Mesmo após ata ‘agressiva’ do Fed, Ibovespa sobe forte após três pregões de queda; dólar tem leve queda
As bolsas pelo mundo operam majoritariamente em queda, enquanto o índice brasileiro tenta reverter as perdas da semana

Na contramão das bolsas internacionais, que ainda digerem a ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fomc, na sigla em inglês), a bolsa brasileira se mantém no azul nesta quinta-feira (06).
O Ibovespa abriu em alta, tentando se recuperar de três dias seguidos de baixas, em que acumulou 3,64% de perda. Por volta das 16h, subia 0,63%, a 101.640 pontos. Mais cedo, o índice chegou a subir mais de 1% e superar os 102 mil pontos.
Os mercados locais são beneficiados pela alta das commodities lá fora. Hoje, os futuros do barril de petróleo tipo Brent avançam cerca de 1%, tendo superado a marca dos US$ 80. Já o minério de ferro avançou 2,15% no porto de Qingdao, na China, a US$ 127,58 a tonelada.
As ações da Petrobras, que chegaram a subir mais de 1% até o começo da tarde, desaceleraram as altas, e agora operam com sinais mistos. Já os papéis da Vale (VALE3) tinham alta firme de 2,60%, a R$ 79,83, perto das 16 horas.
O dólar à vista passou boa parte do dia alternando entre perdas e ganhos modestos, mas fechou com uma queda mais acentuada, de 0,56%, a R$ 5,68.
Depois de passarem o dia em queda, os juros futuros fecharam com sinais mistos. Veja o desempenho dos principais vencimentos:
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- Janeiro/2023: de 12,057% para 11,96%;
- Janeiro/2025: de 11,303% para 11,33%;
- Janeiro/2027: de 11,212% para 11,225%.
[captacao]
Um Fed para digerir
Lá fora, porém, o tom mais agressivo do Federal Reserve, o banco central americano, na retirada dos estímulos da economia (movimento conhecido como tapering) e a alta de juros já em março deste ano ainda pesam nas negociações.
De madrugada, as bolsas asiáticas também fecharam em baixa, e os mercados europeus fecharam hoje no vermelho. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais empresas do continente, caiu 1,25%.
As bolsas americanas, por sua vez, começaram o dia em alta, com a divulgação de número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos vindo acima do esperado, mostrando que, talvez, o Fed precise maneirar na dureza do aperto monetário.
O número de pedidos de auxílio-desemprego no país subiu 7 mil, na semana terminada em 1º de janeiro, para 207 mil, segundo os dados com ajustes sazonais publicados hoje pelo Departamento de Trabalho americano.
O dado veio acima da expectativa dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que era de 195 mil pedidos. Além disso, o total de pedidos da semana anterior foi revisado de 198 mil para 200 mil.
Há pouco, porém, os índices de Wall Street perderam força, e agora operam com sinais mistos. O Dow Jones recua 0,39%, o S&P 500 sobe 0,07% e o Nasdaq tem ganhos de 0,14%.
O tom duro do Fed ontem continua impulsionando os retornos dos títulos públicos americanos, o que pesa negativamente sobre os mercados de ações.
Dados locais
O panorama doméstico não deve dar descanso aos investidores tão cedo. Servidores públicos ameaçam, desde o início da semana, entrar em greve caso não recebam reajuste salarial, o que tem sido um impasse para o governo.
Mais cedo, o IBGE divulgou os dados da produção industrial brasileira. O indicador caiu 0,2% na passagem de outubro para novembro, bem abaixo da mediana das projeções dos especialistas ouvidos pelo Broadcast, de alta de 0,2%.
Em relação a novembro de 2020, a produção caiu 4,4%, pior que a mediana das projeções, que já era negativa em 4,1%. A indústria acumula alta de 4,7% no ano de 2021 até novembro e, em 12 meses, a produção tem aumento de 5,0%.
Os dados fracos da indústria também contribuem para o alívio visto hoje nos juros futuros.
Risco fiscal
A prorrogação da desoneração da folha de pagamento, medida provisória sancionada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro no apagar das luzes de 2021, tem gerado debates que, em última instância, podem fazer a MP ser considerada crime de responsabilidade, o que poderia motivar um impeachment.
Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), deve haver uma compensação para a renúncia de receitas, o que não ocorreu com a MP de Bolsonaro. Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da equipe econômica temem por uma abertura de processo por crime de responsabilidade.
PESSIMISMO CONTINUA
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