Dólar recua quase 2% após Powell assegurar estímulos monetários; bolsa tem leve alta
Pronunciamento de Powell amenizou o efeito de mais um indicador de inflação acima das expectativas. Na Bolsa, siderúrgicas e petroleiras limitaram os ganhos

Se ontem o câmbio não conseguiu surfar a onda de otimismo que tomou conta da bolsa brasileira após a nova versão do texto da reforma tributária, hoje foi a vez de o dólar à vista ser o grande destaque do dia, com uma queda de 1,87%, aos R$ 5,0841.
Para Nicolas Borsoi, economista da Nova Futura Investimentos, as mudanças propostas pelo relator da reforma do imposto de renda melhoraram a percepção de risco do país, atraindo mais investimentos e desfazendo posições de proteção. No exterior, o movimento da moeda americana também foi de queda, impulsionado pela perspectiva de manutenção dos estímulos monetários e nova injeção de dólares por parte do governo americano.
A quarta-feira (14) também foi marcada por dados mais salgados do que o esperado da inflação americana, mas ao contrário do que aconteceu ontem, hoje os investidores receberam os números já "anestesiados" pelo discurso que foi feito por Jerome Powell, presidente do Federal Reserve. Powell falou na Câmara dos Representantes, mas a sua fala já havia sido divulgada pela imprensa.
Em meio às notícias de que o índice de inflação ao produtor (PPI) teve uma alta de 1% em junho ante maio, quando a previsão era de 0,6%, Powell voltou a afirmar que os estímulos se manterão até que o país alcance o pleno emprego e as metas de inflação e que ainda não é hora de discutir a redução do ritmo de compra de ativos. O presidente do Fed também reforçou o recado de que a instituição irá avisar com antecedência quando pretende iniciar uma redução na compra de ativos.
Já o aguardado Livro Bege, com perspectivas para a economia americana, não trouxe novidades, tendo uma reação tímida por parte do mercado. As bolsas americanas fecharam o dia com comportamento misto. O Dow Jones e o S&P 500 subiram 0,13% e 0,12%, respectivamente. Já o Nasdaq encerrou a sessão com queda de 0,22%.
Com o exterior positivo e uma melhora no cenário político local, a bolsa brasileira aprovou o fôlego extra e bateu a máxima de 129.619 mil pontos pela manhã. No entanto, as bolsas em Nova York perderam força ao longo da tarde, o que acabou refletindo também na B3.
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Ainda repercutindo as mudanças no texto da reforma tributária, o Ibovespa fechou o dia com alta de 0,19%, aos 128.406 pontos.
Por aqui, as ações das siderúrgicas recuaram em bloco e seguraram o movimento de alta, após fala do ministro Paulo Guedes incomodar o mercado. As petroleiras também derraparam, com o petróleo ainda de olho na indefinição do futuro da produção da commodity pela Opep+. Na semana passada, a reunião que decidiria um possível aumento no número de barris diários terminou sem resolução.
Sem assustar
Depois da surpresa de ontem com o CPI, hoje foi a vez de o índice de inflação ao produtor surpreender os investidores americanos. Mas as palavras de Jerome Powell serviram como bálsamo. Confiantes de que o Fed não irá alterar os rumos da política monetária tão cedo, os títulos do Tesouro americano devolveram parte da alta expressiva vista ontem.
Aqui no Brasil, o mercado de juros acompanhou, também repercutindo a melhora no cenário político com um apoio mais amplo ao texto da reforma tributária. Confira as taxas de fechamento dos principais vencimentos:
- Janeiro/22: de 5,83% para 5,77%
- Janeiro/23: de 7,37% para 7,28%
- Janeiro/25: de 8,45% para 8,27%
- Janeiro/27: de 8,87% para 8,68%
Sem assustar - versão brasileira
Não foram só dados gringos que movimentaram o dia. Pela manhã, o Banco Central divulgou o IBC-Br de maio, considerado a prévia do PIB do BC. O índice recuou 0,43% no período, ficando abaixo da mediana das estimativas dos investidores.
Segundo Marcio Lórega, gerente de research do Pagbank, uma possível reação negativa foi mascarada pelo otimismo com as revisões positivas para a economia brasileira feitas pelo ministério da Economia, mesmo que os números mostrem um aquecimento também da inflação local. A pasta aumentou a expectativa de crescimento de 3,5% para 5,3% em 2021.
Reforma repaginada
Ontem, o relator da pauta na Câmara, Celso Sabino, apresentou o seu parecer prévio, que endereçou as principais polêmicas contidas no texto original. As mudanças permitem um apoio maior do setor privado ao andamento da pauta.
Dentre as alterações está a redução do imposto de renda para pessoas jurídicas em 12,5 pontos percentuais (contra 5 p.p da proposta original, com a compensação da arrecadação sendo feita com o fim de diversas isenções fiscais que hoje estão em vigor) e a permanência da isenção de IR sobre os rendimentos de fundo imobiliários.
Sobe e desce
A temporada brasileira de balanços do segundo trimestre ainda não começou, mas os investidores já aquecem na lateral do campo. Nos Estados Unidos, os grandes bancos já começaram a apresentar os seus resultados, o que aumenta a expectativa do mercado local.
O Banco Inter, que recentemente divulgou prévias operacionais robustas, liderou as altas do Ibovespa nesta quarta-feira, com um avanço de mais de 6%. O banco digital alcançou a marca de 12 milhões de clientes e segue ampliando a oferta de serviços e produtos disponíveis no seu superapp.
O setor imobiliário também andou divulgando resultados operacionais fortes, o que leva os investidores a apostarem em uma boa safra de números nas próximas semanas. Tanto é que a JHSF figurou mais uma vez entre as maiores altas do dia.
Todo o segmento imobiliário vinha sofrendo no último mês com a proposta de reforma tributária, que falava em tributar rendimentos de fundos imobiliários. A retirada desse trecho polêmico do parecer prévio do relator da pauta, Celso Sabino, vem animando as bolsas e permite que as empresas do setor se recuperem.
Os papéis da JHSF também seguem repercutindo a compra de uma área de 6,1 milhões de metros quadrados próximo ao Complexo da Boa Vista, em São Paulo, por R$ 140 milhões.
Fora do Ibovespa, importante destacar a estreia da SmartFit. A rede de academias fechou o seu primeiro dia de negociações em alta de mais de 30%. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 81,68 | 6,08% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 62,56 | 4,62% |
| RENT3 | Localiza ON | R$ 68,59 | 3,66% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 39,90 | 3,53% |
| JHSF3 | JHSF ON | R$ 7,75 | 3,33% |
Na ponta contrária da tabela, as siderúrgicas acabaram limitando o avanço do Ibovespa nesta tarde. O que azedou o humor dos investidores foi uma fala do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele afirmou que fez um acordo informal com a indústria do aço para segurar os preços até o fim de 2021 e que o setor aceitou queda de 10% na tarifa de importação. Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 18,52 | -3,14% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 19,86 | -3,12% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 45,90 | -2,92% |
| HYPE3 | Hypera ON | R$ 35,44 | -2,77% |
| NTCO3 | Natura ON | R$ 59,20 | -2,63% |
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