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Decisão atende a recurso de promotores de justiça que atuam na defesa do patrimônio público paulista
O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo não tem o hábito de recuar de suas decisões. Menos ainda de maneira muito drástica.
Mas um recurso de promotores de justiça que atuam na defesa do patrimônio público fez o órgão dar o braço a torcer em um caso envolvendo a EcoRodovias, detentora da concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes.
A decisão dos conselheiros inclui o desarquivamento de três inquéritos civis que haviam sido abertos, a partir de revelações de executivos da EcoRodovias (ECOR3) e da CCR (CCRO3) sobre esquema de financiamento de campanhas eleitorais via caixa 2 e pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos.
Com isso, está restabelecida a obrigação da EcoRodovias de pagar R$ 638 milhões (valores ajustados pela última vez em abril de 2020), dos quais R$ 400 milhões deverão ser empregados nas obras de um boulevard com extensão de dois quilômetros no marco zero da Anchieta, no Sacomã, antigo gargalo do trânsito nessa região.
Outros R$ 50 milhões serão destinados a melhorias de segurança não previstas na concessão, principalmente em curvas e caixas de brita.
Um total de R$ 150 milhões será pago ao Estado, em oito parcelas, valor referente aos pedágios. Inicialmente, essa quantia seria compensada por meio de descontos para os usuários nas tarifas. Mas o governo alegou dificuldades na execução desse plano. Mais R$ 36 milhões serão quitados em seis parcelas de R$ 6 milhões. Os R$ 2 milhões restantes vão para o Fundo de Interesses Difusos.
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Em troca do pagamento da multa, hoje superior a R$ 700 milhões em valores atualizados, e do compromisso de revelar provas da prática de ilícitos - principalmente em períodos eleitorais, favorecendo candidatos a deputados estaduais e federais e também a postulantes ao governo do Estado de São Paulo -, a EcoRodovias obteve a garantia de que não seria alvo de ações por improbidade administrativa nem de outros processos de natureza civil propostos pelo MP paulista.
Um alto executivo ligado à concessionária, ouvido preliminarmente, confessou detalhes da atuação de um cartel formado desde 1997, envolvendo 80 empresas. Ele apontou os nomes de beneficiários de uma rede de propinas, inclusive no Tribunal de Contas do Estado.
O procurador de Justiça Antônio Carlos Nery, relator do caso Ecovias no Conselho Superior do MP, deu o primeiro voto, pela revisão do julgamento de setembro e pela homologação do acordo.
O recurso dos promotores foi vitorioso, segundo apurou o Estadão, porque expôs 'informações importantes', que convenceram o colegiado de cúpula a autorizar também a reabertura das investigações sobre repasses ilícitos da concessionária a servidores públicos e a candidatos de partidos políticos em eleições recentes.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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