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Chefe do Executivo credita a crise institucional a “discordâncias” em relação a decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes
O mercado doméstico deu uma trégua no pessimismo dos últimos dias após o presidente Jair Bolsonaro divulgar uma mensagem atribuindo os ataques ao STF ao "calor do momento". Por volta das 16h50, o Ibovespa subia 2% e o dólar caía 1,7%, a R$ 5,22.
Bolsonaro disse em mensagem divulgada na tarde desta quinta-feira (9) que nunca teve intenção de "agredir quaisquer dos Poderes". O chefe do Executivo credita a crise institucional a "discordâncias" em relação a decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes.
"Essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal", disse em trecho da declaração.

Na terça (7), Bolsonaro disse que o presidente do STF, Luiz Fux, deveria "enquadrar" o ministro Alexandre de Moraes ou "esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos". Fux respondeu no dia seguinte que "desprezar decisão judicial é crime de responsabilidade e que ninguém fechará o STF".
Com as declarações de Bolsonaro nos atos de 7 de Setembro, o Ibovespa caiu 4% no dia seguinte, tendência seguida nesta quinta em meio aos dados de inflação acima do esperado em agosto.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto avançou 0,87%, bem acima da mediana das expectativas, que era de 0,71%. Nos últimos 12 meses, o índice acumula uma alta superior a 9%.
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Os fatores climáticos e geopolíticos que pressionam as commodities energéticas e a agricultura são pouco sensíveis aos movimentos do Banco Central para conter a inflação, mas a percepção de que a crise hídrica deve continuar impactando o índice nos próximos meses preocupa.
Além disso, os investidores monitoram o bloqueio de estradas por caminhoneiros aliados ao presidente Jair Bolsonaro.
Declaração à Nação
No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:
1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.
6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.
8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.
9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.
10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA
Jair Bolsonaro
Presidente da República federativa do Brasil
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