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Os olhos se voltam para a reunião emergencial do Banco Central Europeu, o que aumenta a aversão ao risco nos negócios
Os últimos dias das bolsas pelo mundo parecem muito com histórias em quadrinhos. De um lado, o dragão da inflação precisa ser combatido por um herói à altura; do outro, a Super-Quarta com a divulgação da decisão sobre juros dos Bancos Centrais do Brasil e dos Estados Unidos deve movimentar os negócios nesta quarta-feira (15).
Mas assim como o Superman, a Super-Quarta precisa medir sua força para não destruir tudo no combate contra o vilão. Estamos falando especificamente da alta de juros do Federal Reserve, uma verdadeira bomba atômica contra a inflação.
A autoridade monetária norte-americana já havia descartado uma alta de 75 pontos-base nos juros nas reuniões anteriores. Porém, o cenário mudou e o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) norte-americano veio acima do esperado pelos analistas — o que deve exigir um esforço maior do BC americano contra a inflação.
Mas o aperto monetário também gera um efeito rebote de estagnação da economia. Além disso, vale lembrar que os analistas já preveem uma recessão global após a pior fase da covid-19.
Por aqui, a inflação reduziu o ritmo de alta, mas segue em patamares que fogem à meta do Banco Central. Analistas do mercado entendem que a Selic deve terminar o ano em 13,75%, mas outros especialistas entendem que será preciso ir além disso.
Para a reunião desta quarta-feira, é esperado que o BC eleve os juros em 50 pontos-base, o que faria a Selic subir de 12,75% para 13,25%.
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Seja por aqui ou nos EUA, tudo dependerá da fala dos representantes das autoridades monetárias após o anúncio. Hoje, teremos a coletiva à imprensa de Jerome Powell, presidente do Fed, após às 15h30 e maiores informações sobre o ciclo no Brasil devem acontecer após o fechamento dos mercados.
Nesse contexto, o Ibovespa encerrou a sessão de ontem (14) em queda de 0,52%, aos 102.063 pontos. O dólar à vista avançou 0,38%, a R$ 5,1343.
Confira o que deve movimentar o dia para a bolsa, o dólar e o Ibovespa:
Além das decisões de juros do Fed e do Banco Central brasileiro, o Banco Central Europeu marcou para esta quarta uma reunião extraordinária do conselho da autoridade monetária.
Não está claro se os diretores do BCE estão decididos a antecipar o aperto monetário ou se pretendem apenas emitir sinais que tragam alívio às taxas dos títulos da dívida.
O BCE é um dos últimos bancos centrais a elevar os juros em meio a problemas globais de inflação — e, se o Fed já está “atrás da curva” da alta dos preços, o seu equivalente europeu está ainda mais distante do que isso.
Os índices da Ásia e do Pacífico fecharam a sessão desta quarta-feira (15) sem direção definida. Os dados de produção industrial da China sustentaram os negócios em Xangai, mas o temor de um Fed mais agressivo contra a inflação limitou os ganhos do dia.
Na Europa, as bolsas também registram altas contidas, com a produção industrial avançando um pouco abaixo do esperado pelo mercado e também de olho no Banco Central americano.
Por fim, os futuros de Nova York operam em alta antes da decisão de juros do Fed. Não se trata, porém, de otimismo com as ações, mas de uma tentativa de reversão de perdas das últimas sessões.
As bolsas seguem sem direção definida, mas o bitcoin (BTC) e as demais criptomoedas do mundo seguem com sinal negativo.
Por volta das 7h45, a maior moeda digital do planeta era negociada em queda de 8,31%, cotada a US$ 20.627,27. O ethereum (ETH), por sua vez, registrava o menor patamar do ano, em US$ 1.068,45, uma queda de 10,54%.
Enquanto a decisão de juros do BC não chega, os investidores acompanham o noticiário empresarial, com a Petrobras (PETR3;PETR4) e os combustíveis no foco do dia mais uma vez.
De acordo com informações do Broadcast, a diretoria da estatal foi procurada na noite de ontem na tentativa de impedir um reajuste dos combustíveis. Vale lembrar que a defasagem média do preço da gasolina na Petrobras é de 20% e do diesel, 19%, o que exigiria um aumento brusco dos preços.
O governo federal busca medidas para conter o avanço dos preços, com desonerações e batalhas no Congresso para pelo menos tentar manter os combustíveis sem reajuste. Entretanto, se a Petrobras reajustar os valores, esses esforços devem ser praticamente anulados.
Está marcada para hoje a votação do teto do ICMS, que limita a cobrança do imposto estadual a 17%. Ontem, a Câmara analisou as alterações feitas pelo Senado, mas não concluiu as deliberações.
O barril do petróleo Brent, utilizado como referência internacional, amanheceu em queda de 0,87%, cotado a US$ 120,11.
As oscilações se devem à pressão do presidente americano, Joe Biden, às empresas do setor para colocar mais gasolina no mercado — uma das maneiras de baixar os preços por lá. As informações são da Reuters.
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