Lucro da Cielo vem acima do esperado no 4º tri, apesar de queda de 68,3% em 2020
Empresa foi duramente afetada pela pandemia, mas corte de custos e retomada da economia ajudam no desempenho no fim do ano passado

Uma das principais vítimas da crise provocada pela pandemia de covid-19, a Cielo (CIEL3) fechou 2020 com uma queda de 68,3% em seu lucro líquido. Mas ajustes feitos nas operações ajudaram a companhia a fechar o quarto trimestre com um resultado acima do esperado pelos analistas.
A companhia de meios de pagamento fechou o ano passado com um lucro líquido de R$ 490,2 milhões, bem abaixo dos R$ 1,5 bilhão de 2019. Mas os sinais de reação da empresa, que vem sendo atacada duramente pela concorrência nas chamadas "maquininhas de cartão", impulsionam as ações hoje na B3, que operam em alta de 7,63%.
De acordo com a Cielo, as medidas de isolamento e distanciamento social afetaram de forma particularmente intensa o varejo, com reflexos importantes na indústria de meios de pagamentos.
O resultado destas medidas foi uma queda de 5,7% no volume financeiro de transações e recuo de 55,2% na receita de aquisição de recebíveis de lojistas. A receita operacional líquida caiu 1,5%, para R$ 11,2 bilhão.
A Cielo destacou que a redução do consumo em 2020 também prejudicou o desempenho da Cateno, a divisão de gestão de cartões da empresa, que ao longo do ano apresentou queda em volume, especialmente nos negócios mais rentáveis. “Esse contexto pesou fortemente sobre o resultado da Companhia, principalmente no primeiro semestre”, diz trecho do balanço.
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Sinais de reação
A Cielo destacou que a maior parte dos efeitos negativos foram sentidos no primeiro semestre. A retomada da economia e medidas de controle de despesas adotadas por ela ao longo da segunda metade do ano permitiram um melhor desempenho no quarto trimestre.
Nos últimos três meses de 2020, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 298,2 milhões, alta de 34,7% em relação ao mesmo período de 2019. O resultado veio acima da projeção média dos analistas, que apontava para um lucro de R$ 240 milhões, de acordo com a Bloomberg.
Esse aumento, em base anual, foi puxado mais pela queda de 15,3% das despesas operacionais do que pelo aumento da receita, que subiu 1,5%, para R$ 3 bilhões. Ainda que tenha visto uma melhora na segunda metade do ano, a Cielo ainda sofreu com os efeitos da pandemia.
[captacao]
Na comparação com o terceiro trimestre, a Cielo demonstrou alguns sinais de retomada. A receita cresceu 5%, para R$ 3 bilhões (a expectativa era de R$ 3,2 bilhões), com o volume financeiro de transações subindo 15,1%. Mas a receita de aquisição de recebíveis recuou 13,7%.
O "yield" – percentual das vendas realizadas nas maquininhas que se transformam em receita – ficou em 0,69%, abaixo do 0,70% do mesmo período de 2019 e do 0,73% apurado no terceiro trimestre. Segundo a companhia, o “yield” no período foi afetado pelo ajuste de preços e pela redução da receita de aluguel devido à concessão de descontos a clientes.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Cielo fechou o quarto trimestre em R$ 768,2 milhões, alta de 16% em base anual e 60% na trimestral. A margem somou 25,4%, crescimento de 3,2 pontos percentuais (p.p.) e 8,8 p.p., respectivamente.
Dividendos
Junto com os resultados, a Cielo anunciou a distribuição de R$ 14,9 milhões em dividendos relativos aos resultados de 2020, o equivalente a R$ 0,00552262637. O valor se soma aos R$ 151,4 milhões declarados em 22 de dezembro, a título de juros sobre capital próprio (JCP).
Os dividendos serão pagos aos acionistas no dia 17 de fevereiro, com base na posição acionária de 1º de fevereiro.
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