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Renato Carvalho

Ensino na era digital

Ser Educacional anuncia compra da FAEL e tenta impulsionar rentabilidade

Negócio representa maior diversificação geográfica e aumento na base digital, mas melhorar as margens será um desafio, segundo analistas

Renato Carvalho
31 de maio de 2021
11:30 - atualizado às 22:57
estudantes com computador em foto vista de cima educação
Estudantes usando o computador - Imagem: Shutterstock

O setor de educação passa por um momento de transição, com a combinação recente de diminuição do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), crescimento do ensino à distância (EAD) e os efeitos da pandemia.

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Com tudo isso, as empresas têm procurado estratégias para manter ou aumentar sua base de alunos, e ao mesmo tempo serem mais lucrativas. Esta parece ser a ideia da Ser Educacional ao anunciar a compra da Faculdade Educacional da Lapa (FAEL).

A Ser pagará inicialmente R$ 280 milhões por 100% da FAEL. A depender do desempenho futuro, serão pagos mais R$ 17,5 milhões. 

Luiz Carlos Borges da Silveira Filho, que hoje comanda a instituição adquirida pela Ser, fica pelo menos mais dois anos à frente da operação, segundo o contrato celebrado entre as duas partes.

Este item do acordo mostra como a aquisição é um caminho novo que a Ser tenta tomar. A companhia tem atuação mais forte na região Nordeste, e agora compra uma faculdade com sede na cidade de Lapa, no Paraná, que tem a maior parte dos seus alunos em cidades do Sul com menos de 100 mil habitantes.

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Outro ponto importante é que a FAEL é 100% digital. A margem Ebitda Ajustada da Ser no ensino digital ficou em 24% entre janeiro e março, ante 21,3% na modalidade híbrida, que tem a presença do aluno em sala de aula pelo menos algumas vezes por semana.

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Entre janeiro e abril deste ano, a captação de alunos no ensino digital mais que triplicou em relação a 2020, enquanto nos cursos presenciais caiu mais de 11%. Somente de janeiro a março, a base de alunos em cursos digitais cresceu 72,5%.

Mesmo com a crise provocada pela pandemia de covid-19, a FAEL teve crescimento de 12% na receita e de 124% no Ebitda ajustado em 2020.

Segundo os cálculos dos analistas da XP, a margem Ebitda da FAEL em 2020 foi de 13%. Mas com as sinergias, que podem atingir aproximadamente R$ 16 milhões, esse índice sobe para 23%.

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A ressalva feita pela XP é que, na comparação com outros concorrentes, a margem da FAEL é baixa. Eles listam a Yduqs, com 50% no ensino digital, e a Vitro, que mesmo com um modelo híbrido, tem margens de 28%.

“Este movimento ousado de estar mais exposto ao ensino à distância é positivo. No entanto, estamos cautelosos sobre a capacidade da Ser de melhorar as margens da FAEL ainda além das sinergias especuladas”, diz a XP.

Para isso, seria necessário elevar o ticket médio e reduzir custos, algo difícil no contexto atual, segundo os analistas. Assim, a XP manteve a recomendação Neutra para a Ser.

Com a aquisição, a Ser passa a contar com mais de mil polos de EAD, já que a FAEL conta hoje com uma rede de mais de 600, e adiciona cerca de 90 mil alunos à sua base de graduação e pós-graduação. Em março, a base da Ser contava com 218 mil estudantes.

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No comunicado sobre a transação, a Ser revela estar de olho também nos cursos oferecidos pela FAEL que apresentam maior ticket médio, principalmente nas áreas de saúde e engenharia.

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