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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Análise

Sem o “forward guidance”, Banco Central arranca bola de ferro dos pés

Decisão do BC de abrir mão do compromisso de não mexer com os juros foi acertada, mas a adoção do instrumento mais ajudou ou atrapalhou a economia?

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
20 de janeiro de 2021
19:51
Bola de ferro
Imagem: Shutterstock

Os diretores do Banco Central arrancaram a bola de ferro que haviam amarrado aos próprios pés na reunião desta quarta-feira, na qual decidiram manter a taxa básica de juros (Selic) em 2% ao ano.

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A bola de ferro atende pelo nome de “forward guidance”, a controversa sinalização de que os juros ficariam muito baixos por um longo período.

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Esse instrumento de política monetária foi adotado com sucesso pelo Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, no combate à crise financeira de 2008.

O forward guidance voltou à baila no ano passado como uma das armas para tentar reanimar a economia combalida pela pandemia da covid-19. O Fed já indicou que as taxas não devem subir nos EUA pelo menos até 2023.

Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu importar o “forward guidance” em agosto do ano passado. Ao baixar a Selic para a mínima histórica de 2% ao ano, o BC sinalizou ao mercado que a taxa poderia se manter nesses níveis até meados de 2022.

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Só que para o instrumento funcionar, é preciso combinar com os russos — no caso, o mercado financeiro. Em outras palavras, os investidores precisam acreditar na capacidade do BC de manter os juros baixos.

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A manutenção do forward guidance dependia basicamente de duas variáveis que costumam ser traiçoeiras no Brasil: a inflação e a política fiscal.

Menos de um mês após o BC indicar que os juros não subiriam, o país passou por um choque nos preços de alimentos que começou a pressionar os índices de inflação. O resultado foi que o IPCA encerrou o ano em 4,52% — acima do centro da meta de 4%.

Ao mesmo tempo, o mercado começou a questionar a trajetória da dívida pública em meio aos gastos do governo para conter os danos da pandemia. Com isso, passou a cobrar mais juros do Tesouro para comprar os títulos do governo.

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Essa distorção no mercado de juros provocou até uma inesperada queda no rendimento do Tesouro Selic, algo que não ocorria desde 2002.

O Copom aguentou o tranco e manteve o forward guidance até a reunião desta quarta-feira, mas ninguém mais comprava a ideia. Antes mesmo da morte precoce do instrumento, o mercado já projetava uma alta da Selic para 3,25% no fim de 2021, de acordo com o último boletim Focus.

Será que valeu a pena?

No final, a decisão do BC brasileiro de abrir mão do compromisso de não mexer com os juros foi acertada. Desta forma, o Copom terá liberdade tanto para apertar as taxas se o dragão da inflação continuar mostrando os dentes ou mesmo manter a Selic no caso de a economia seguir debilitada pelos efeitos da covid-19.

A grande questão que fica para os especialistas em política monetária é: a experiência do forward guidance mais ajudou ou atrapalhou a condução da economia em meio à crise?

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