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Pegue seu caderninho e vamos para a última matéria desta série especial sobre ETFs.
Chato, complexo, mas essencial. Essa foi a descrição que recebi ao perguntar para cinco pessoas diferentes o que elas pensam sobre renda fixa. Eu particularmente sempre achei a renda fixa mais difícil de se entender do que a renda variável. Tem muitas opções de títulos, taxas, etc. E, ao contrário do que sugere o nome, ela ainda varia.
Bom, tudo isso ficou mais fácil de se acompanhar com a chegada dos ETFs de renda fixa. Essa classe de ativos é uma alternativa bastante atraente para o pequeno investidor que deseja, por exemplo, ter exposição a uma carteira de títulos públicos com vários vencimentos comprando um único papel.
Caso você tenha se esquecido, ETFs são fundos negociados em bolsa que buscam replicar o desempenho de algum índice de uma maneira mais prática e barata. E isso não é diferente no caso da renda fixa.
Para se ter uma noção, a taxa de administração média dos fundos de renda fixa é de 0,93% ao ano, sendo que para aqueles que aceitam aplicações mínimas inferiores a R$ 1 mil, o valor é, em média, de 1,66% ao ano, de acordo com estudo da Warren. Já com um ETF, as taxas de administração variam podem chegar a apenas 0,20% ao ano.
Além disso, a alíquota do Imposto de Renda do ETF é de 15% sobre o seu lucro, independente do prazo da aplicação, enquanto que nas aplicações tradicionais de renda fixa a mordida do Leão pode chegar a 22,5% se os recursos forem resgatados em menos de seis meses.
Vale ponderar, contudo, que os ETFs têm uma lógica diferente de declaração do IR, como você pode conferir aqui.
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Lá na primeira matéria desta série, te expliquei sobre os ETFs que replicam o Ibovespa e qual o mais indicado para que você tenha na carteira. Para os de renda fixa, isso fica ainda mais interessante, já que não existe um melhor em si, mas objetivos diferentes para cada um deles.
“A mudança de não termos mais a classe do CDI como referência de investimentos com a queda dos juros fez com que necessariamente tivéssemos que começar a discutir opções de portfólio como investidor, saindo de uma visão de produto de ‘onde eu devo colocar meu dinheiro?’, para uma lógica holística de construção de portfólio aliado aos meus objetivos de investimentos”, afirmou Renato Eid, head de estratégia beta e integração ESG da Itaú Asset.
Na B3, temos sete ETFs de renda fixa, para todos os gostos e riscos: quatro deles são do Itaú (IMAB11, B5P211, IB5M, IRFM11), dois têm gestão do Bradesco (IMBB11 e B5MB11) e um da Mirae Asset (FIXA11).
Antes de adentrarmos neste mundo e saber qual ETF é mais indicado para o seu perfil, vale destacar que o prazo de duração média é um item fundamental na análise. “Quanto maior o prazo, maior o risco, lembrando que os pré-fixados são ainda mais arriscados num ambiente com a taxa de juros em 2%”, explica Luiz Rogé, especialista em renda fixa da Empiricus.
Pois bem, já dando este alerta, pegue seu caderninho e vamos para a última matéria desta série especial sobre ETFs.
“Antes de tudo, não havia nada”. Certeza que você já ouviu essa frase em algum lugar, então já poupando a sua pesquisa no Google para achar o autor, te respondo que quem disse isso foi o famoso cientista Stephen Hawking, ao explicar a teoria do Big Bang. Talvez esse texto tenha caminhado para um lado muito filosófico, mas serve para chamar sua atenção para o primeiro ETF de Renda Fixa do País: o FIXA11.
Criado em 2018 pela Mirae Asset e com taxa de administração de 0,30% ao ano, o primeiro ETF de Renda Fixa do País veio para reproduzir o comportamento de um índice formado por contratos de DI futuro de três anos (aplicações que refletem as expectativas do mercado para a taxa de juros no Brasil).
Ao falarmos de ETFs de Renda Fixa, é impossível não esbarrarmos no famoso “IMA-B”. Para se ter uma ideia, dos sete produtos para essa classe de ativos, cinco se referem ao IMA-B. Então, vamos dar um passo para trás e relembrar o que significa essa importante sigla para o mercado financeiro.
O IMA-B nada mais é do que um índice criado pela Anbima formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA, como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais. O índice foi construído para representar a rentabilidade de uma carteira de papéis Tesouro IPCA, antigamente chamado de NTN-B.
De forma resumida, ele é uma forma de mostrar organizadamente a rentabilidade de uma cesta de títulos do Tesouro IPCA com vários prazos de vencimento.
Representando o IMA-B, já temos dois importantes ETF: o IMAB11, do Itaú e o IMBB11, do Bradesco. Um nasceu colado ao outro em 2019, quase gêmeos — o do Itaú veio antes, mas o do concorrente é um pouco mais barato.
O IMA-B faz parte de uma grande família de índices de títulos públicos que tem o IMA-Geral como “patriarca”.
Mas o IMA-B cresceu e constituiu sua própria “família”. Entre essas subcategorias, temos o IMA-B 5+, que reúne os títulos públicos atrelados à inflação com prazo de resgate superior a cinco anos. E esse você também pode investir nesse índice por meio de ETFs na B3.
Para acompanhar o IMA-B 5+, temos um novo embate entre Itaú e Bradesco. O banco dos Setubal e Moreira Salles tem o IB5M11 sob gestão, enquanto o Bradesco oferece o B5BM11. Mais uma vez, o Bradesco tem uma pequena vantagem no quesito taxa de administração.
Além do IMA-B 5+, temos o IMA-B 5 P2, que representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA com prazos inferiores a cinco anos e um controle de prazo médio para repactuação da carteira de, no mínimo, dois anos. Para seguir essa subcategoria, o Itaú Unibanco criou em 2020 o “B5P211”.
Por último, mas não menos importante, podemos citar o IRFM11, ETF criado em 2019 pelo Itaú que replica a carteira do IRF-MP2 de títulos públicos federais pré-fixados (aqueles com taxa de retorno definida no momento da compra).
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