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Sabemos que o Touro de Ouro não foi embora por causa das eleições, mas muita gente está usando esse mesmo argumento para dar adeus à bolsa
É… a coisa não está nada fácil para os investidores brasileiros. Nem o Touro de Ouro da B3 aguentou essa lenga-lenga.
O maior símbolo dos mercados de alta resolveu arrumar as malas e ir embora, deixando um bilhetinho para o pessoal da Bolsa:
Será que ele levou consigo as últimas chances de um “bull market” no ano que vem?
É claro que essa é uma brincadeira. Sabemos que o bull da B3 não foi embora por causa das eleições, mas muita gente está usando esse mesmo argumento para dar adeus à Bolsa neste momento, antecipando um cenário eleitoral conturbado em 2022.
Mas será que estamos fadados a um desempenho ruim no ano que vem por esse motivo?
Antes que você me pergunte, eu não tenho a menor ideia de quem vai vencer as eleições de 2022. Uma dica: as pesquisas erraram feio nas últimas eleições e, se eu fosse você, não me basearia nelas tão cedo — como conversamos na semana passada, melhor não ter mapa algum do que tentar usar um mapa errado.
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No entanto, esperar as coisas se definirem dificilmente é a melhor alternativa.
Antes mesmo do resultado final, qualquer aumento na intenção de votos de um candidato pró-mercado, ou mesmo acenos de Lula ou Bolsonaro com medidas liberais já poderiam fazer a bolsa subir muito mesmo antes da definição das urnas.
O mercado sempre antecipa a possibilidade de um final feliz, e se você esperar para comprar somente quando os créditos do filme começarem a descer na tela, provavelmente já terá perdido uma boa parte dessa valorização.
Pode ser que o cenário piore? É claro que sim. Mas como estão os preços neste momento? Quanto estamos pagando para correr esse risco?
Sobre esse assunto, vale muito a pena conferir o podcast Mesa para Quatro desta semana, com o João Braga, gestor da Encore. Ele explica porque, na visão dele, a maior parte dos resultados possíveis para as eleições do ano que vem implica em um cenário positivo para a Bolsa.
Não porque os candidatos sejam todos exemplos de liberalismo e comprometimento com o desenvolvimento econômico e o panorama fiscal do país.
Mas porque muitos papéis já atingiram níveis tão depreciados com esse pessimismo pré-eleitoral que as surpresas ruins já estão bem incorporadas nos preços.
O caso da Petrobras nos parece bastante explicativo. Há muito tempo ela tem sido pressionada pelos investidores por causa da possibilidade de interferências do Governo em sua política de precificação.
Isso se reflete nas expectativas e nos preços também. Se você acordar amanhã e vir na capa do Seu Dinheiro a manchete "Bolsonaro congela preços da Petrobras por tempo indeterminado", não será lá uma grande surpresa.
E, apesar de provavelmente as ações da companhia passarem por alguns dias de fúria, muitos investidores serão pragmáticos e vão perceber que PETR4 negocia preços extremamente baixos em um momento operacional fantástico.
Mesmo com o Governo "metendo a mão" e afetando os resultados, ainda assim ela estaria negociando com muito desconto, o que ajuda limitar o downside.
Por outro lado, imagine o cenário oposto, a ascensão de um governo disposto a dar os primeiros passos em um possível processo de privatização, pensando já como monetizar um ativo de centenas de bilhões de reais, em um ótimo momento operacional, antes que a onda ESG arruine esses planos. Quanto valeria a Petrobras nesse cenário hipotético?
Muito a ganhar, bem menos a perder: essa nos parece uma assimetria muito interessante.
O ano que vem deve ser mesmo de muita volatilidade.
Mas ponderando os riscos de downside nos patamares atuais com os riscos de upside, esse nos parece um momento interessante para comprar ações de companhias boas, por preços descontados, com forte geração de caixa e que vão sobreviver seja quem for o próximo ou a próxima Presidente.
A Petrobras é um desses casos e faz parte da série As Melhores Ações da Bolsa.
Mas dentro dela ainda há outras várias alternativas com bastante potencial caso você ainda tenha receios de investir em uma estatal. Se quiser conferir, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a próxima!
Ruy
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