Com ameaça de desabastecimento no radar, produção da Petrobras (PETR4) recua 4,1% no 3º trimestre
Antes da divulgação do relatório, a petroleira já havia informado que não teria capacidade para atender, em sua totalidade, os pedidos por fornecimento de combustível em novembro

Em meio a críticas à política de preços e ameaças de desabastecimento, a atenção do mercado está voltada para os números de produção e venda da Petrobras (PETR4) no terceiro trimestre, divulgados nesta quarta-feira (20).
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados mais cedo antecipavam que uma queda na produção estaria a caminho, e o recuo foi confirmado pelo relatório oficial da estatal.
Segundo o documento, a produção média de óleo, gás natural e líquido de gás natural (LGN) ficou em 2,83 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboed) entre julho e setembro. O resultado é 4,1% inferior aos 2,95 MMboed registrados no mesmo período do ano passado.
Antes da divulgação do relatório, a petroleira já havia informado que não teria capacidade para atender, em sua totalidade, os pedidos por fornecimento de combustível em novembro. De acordo com a Petrobras, a demanda "atípica" solicitada pelas distribuidoras veio "20% acima da sua capacidade de suprimento no caso do diesel e 10% acima em relação à gasolina".
A companhia reforçou, no entanto, que não há motivo para pânico, porque os pedidos adicionais poderão ser atendidos por importadoras do setor.
Destaques da produção no período
Apesar da queda anual, na comparação com o trimestre anterior a produção média subiu 1,2%. Segundo a estatal, dois fatores explicam o crescimento. O primeiro é o início das operações, em agosto, na unidade flutuante de armazenamento e transferência (FPSO) Carioca no campo de Sépia, localizado no pré-sal da Bacia de Santos.
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O segundo é o aumento na média trimestral de produção do FPSO P-70, que opera no campo de Atapu e atingiu sua capacidade máxima no início de julho. Segundo a Petrobras, o resultado confirma o bom desempenho tanto dos poços quanto da plataforma.
A produção no pré-sal também foi destaque no período, com 2 MMboed no trimestre, e representou 71% da produção total da companhia. No terceiro trimestre de 2020 esse percentual era de 67%.
Vendas em alta
Se a produção anda em baixa, o mesmo problema não foi observado na comercialização de derivados de petróleo no mercado interno. As vendas chegaram a 1,9 Mbpd no período, alta próxima aos 10,5% na comparação trimestral e anual.
A Petrobras destaca que as vendas de diesel - 867 Mbpd no 3T21 - foram as maiores desde 2015; já a gasolina, cuja comercialização totalizou 441 Mbpd no trimestre, marcou os maiores volumes desde 2017.
Desinvestimentos
O relatório mostra ainda o andamento da venda de ativos da estatal, movimento que faz parte de sua estratégia de otimização do portfólio e, de acordo com o documento, visa a “maximização de valor” para a empresa. Entre os destaques do trimestre estão:
- A cessão, para a 3R Rio Ventura S.A, da participação de 100% no Polo Rio Ventura, localizado no estado da Bahia;
- Finalização da cessão, para a TotalEnergies, da participação de 10% no campo da Lapa;
- Finalização da cessão da participação de 50% no campo terrestre Rabo Branco, localizado na Bacia Sergipe-Alagoas, para a Petrom.
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