,13 | +8,59% |
Apesar das boas perspectivas para os preços das commodities, sobretudo petróleo e minério de ferro, hoje os sinais das ações e os preços dessas matérias-primas ficaram trocados.
O petróleo fechou em queda, após fortes altas nos últimos pregões, mas as ações da Petrobras conseguiram terminar o dia no azul. Os papéis ordinários (PETR3) subiram 0,64%, a R$ 34,47, enquanto os preferenciais (PETR4) avançaram 0,73%, a R$ 31,72, contribuindo para a alta do Ibovespa.
O minério de ferro, por sua vez, fechou em alta, mas hoje mineradoras, metalúrgicas e siderúrgicas caíram em bloco, após vários pregões positivos, chegando a figurar entre as maiores quedas do índice.
Destaque negativo também para Suzano (SUZB3), além dos frigoríficos Marfrig (MRFG3, queda de 1,50%) e BRF (BRFS3, queda de 1,48%), que se desvalorizaram com a queda do dólar, tendo em vista a forte exposição das suas receitas à moeda americana.
Veja as maiores baixas do Ibovespa no dia:
| CÓDIGO | AÇÃO | VALOR | VARIAÇÃO |
| CRFB3 | Carrefour ON | R$ 14,65 | -2,59% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 60,31 | -2,49% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 11,90 | -1,73% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 86,71 | -1,70% |
| RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 36,50 | -1,59% |
PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs