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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Fechamento Hoje

Com bolsas americanas fechadas, Ibovespa fecha em queda; dólar termina em alta, e juros sobem pressionados pelo fiscal

Feriado nos EUA diminui liquidez global e queda no minério de ferro afeta cotações de mineradoras e siderúrgicas por aqui

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
17 de janeiro de 2022
19:14 - atualizado às 19:18
Palavra IBOV com braços e pernas de desenho escorregando em uma banana e fundo vermelho com gráficos em queda | Ibovespa, dólar
Com a liquidez global reduzida, Ibovespa não conseguiu manter o ritmo de alta da semana passada. - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois de subir mais de 4% ao longo da semana passada, o Ibovespa não teve força para se manter em alta nesta segunda-feira de liquidez reduzida nos mercados globais.

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É que, nos Estados Unidos, as bolsas permaneceram fechadas em razão do feriado do dia de Martin Luther King Jr., abrindo espaço para realizações de lucros e ajustes de carteira nos mercados domésticos.

Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, com o índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as empresas mais importantes do continente, fechando com ganho de 0,70%.

Mas a bolsa brasileira não conseguiu acompanhar o bom humor lá fora. O Ibovespa fechou em baixa de 0,52%, aos 106.373 pontos, depois de passar o dia todo no vermelho, e o dólar à vista terminou o pregão em alta de 0,24%, a R$ 5,5266, após passar boa parte do dia operando próximo da estabilidade.

Hoje os investidores digeriram os dados do Produto Interno Bruto (PIB) da China e do IBC-BR, indicador do Banco Central considerado a prévia do PIB.

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Por aqui, o IBC-Br subiu 0,69%, ligeiramente abaixo da mediana das projeções colhidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estadão, que era de 0,70%. O intervalo das previsões ia de queda de 0,30% a avanço de 1,00%.

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Já na China, o PIB cresceu 8,1% em 2021, em linha com as estimativas colhidas pelo The Wall Street Journal e acima da meta do governo chinês, que era de expansão de 6%. O crescimento também foi bem superior ao de 2020, quando o PIB do gigante asiático se expandiu apenas 2,2%.

A inflação de janeiro medida pelo IGP-10, que veio acima do esperado (1,79%, ante expectativa de 1,61%) e a pressão dos servidores públicos por reajustes salariais, com greves marcadas para amanhã (18), pressionaram os juros futuros. Veja o desempenho dos principais contratos:

  • Janeiro/23: alta de 11,595% para 12,015%;
  • Janeiro/25: alta de 11,228% para 11,345%;
  • Janeiro/27: alta de 11,137% para 11,305%.

Greve de servidores pressiona fiscal

Servidores dos Três Poderes estão programando uma paralisação nacional nesta terça por reajustes de salários, em alguns casos congelados desde 2017.

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O movimento demonstra a insatisfação dos servidores pelo fato de o presidente Jair Bolsonaro ter articulado, durante a votação do Orçamento de 2022, aumentos apenas para as carreiras policiais, que fazem parte da sua base de apoio.

Reajustes salariais pressionariam ainda mais as contas públicas, o que impulsionou os juros futuros para cima no pregão de hoje. A proximidade das eleições presidenciais incrementa os temores do mercado, que acredita que Bolsonaro possa aumentar os gastos públicos na tentativa de se reeleger.

PIB chinês mostra força, mas os estímulos não param

Apesar do crescimento econômico forte em 2021, o Banco do Povo da China (PBoC, em inglês), banco central do gigante asiático, manteve os estímulos monetários, cortando a taxa de juros de médio prazo do país.

A expansão do PIB no quarto trimestre foi de 4% na comparação anual, acima das estimativas, mas bem inferior ao crescimento de 4,9% do trimestre anterior, já mostrando uma redução da atividade. Além disso, o avanço da pandemia de covid-19 no país, com o alastramento da variante ômicron, preocupa.

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O corte de juros pelo banco central chinês vem na contramão de uma série de medidas dos principais BCs do mundo para conter a inflação. Em especial do Federal Reserve, que pretende aumentar os juros e retirar os estímulos da economia ainda neste ano. Por outro lado, o avanço da pandemia também pode frustrar e atrasar os planos do Fed.

Minério em queda

As empresas do setor de mineração, que haviam paralisado suas atividades em Minas Gerais devido às chuvas, começaram a retomar as atividades.

A paralisação, no entanto, não chegou a afetar negativamente os papéis de mineradoras e siderúrgicas na semana passada. Hoje, essas ações fecharam em baixa, com a queda de 1,84% do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, cotado a US$ 125,65 por tonelada.

Vale (VALE3) recuou 0,52%, a R$ 84,25, CSN Mineração (CMIN3) caiu 1,95%, a R$ 7,04, e Gerdau Metalúrgica (GOAU4) teve baixa de 1,62%, a R$ 11,55.

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Entre as siderúrgicas, Usiminas (USIM5) fechou em queda de 1,34%, a R$ 16,23, CSN (CSNA3) caiu 2,26%, a R$ 25,14, e Gerdau (GGBR4) teve perda de 2,19%, a R$ 27,66.

No entanto, a expectativa com o avanço da atividade econômica na China, com a manutenção dos estímulos monetários mesmo após um crescimento forte em 2021, pode impulsionar o preço das commodities metálicas nos próximos pregões.

Sobe e desce do Ibovespa

Veja as maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira:

CÓDIGOAÇÃOVALORVARIAÇÃO
CIEL3Cielo ONR$ 2,12+4,95%
QUAL3Qualicorp ONR$ 16,37+2,76%
TIMS3TIM ONR$ 12,94+2,45%
LWSA3Locaweb ONR$ 8,58+2,26%
BRFS3BRF ONR$ 24,75+1,85%

Veja também as maiores baixas:

CÓDIGOAÇÃOVALORVARIAÇÃO
BRKM5Braskem PNAR$ 48,65-6,73%
IGTI11Iguatemi unitR$ 17,28-3,73%
ALPA4Alpargatas PNR$ 30,98-3,49%
RDOR3Rede D'Or ONR$ 39,59-3,44%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 6,12-3,32%

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