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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Oferta de ações

Caixa Seguridade (CXSE3): reservas para o IPO terminam no dia 26; veja os detalhes e se vale a pena investir

Banco público pretende captar até R$ 6,5 bilhões com a venda de parte de suas ações na empresa que reúne suas participações em seguros

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
22 de abril de 2021
15:29 - atualizado às 18:54
Caixa Bolsonaro
Fachada da Caixa Econômica Federal, principal acionista da Caixa Seguridade (CXSE3). - Imagem: Shutterstock

Imagine ser sócio de uma empresa que tem o direito de vender seus produtos de forma exclusiva nas agências, lotéricas e correspondentes bancários ligados à Caixa Econômica Federal até 2050.

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É com essa vitrine que a Caixa Seguridade pretende atrair investidores para uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3.

O banco público pretende captar até R$ 6,5 bilhões com a venda de parte de suas ações na holding que concentra as participações na área de seguros. O valor considera a venda de todas as ações e no topo da faixa indicativa, que varia entre R$ 9,33 e R$ 12,67.

O IPO da Caixa Seguridade, cujo ticker na bolsa será CXSE3, conta com algumas características particulares. A principal delas é que o banco pretende destinar metade das ações para investidores pessoas físicas. Nas aberturas de capital convencionais, o varejo fica com uma fatia de no máximo 10% do total.

A abertura de capital se aproxima da fase decisiva. O prazo de reserva para os interessados em entrar no IPO termina na segunda-feira, 26. A definição do preço por ação sai no dia seguinte e a estreia da empresa no pregão da B3 está prevista para quinta-feira da semana que vem, dia 29 de abril.

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Mas será que vale a pena virar sócio da Caixa nessa empreitada? A seguir eu conto para você mais detalhes sobre a empresa e a oferta de ações.

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O que é a Caixa Seguridade

A Caixa Seguridade é uma holding, empresa que concentra participações em outras companhias. No caso, ela reúne os negócios que o banco público detém — sozinho ou com outros sócios — nos ramos de seguros, previdência privada, capitalização, consórcio e corretagem de seguros.

A exclusividade na venda de todos esses produtos na rede do banco é o grande trunfo da Caixa Seguridade, que tem um espaço enorme para crescer com o aumento da penetração de produtos de seguros entre os clientes da instituição.

Trata-se de uma base de mais de 145 milhões de correntistas e poupadores, atendidos em uma rede de mais de 26 mil pontos de atendimento, entre agências, correspondentes bancários e lotéricas.

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Outra frente de crescimento pode vir com a venda de produtos pelo Caixa Tem, o banco digital criado pela Caixa no ano passado e que conta com 107 milhões de contas digitais abertas.

A Caixa Seguridade atua em sociedade com seguradoras parceiras, incluindo nomes como CNP Assurances, Icatu e Tokio Marine. A exceção é a corretora, na qual a holding detém 100% do capital e que possui parcerias com outras empresas para a venda de produtos como seguro de automóvel, saúde e odonto e grandes riscos.

Lucro e dividendos

Em 2020, a Caixa Seguridade registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, o que representa um avanço de 5,2% em relação ao ano anterior. O resultado representa uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido de 40,4%.

As receitas operacionais avançaram 8% e somaram R$ 2,2 bilhões no ano passado. O faturamento da holding vem de duas fontes: o resultado das participações nas empresas investidas e do acesso à rede de distribuição e uso da marca.

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Para os investidores em busca de uma renda extra, vale destacar os dividendos gordos distribuídos pela Caixa Seguridade, que somaram R$ 1,5 bilhão em 2020, o equivalente a 86% do lucro anual da companhia.

Corrupção está entre os riscos

De todos os fatores de risco presentes no prospecto do IPO da Caixa Seguridade, o que mais me chamou a atenção foi que a companhia admitiu que pode não ser capaz de evitar que membros da administração, funcionários ou terceiros “atuem em situações contrárias à legislação aplicável e à regulação, incluindo em atos que se qualificam como corrupção, lavagem de dinheiro, suborno, improbidade administrativa e outras condutas similares”.

Em novembro do ano passado, a Caixa Seguradora e a Wiz — que até o início deste ano operava como corretora de seguros nas agências do banco — foram mencionadas na Operação “Canal Seguro”, desdobramento da Operação Descarte da Polícia Federal. As supostas irregularidades teriam ocorrido entre 2014 e 2016 e envolveriam cerca de R$ 28 milhões.

A eventual interferência do governo federal, dono da Caixa, é outro fator relevante a ser considerado quem pensa em investir nas ações no IPO da seguradora. Após a oferta, o banco público seguirá como acionista majoritário da holding, com uma participação entre 82,75% e 85%, dependendo da quantidade de ações vendidas.

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Vale ressaltar, contudo, que as seguradoras que operam abaixo da holding têm controladores privados, o que diminui o risco de uma intervenção direta do governo nos negócios.

Vale a pena entrar no IPO?

A essa altura você já entendeu que a Caixa Seguridade é uma empresa com uma combinação difícil de encontrar na bolsa: boas perspectivas de crescimento e um pagamento generoso de dividendos.

Por outro lado, enfrenta a desconfiança de ter o governo no controle e pode não conseguir ser bem-sucedida no plano de aumentar a venda de seguros para a base de clientes do banco.

Resta saber agora se todos esses fatores estão corretamente refletidos na faixa de preço por ação (CXSE3) que a empresa estipulou na oferta.

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Os analistas em geral têm colocado que a relação entre o preço da ação e o lucro indica um valor salgado para os papéis. Mas na visão de um experiente gestor de fundos com quem eu conversei, vale a pena investir no IPO da Caixa Seguridade.

“É uma boa oferta, vem no preço correto e, apesar de ser aquela história chata de bancão estatal, tem boas alavancas”, disse. Ele pondera que o preço correto, no caso, só é válido se a empresa vender as ações até o meio da faixa indicativa, de R$ 11.

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Direto ou via fundos

Existem duas formas de investir no IPO da Caixa Seguridade. A primeira é de forma direta, por meio das corretoras que participam da oferta. Você pode encontrar a relação completa neste documento.

Na hora de investir, é preciso indicar o preço máximo por ação que está disposto a pagar. Se o valor definido ficar acima, o seu pedido de reserva será cancelado.

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Os investidores que optarem por entrar no IPO com cláusula de "lock up", que proíbe a venda das ações nos primeiros 45 dias após o início das negociações, terão prioridade na alocação.

A Caixa também criou um fundo específico para investir em CXSE3, o "CAIXA FI Ações CAIXA Seguridade", que dá acesso a qualquer investidor a partir de R$ 100 de aplicação mínima. A taxa de administração é de 0,2% ao ano.

O fundo tem a vantagem da praticidade, mas nesse caso o investidor não poderá indicar o valor máximo por ação e estará sujeito à carência dos primeiros 45 dias para o resgate.

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