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Autoridades chinesas ordenaram que as lojas de aplicativos deixassem de listar o app da empresa dias após seu IPO nos EUA. O impacto sofrido pelas ações pode nos ensinar uma bela lição sobre o poder do Bitcoin e demais criptoativos.
O IPO da Didi, o "Uber chinês", recém-realizado, foi um dos mais quentes dos últimos meses.
Apesar do hype em torno das ações, nos últimos dias, a empresa não vem ganhando as manchetes dos veículos especializados por conta da alta nos papeis. Pelo contrário…
As ações da empresa (NYSE: DIDI) vêm sofrendo com imposições feitas pelo Governo Chinês.
Se você acompanha regularmente esta humilde coluna sobre tecnologia e investimentos, vai se lembrar do que meu parceiro de escrita, o Richard Camargo, escreveu na última semana:
"Mas nem tudo são flores...
Como todas as empresas chinesas, o investimento em Didi vem acompanhado de uma série de riscos políticos e de governança.
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O biênio 2020-21 tem sido particularmente complicado para essas empresas, com diversas investidas do Governo Chinês contra Alibaba, Tencent, Meituan e outros gigantes da tecnologia.
A Didi ainda não está no mesmo patamar desses caras, mas é o famoso 'a sua hora vai chegar' "
E parece que a hora chegou cedo.
A entidade regulatória chinesa de cibersegurança ordenou que os aplicativos da Didi fossem removidos das app stores em território chinês.
A alegação, ainda que vaga, está ligada a violações de privacidade pela Didi Global Inc. Usuários que já possuíam o app devem seguir usando normalmente, mas atualizações e novos downloads ficam impossibilitados.
As ações da empresa, que negociam na Bolsa americana, registravam queda de quase 30% pré-abertura do mercado na última terça-feira, logo após o recesso pelo feriado de 4 de julho.
Quando as coisas envolvem a China, não espere entender tudo. No mercado financeiro ainda, venha com expectativas ainda mais modestas.
Não bastasse o acontecimento repentino que puxou as ações da empresa para baixo, tem sido reportado que a Didi teria sido avisada pelas autoridades chinesas três meses antes de seu IPO sobre o risco que enfrentava.
Essa história ainda está bastante mal contada. De duas, uma: ou a informação não procede (e a bem da verdade, parece que ninguém conseguiu comprovar isso ainda), ou houve uma bela omissão pela Didi em seu prospecto de IPO, uma vez que nada sobre esse risco ligado às autoridades chinesas constava lá.
De uma forma ou de outra, a moral dessa história - pelo menos até o momento - é que, quando se trata de China, é preciso colocar uma bela dose de incerteza na conta.
Não ter todas as cartas na mesa no início e eventualmente ser surpreendido por uma decisão unilateral dos órgãos reguladores têm um nível de probabilidade bastante superior se comparado a outros mercados pelo mundo.
Para que fique claro, sou entusiasta de investimentos em tecnologia e, sinceramente, considero esse tipo de acontecimento como algo que deve estar no preço e no risco do investimento.
É claro, não por isso, devemos investir sem pensar nos impactos que isso causa.
Mas, mais importante que isso, é ver como empresas como a Didi, ainda que sejam gigantes e dominadoras de mercado, inevitavelmente estão sujeitas ao controle de uma força maior.
Não só isso, por mais robustas que sejam como negócios, possuem um calcanhar de Aquiles que é sua fragilidade: o impacto que uma paralisação ou intervenção em seu negócio principal tem sobre sua operação e, consequentemente, suas receitas.
No momento em que a Didi deixa de poder publicar seus aplicativos nas lojas, imediatamente o fluxo de novos usuários cessa.
Por mais que a base de usuários anterior à proibição possa ser mantida, o negócio de qualquer aplicativo se baseia no diferencial entre entrada (novos downloads) e saída (desinstalações) de usuários.
A torneira de entrada foi fechada, mas a de saída, não. A Didi virou (temporariamente, esperamos) um balde furado que ninguém está enchendo.
Obviamente, então, um impacto em sua receita é esperado. E considerando o tamanho do mercado chinês e sua relevância para o negócio da Didi, tal impacto é imediato e somente reversível mediante aval dos reguladores.
Em outras palavras, esta é a definição de fragilidade ou, no máximo, robustez - dado que a Didi tem capacidade de se manter operacional e gerando receita apesar do revés.
A resposta rápida para a frase acima pode evocar a definição "robusto" mas, como o próprio Nassim Taleb, autor de obras como A Lógica do Cisne Negro gosta de dizer, a alternativa correta é antifrágil.
Algo antifrágil é aquilo que não apenas resiste ao impacto, mas que ganha corpo e poder com ele. É aí que entra o bitcoin (BTC) e demais criptoativos.
O episódio da Didi me fez lembrar da natureza antifrágil da moeda digital, que em contexto similar em solo chinês já se mostrou capaz de ganhar força.
Por vezes que não se pode contar nos dedos das mãos, a moeda já sofreu restrições regulatórias na China.
Obviamente, no curtíssimo prazo, houve impacto negativo e volatilidade. Porém, em todas as vezes, o ativo saiu mais forte. Evidência disso é sua trajetória exponencial de valorização ao longo dos últimos anos.
O ponto central dessa questão, que confere ao bitcoin e ativos similares tal caráter antifrágil, é a base de seu funcionamento como protocolo: a descentralização.
Ainda que tanto a Didi quanto o Bitcoin possam sofrer impacto por uma decisão regulatória na China, ou mesmo por um bloqueio de um intermediário (as lojas de aplicativos, por exemplo), a primeira sofre um dano direto enquanto o segundo não tem um ponto central de controle.
Um dos grandes ganhos da descentralização é a possibilidade de remoção dos intermediários. A Didi, enquanto empresa, está submetida não somente ao governo Chinês e, enquanto aplicativo, às regras e barreiras das app stores. O Bitcoin, não.
Isso me lembra a discussão justamente sobre a Web 3.0, tida como a evolução da Web atual, 2.0, baseada em protocolos abertos e descentralizados. Sua antifragilidade nasce justamente do fato de não existirem intermediários.
Meu objetivo aqui não é comparar as ações da Didi ao bitcoin (BTC) e estabelecer uma preferência. Até porque, enquanto ativos, são coisas bastante diferentes e complementares em uma carteira de investimentos.
O ponto principal é ter em mente como ativos tradicionais, inevitavelmente, são suscetíveis a riscos advindos dessa fragilidade, especialmente quando falamos de termos regulatórios e a própria centralização criada pelas Big Techs. O risco tem que estar no preço.
Por outro lado, apesar das inúmeras vezes que o bitcoin e demais criptoativos sofreram com imposições regulatórias, eles saíram mais fortes em todas elas.
Em resumo, uma aula sobre antifragilidade.
Como sempre, muito obrigado pela sua audiência. Não deixe de seguir o podcast semanal que faço com o Richard Camargo, e também com o André Franco da Empiricus, sobre tecnologia e investimentos, o Tela Azul.
E você pode me mandar também outras sugestões de tema, seja para esta coluna, ou para o podcast, no nosso email: telaazul@empiricus.com.br.
Nos falamos em duas semanas por aqui.
Se cuida!
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