Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2022-01-05T21:50:33-03:00
Carolina Gama
O FIM DE UMA ERA

A revelação da ata do Fed que derrubou as bolsas nos EUA e fez o Ibovespa ampliar a queda

Documento do banco central norte-americano mostrou que a festa dos bilhões de dólares no mercado está mais perto de acabar do que se imaginava

5 de janeiro de 2022
17:24 - atualizado às 21:50
gavião voando para presa
Política monetária mais dura afeta os mercados hoje - Imagem: Shutterstock

O fim da era de dinheiro farto nos Estados Unidos está mais perto do que se imaginava e os investidores não gostaram nada disso. A sinalização veio na ata do Federal Reserve (Fed), como é conhecido o banco central norte-americano, divulgada nesta quarta-feira (5). 

Segundo o documento, os membros do Fed disseram que o fortalecimento da economia e a aceleração da inflação podem levar a mais aumentos e mais rápidos dos juros nos Estados Unidos.

Atualmente, a taxa básica está na faixa entre zero e 0,25% ao ano. Confira a cobertura da última decisão do Fed, em dezembro

E as surpresas na ata do Fed não param por aí. Alguns formuladores da política monetária do BC americano também apoiaram o início da redução do balanço de ativos logo depois do início do ciclo de aumento dos juros.

O Fed carrega hoje mais de US$ 8 trilhões em ativos no balanço. Não é por acaso, portanto, que os investidores tremem só de pensar na possibilidade de o BC norte-americano começar a desovar esses papéis no mercado.

A moleza acabou, o mercado não gostou

A notícia de que os mercados não terão mais os bilhões de dólares que o Fed vinha oferecendo na forma de compra de ativos e de juros zero não agradou. Afinal, com menos dinheiro circulando sobra menos para os investidores apostarem em ativos de risco, como a bolsa.

Logo após a divulgação da ata, o Dow Jones e o S&P 500 reverteram a tendência de alta e passaram a amargar perdas. O Nasdaq, que já vinha caindo mais de 1%, acelerou a queda e passou a recuar mais de 2%. 

Aqui no Brasil, a ata também pesou sobre o Ibovespa que, assim como o Nasdaq, passou a cair mais de 2%. Confira tudo o que mexe com os mercados hoje

Por dentro da ata do Fed

Na conclusão da reunião de dezembro, o comitê de política monetária do Fed (Fomc, na sigla em inglês) anunciou que encerraria o programa de compra de títulos em um ritmo mais rápido do que inicialmente delineado em novembro, citando riscos crescentes de inflação. 

O novo cronograma colocaria o banco central no caminho para concluir as compras em março. Na ocasião, as autoridades do Fed também foram unânimes em indicar que precisariam começar a aumentar a taxa de juros neste ano, de acordo com projeções publicadas após a reunião. 

Isso marcou uma mudança em relação à rodada anterior de previsões em setembro, que mostrava que o Fomc na época estava igualmente dividido sobre a questão.

A ata de hoje foi além, mostrando que o aperto monetário pode ser mais forte do que se pensava. 

“Os participantes em geral observaram que, dadas suas perspectivas individuais para a economia, o mercado de trabalho e a inflação, pode ser necessário aumentar a taxa de fundos federais mais cedo ou em um ritmo mais rápido do que os participantes haviam antecipado”, diz a ata. 

E o documento prossegue: “Alguns participantes também observaram que poderia ser apropriado começar a reduzir o tamanho do balanço patrimonial do Federal Reserve relativamente logo após começar a aumentar a taxa de fundos federais”.

O balanço trilionário do Fed

No encontro do final de 2021, o Federal Reserve deu início aos planos para começar a cortar a quantidade de títulos que detém, com seus dirigentes dizendo que uma redução no balanço deve começar algum tempo depois que o banco central começar a aumentar a taxa de juros, segundo a ata.

Embora as autoridades não tenham feito nenhuma determinação sobre quando o Fed começará a liberar os quase US$ 8,3 trilhões em títulos que mantém, declarações da reunião indicaram que o processo poderia começar em 2022, possivelmente nos próximos meses.

