Cielo (CIEL3) reage e ação dobra de valor no ano, mas ainda está longe de vencer a “guerra das maquininhas”
As ações da companhia controlada por Bradesco e Banco do Brasil disparam hoje em reação ao balanço do segundo trimestre, mas perda de clientes e saída de CEO preocupam

Principal vítima da "guerra das maquininhas" de cartão, a Cielo (CIEL3) mostrou que está viva. As ações da companhia disparam no pregão desta quarta-feira em reação ao balanço do segundo trimestre, que superou as estimativas mais otimistas do mercado.
Além do salto no lucro do período, a empresa controlada por Bradesco e Banco do Brasil conseguiu avançar no volume de transações realizadas nas maquininhas sem comprometer ainda mais as margens.
O resultado sustenta a aposta dos investidores que apostaram na reação da companhia. Com a alta de 10% hoje, os papéis da Cielo acumulam valorização de mais de 100% no ano. Isso em um período em que o Ibovespa — principal índice de ações da B3 — tem um desempenho pífio e as ações das concorrentes amargam forte queda.
Podemos dizer, portanto, que a Cielo venceu uma batalha neste segundo trimestre. O balanço positivo inclusive ajuda PagSeguro e Stone, cujas ações também sobem forte hoje.
Mas as notícias que acompanharam a divulgação dos resultados também trazem sinais de que a guerra das maquininhas ainda está longe do fim para a companhia.
Cielo: o que agradou
O primeiro número que chamou a atenção no resultado da Cielo foi o lucro líquido de R$ 635,3 milhões. Afinal, trata-se de um crescimento de 252% em relação ao mesmo período do ano passado.
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Esse resultado, vale dizer, foi turbinado pela venda da empresa norte-americana MerchantE. Mas o lucro ajustado, que tira esse efeito da conta, também apresentou um avanço considerável de 112% e somou R$ 383 milhões.
“Nossa elevação na recomendação da ação para outperform (compra) foi impulsionada pela revisão para cima de nossas estimativas para o lucro líquido, que agora parecem conservadoras”, escreveram os analistas do Itaú BBA. O banco projeta um resultado de R$ 1,2 bilhão para a Cielo neste ano.
A companhia também mostrou um crescimento considerável de 34% no volume de transações com cartões nas maquininhas. O chamado TPV, no jargão da área, atingiu R$ 221 bilhões, o maior da história da empresa.
O volume em alta é importante porque mostra que a Cielo deixou de perder participação para a concorrência. Outra boa notícia é que a empresa conseguiu fazer isso sem canibalizar ainda mais o mercado.
Ao contrário, o chamado yield — percentual das vendas nas maquininhas que se transformam em receita para a companhia — subiu de 0,67% para 0,71% no trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, o yield teve uma pequena queda.
Por fim, o aumento das despesas em um ritmo menor que o da inflação do período foi outro fator que agradou no balanço e ajudou a impulsionar as ações.
O que não agradou: perda de clientes (e de presidente)
Para quem quer enxergar o copo da Cielo meio vazio, duas notícias chamaram a atenção. A primeira foi a continuidade de uma tendência que a empresa ainda não conseguiu quebrar desde o acirramento da guerra das maquinhas: a perda de clientes.
A base da companhia encerrou o segundo trimestre em 1,109 milhão, uma redução de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Por outro lado, o ritmo de perda de clientes desacelerou na comparação com os três primeiros meses do ano, e até apresentou um pequeno avanço nos varejistas de menor porte, onde as margens são melhores.
O que também chamou a atenção do mercado foi anúncio da saída de Gustavo Sousa do cargo de CEO da Cielo. Apontado como um dos responsáveis pela virada da companhia, Sousa entrou na Cielo como diretor financeiro e assumiu o comando em maio do ano passado.
Enquanto Bradesco e Banco do Brasil buscam um novo CEO para a empresa, Renata Andrade Daltro dos Santos, atual vice-presidente comercial de grandes contas, assume interinamente a presidência da Cielo.
Assista também: O que fazer com as ações da Oi (OIBR3)
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