Reação do mercado financeiro ao rompimento do teto de gastos irrita Bolsonaro
A bolsa caiu forte, o dólar subiu e as taxas dos contratos de juros futuros dispararam; situação também provocou debandada na equipe econômica
A reação do mercado financeiro ao acordo dentro do governo para aumentar o teto de gastos irritou o presidente Jair Bolsonaro.
Depois de o ministro da Economia Paulo Guedes ter jogado a toalha em relação ao cumprimento da regra do teto de gastos, o Ibovespa fechou em queda de 2,75%, o dólar avançou 2,16%, a R$ 5,6676 e as taxas dos contratos de juros futuros dispararam.
Insistindo na alegação de que o Auxílio Brasil será pago dentro do teto de gastos, Bolsonaro usou sua live semanal para anunciar a criação de um benefício aos caminhoneiros e reclamar que o mercado fica "nervosinho" com as medidas anunciadas por ele.
Último refúgio
Subindo o tom em relação à ocasião na qual exigiu “patriotismo” por parte dos agentes do mercado financeiro, o presidente disparou:
"Se vocês explodirem a economia do Brasil, mercado, vão ficar prejudicados também."
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEJair Bolsonaro durante live em 21 de outubro de 2021
A reação do mercado deve-se principalmente à interpretação de que o teto de gastos está sendo rompido com fins eleitoreiros, desatando um movimento de aumento de gastos e descontrole fiscal do qual o governo terá dificuldade para fazer meia-volta.
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O acordo fechado pelo governo altera o indexador do teto de gastos para elevá-lo e viabilizar o pagamento de R$ 400 a beneficiários do Auxílio Brasil até o fim de 2022. Bolsonaro também anunciou que os caminhoneiros vão receber esse mesmo valor como forma de compensar a alta do diesel.
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Debandada e piada de mau gosto
Quatro secretários da equipe econômica pediram demissão ontem. O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e seus respectivos adjuntos pediram exoneração ontem à noite.
Na versão do Ministério da Economia, a debandada se deu por uma improvável conjunção de “motivos pessoais” dos demissionários. Eles já haviam feito circular, entretanto, que não avalizariam o rompimento do teto de gastos.
Já o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, uma das principais lideranças do movimento de caminhoneiros do País, criticou duramente o presidente.
"Eu acho que foi uma piada que ele (Bolsonaro) fez... ou será de verdade? Isso é uma piada de mau gosto. O caminhoneiro não quer esmola, quer dignidade, quer os compromissos que foram assumidos e que até hoje não saíram do papel", disse Landim, conhecido entre os caminhoneiros como "Chorão".
Indicativo de greve
Wallace Landim tem trânsito dentro do governo e esteve presente em diversas reuniões com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para tratar de medidas voltadas à categoria. O relacionamento institucional ocorreu durante um bom período e o governo, em outros momentos, conseguiu debelar movimentos de greve no setor. Agora, o tom é outro.
"Queremos algo concreto, não cortina de fumaça. A classe já deu 15 dias para o governo trazer algo concreto, mas isso não veio. Agradecemos pela piada do presidente, mas estamos num trabalho de unificação das pautas da categoria e a paralisação para o dia 1º de novembro está mantida, seguimos com a mobilização", comentou.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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