Para a Tesla (TSLA34) de Elon Musk, não há crise no setor automotivo: o terceiro trimestre teve lucro recorde
A Tesla (TSLA34) vai na contramão do restante do setor: a empresa de Elon Musk está vendendo mais carros e reportou um balanço forte no 3T21

Ao mesmo tempo em que participa da corrida espacial com Jeff Bezos e Richard Branson, o bilionário-celebridade Elon Musk também está envolvido em outra disputa, bem mais terrena: a do mercado automobilístico. É um setor em crise — e que, nem de longe, movimenta as manchetes como os foguetes da SpaceX. Mas o CEO da Tesla (TSLA34), definitivamente, não tem do que reclamar dos carros elétricos que o catapultaram à fama.
Enquanto os gigantes da indústria automotiva têm reportado quedas firmes no volume de entregas — GM, Honda e Ford estão sendo fortemente afetadas pela escassez de semicondutores e outros componentes —, a Tesla vai na contramão. Seu desempenho operacional só acelera: foram mais de 240 mil veículos entregues no terceiro trimestre, alta de 70% na base anual.
O bom momento foi confirmado nesta quarta-feira (20), com a divulgação de um balanço cheio de recordes. O lucro líquido no terceiro trimestre, por exemplo, foi de US$ 2,09 bilhões, mais que o dobro dos US$ 874 milhões reportados há um ano — é o melhor resultado para um período de três meses na história da Tesla.
O lucro por ação (LPA) de US$ 1,86 superou a média das projeções dos analistas ouvidos pela Bloomberg, de US$ 1,67. O lucro operacional de US$ 2 bilhões e a margem bruta de 26,6% também representam novos recordes trimestrais.
Números que dão tranquilidade à Musk — e o deixam livre para continuar brigando com os outros bilionários na corrida espacial.
Tesla: vendas e receita em alta
Atualmente, a Tesla conta com duas famílias de veículos elétricos, sendo que os modelos 3 e Y são as estrelas da companhia. Somente no terceiro trimestre, foram entregues 232 mil carros desse tipo, alta de 87% na base anual; os modelos S e X, mais luxuosos, estão em queda: menos de 9 mil unidades entregues, baixa de 47% em um ano.
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Essa migração de portfólio, com protagonismo dos modelos mais baratos, poderia ter machucado a rentabilidade da Tesla. E, de fato, a receita líquida da empresa, de US$ 13,8 bilhões, ficou ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas. Ainda assim, o crescimento menos intenso dos custos e despesas garantiu que as margens e o resultado operacional fossem recorde.
"A demanda por veículos elétricos continua passando por uma mudança estrutural", diz a Tesla, em mensagem aos acionistas. "Apesar de a fábrica em Fremont ter produzido mais carros nos últimos 12 meses que em qualquer outro ano, acreditamos que há espaço para avançar. Adicionalmente, continuamos expandindo nossas instalações em Xangai e aumentando a capacidade no Texas e em Berlin".
O mercado, agora, espera novidades quanto ao cronograma de produção da Cybertruck, a caminhonete elétrica da Tesla — mais um produto de Musk que provocou enorme frisson nas redes sociais.
Tesla, Musk e bitcoin
Outra questão que sempre está associada a Musk é o bitcoin (BTC) — o bilionário é um entusiasta das criptomoedas e, em diversas ocasiões, mexeu com a cotação dos ativos com seus tweets enfáticos sobre o tema. A Tesla, inclusive, chegou a receber pagamentos pelos carros em bitcoin ao longo do primeiro semestre desse ano.
Tanto é que, nos documentos arquivados na SEC (a CVM dos EUA), a Tesla reporta que, entre janeiro e junho, adquiriu US$ 1,5 bilhão em bitcoin. Por ora, não há atualização sobre eventuais movimentações nessa carteira ao longo do terceiro trimestre; a única informação revelada pela empresa é a de que foi feita uma provisão de US$ 51 milhões relacionada à criptomoeda.
Tesla: ações e BDRs (TSLA34)
Na Nasdaq, as ações da Tesla também vivem um bom momento: os papéis fecharam o pregão desta quarta-feira em leve alta de 0,18%, a US$ 865,80, muito perto das máximas históricas. Desde o começo do ano, os ganhos já chegam a 22%.
De certa maneira, os recordes reportados pela Tesla no terceiro trimestre já eram esperados pelo mercado, uma vez que os dados de produção foram divulgados dias antes. Sendo assim, a reação dos investidores no after market de Nova York é apenas tímida: por volta de 18h20 (horário de Brasília), as ações da Tesla recuavam 0,44%, a US$ 861,70.
Na B3, a empresa de Elon Musk possui BDRs sendo negociados, sob o código TSLA34. E, por aqui, a história se repete: os ativos também estão perto das máximas históricas — fecharam o pregão de hoje em leve queda de 0,33%, a R$ 150,80. No ano, avançam 33%.

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