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Com alta da Selic para 7,75%, juros futuros dispararam nesta quinta, fazendo taxas do Tesouro Direto subirem ainda mais
O retorno da lendária rentabilidade de 6% ao ano mais IPCA no Tesouro Direto pode estar mais próximo. Com o ajuste nos juros futuros após a reunião de ontem do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), em que a autoridade subiu a Selic em 1,5 ponto percentual, as taxas dos títulos públicos subiram forte nesta quinta-feira (28).
A alta mais intensa foi vista nos juros mais curtos, mas os juros longos também subiram. Assim, os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação de prazos menores estão remunerando a mesma coisa ou até mais do que papéis de prazos maiores.
Agora, todos os prefixados - aqueles que pagam uma taxa nominal já conhecida no ato do investimento - estão remunerando acima de 12% ao ano. Já os títulos atrelados à inflação (NTN-B), que pagam um juro prefixado mais a variação do IPCA, já estão pagando, em todos os vencimentos, mais de 5,5% ao ano + IPCA.
Veja a rentabilidade no vencimento para quem comprar um título desses hoje:
| Título | Rentabilidade anual |
| Tesouro Prefixado 2024 | 12,38% |
| Tesouro Prefixado 2026 | 12,30% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2031 | 12,25% |
| Tesouro IPCA+ 2026 | 5,58% + IPCA |
| Tesouro IPCA+ 2035 | 5,57% + IPCA |
| Tesouro IPCA+ 2045 | 5,57% + IPCA |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2030 | 5,58% + IPCA |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 | 5,57% + IPCA |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 | 5,61% + IPCA |
Repare que os títulos mais curtos estão agora bem mais atrativos. Dos papéis à venda no Tesouro Direto atualmente, o prefixado mais rentável é o de vencimento em julho de 2024, um prazo de menos de três anos para ganhar 12,38% ao ano.
Já entre as NTN-B, o Tesouro IPCA+ 2026 está pagando mais que todos os vencimentos maiores, com exceção do 2055, o mais longo disponível atualmente.
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Os juros futuros disparam aparentemente por conta de dois fatores principais: insucesso do Banco Central em ancorar as expectativas do mercado no seu comunicado pós-reunião do Copom, ao não adotar um tom duro o suficiente contra a inflação; e notícias de que o governo poderia estender o pagamento do auxílio emergencial, caso o drible no teto de gastos incluído na PEC dos precatórios não seja aprovado no Congresso, que possibilitaria o Auxílio Brasil de R$ 400.
O investimento em títulos prefixados e atrelados à inflação é arriscado neste momento, devido à alta volatilidade no mercado de juros, que não deve arrefecer tão cedo.
Ela foi desencadeada pelo recente drible do governo no teto de gastos, mas mesmo antes as pressões inflacionárias já vinham fazendo os juros futuros subirem. E no ano que vem ainda tem eleição, um evento que costuma pressionar bastante o mercado de juros.
A questão é que títulos prefixados e atrelados à inflação tendem a se desvalorizar quando os juros futuros - e, consequentemente, as suas taxas - sobem. Isso faz com que, ao ser marcada a mercado, a carteira de títulos do investidor manifeste uma desvalorização, que, no entanto, só é realizada caso o investidor venda o título antes do vencimento em um desses momentos negativos de mercado.
Em adição a isso, com a Selic em alta é possível que as taxas desses títulos subam ainda mais num futuro próximo. Em outras palavras, a volatilidade será para cima, enquanto a dos preços desses papéis será para baixo!
Nesse sentido, uma pedida que tende a ser bastante rentável e com risco muito menor, inclusive para quem vender antecipadamente, é o Tesouro Selic, título público que paga a variação da Selic mais uma pequena taxa.
Também é um bom momento para investir em CDBs, LCIs e LCAs com rentabilidade indexada ao CDI, que contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a mesma garantia da poupança. Em todos esses casos, a rentabilidade tende a subir conforme a taxa básica se eleva.
Por outro lado, se você conseguir vencer a dor de barriga que é olhar para os altos de baixos da sua carteira de pré e NTN-B e ficar com os títulos até o vencimento, você vai receber exatamente a rentabilidade contratada no ato da compra.
Ou seja, ao adquirir um título prefixado ou atrelado à inflação hoje, você garante, pelos próximos anos, uma rentabilidade nominal superior a 12% ao ano ou um retorno de mais de 5,5% ao ano acima da inflação.
Para todos os efeitos, são ótimas rentabilidades para se receber por anos com o menor risco do mercado, que é a garantia do governo federal. Retornos reais próximos de 6% ao ano são, historicamente, muito atrativos no Brasil pós-Real.
Assim, se você tem a perspectiva de ficar com os títulos até o vencimento, uma boa alternativa é ir comprando aos poucos, garantindo retornos interessantes para os próximos anos, e podendo lucrar com a valorização lá na frente, caso a saúde fiscal do país se restabeleça e os juros futuros tornem a cair. Nesse caso, você "antecipará" sua remuneração futura e poderá até realizar o ganho, vendendo os papéis.
Lembrando que os papéis atrelados à inflação são menos arriscados que os prefixados, pois oferecem essa garantia de preservação do poder de compra diante da alta dos preços.
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