“Quase todos os participantes concordaram que provavelmente seria apropriado iniciar o escoamento do balanço em algum ponto após o primeiro aumento na faixa-alvo para a taxa de fundos federais”, declarou o resumo da reunião.

O Fed usa seu balanço patrimonial para, entre outras coisas, manter as condições financeiras facilitadas, garantir o bom funcionamento da economia e garantir o alcance de suas metas de pleno emprego e estabilidade de preços. 

Em março de 2020, o banco central norte-americano passou a inflar seu balanço ao comprar títulos lastreados em hipotecas, os famosos mbs, e também títulos do Tesouro. Conforme a economia dos Estados Unidos foi se fortalecendo dos efeitos da covid-19, essas aquisições de ativos foram sendo reduzidas e a ideia é zerá-las até março deste ano. 

Escoamento do balanço

A ata de hoje também indicou que, uma vez que o processo comece, “o ritmo apropriado de escoamento do balanço provavelmente seria mais rápido do que era durante o episódio de normalização anterior” em 2017.

Durante essa redução, o Fed permitiu que um nível limitado de receitas dos títulos que detém rolasse a cada mês, enquanto reinvestia o restante. O Fed começou permitindo a rolagem de US$ 10 bilhões em títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas a cada trimestre, aumentando esse valor a cada mês até que os limites atingissem US$ 50 bilhões.

O programa pretendia reduzir consideravelmente o balanço patrimonial, mas foi interrompido pela fraqueza econômica global em 2019, seguida pela crise pandêmica em 2020. Ao todo, a redução chega a apenas cerca de US$ 600 bilhões.

E os juros? 

A expectativa do mercado é de que o Fed comece a aumentar a taxa básica a partir de março, quando as compras de títulos na era pandêmica se encerram. 

Como esperado, os membros do Fed mantiveram a taxa básica perto de zero na reunião de dezembro. No entanto, as autoridades também indicaram que prevêem aumentos de até 0,75 ponto percentual este ano, bem como outros três aumentos em 2023 e dois a mais no ano seguinte.

E a explicação para isso é simples: a inflação. Assim como no Brasil e outras partes do mundo, a inflação disparou com a reabertura econômica e os preços saíram do controle do Fed nos Estados Unidos. Lá, a inflação chegou a ser a maior em 30 anos, saltando para 6,8% em novembro - mais que o triplo da meta do banco central americano. 

Veja também - Ação do Banco do Brasil (BBAS3) pode disparar até 70% no longo prazo e Bradesco (BBDC4) tem potencial para alta de quase 50%

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Mercados Hoje

Ibovespa abre em alta de mais de 1% puxado pelo exterior positivo e dólar recua a uma semana da reunião do Federal Reserve

As commodities permanecem no radar: o petróleo pode chegar aos US$ 100 e o minério de ferro avançou na China durante a madrugada

Tendências da bolsa

AGORA: Ibovespa futuro avança próximo da estabilidade e dólar cai de olho no exterior positivo e nos balanços dos bancos de hoje

As commodities permanecem em rota de valorização, com o petróleo e o minério de ferro em destaque hoje

O melhor do Seu Dinheiro

Um guia com 51 investimentos para 2022, a queda das ações tech na B3, Binance e outros destaques do dia

Confira os investimentos mais promissores do ano, além de uma análise completa dos riscos e oportunidades nas principais classes de ativos

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas buscam recuperação lá fora, de olho nos balanços do dia e Ibovespa foca no cenário doméstico

O presidente da República, Jair Bolsonaro, tem até sexta-feira (21) para decidir sobre o Orçamento e o reajuste dos servidores públicos

PAPO CRIPTO #010

Maior corretora de criptomoedas do mundo, Binance vê 2022 como o “ano da regulação” do mercado

“Existe um preconceito com o mercado de criptomoedas como um todo”, diz a representante da Binance no Brasil sobre países que proibiram a atuação da corretora

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies