Na contramão do mercado, UBS reitera recomendação de compra para Petrobras
Analistas avaliam que investidor não deve se levar por ‘fantasmas do passado’ e que a empresa vive um bom momento

A interferência promovida pelo presidente Jair Bolsonaro no comando da Petrobras (PETR4) foi rejeitada e duramente criticada por praticamente nove em cada dez analistas que acompanham a empresa.
Um dos poucos bancos que não recomendou a venda das ações foi o UBS, que reiterou sua recomendação de compra, afirmando que “os números da companhia falam mais alto que as palavras” do governo. O preço-alvo para as ações preferenciais é de R$ 31,00.
Para os analistas Luiz Carvalho e Gabriel Barra, a queda de mais de 20% das ações no pregão de segunda-feira (22) foi exagerada, com a percepção dos investidores ainda muito influenciada por “fantasmas do passado”, no caso, o uso da estatal como mecanismo para contenção da inflação durante o governo da presidente Dilma Rousseff.
A comparação com o que ocorreu no passado recente com a estatal e o que aconteceu nos últimos dias não é cabida, diante da evolução do mercado e dos reguladores, que aprenderam com os erros do passado, de acordo com o UBS.
Os analistas citam como diferenciais a reação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que abriu um processo administrativo para apurar a indicação do general Joaquim Silva e Luna para o comando da estatal, escritórios de advocacia manifestando a intenção de abrir processos contra o governo brasileiro e a Justiça de Minas Gerais questionando a troca na Petrobras.
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“Acima de tudo, a Lei das Estatais e a forte governança da empresa sugerem que potenciais mudanças que prejudiquem os interesses da companhia e dos acionistas minoritários são mais desafiadoras atualmente, com um custo político potencialmente maior”, diz trecho do relatório.
Olhando para os números
Os analistas do UBS afirmam que o momento operacional da Petrobras vale muito mais do que as interferências do governo federal neste momento, e isso tem que estar no radar do investidor.
Entre os pontos que sustentam a recomendação de compra das ações da petroleira estão:
- a paridade entre os preços de produtos importados e os valores praticados internamente;
- a perspectiva de que a empresa vai entregar uma rentabilidade do fluxo de caixa livre ao acionista (o FCFE yield, que sinaliza o potencial de retorno aos acionistas) de 35% em 2021;
- o fato de as ações estarem sendo negociadas com um múltiplo EV/Ebitda (indicador que mostra se uma empresa está sub ou supervalorizada) de 3,5 vezes;
- que ela se tornou uma exportadora de petróleo bruto e;
- as melhoras promovidas em sua governança corporativa.
Os analistas reconhecem que a avaliação pode virar caso a Petrobras enfrente elevada volatilidade nos preços do petróleo e no câmbio, caso a estratégia de desinvestimentos seja deixada de lado e se o governo forçar a empresa a subsidiar o preço dos combustíveis.
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